HELOISA BORTZ / DIVULGAÇÃO
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‘Quebra-Nozes’, tradicional montagem da Cisne Negro, terá Thiago Soares e a russa Svetlana Lunkina

Mais do que tradição, a montagem permite ao público ver grandes nomes da dança que, de outra forma, dificilmente se apresentariam na cidade

Juliana Ravelli  , Especial para O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2016 | 03h00

Dois mil e dezesseis foi difícil. Mas entre as belezas dessa época do ano está a ideia de que é possível renascer e perseverar. E é com essa resolução que, apesar dos desafios e, sobretudo, da crise, a Cisne Negro Cia. de Dança leva ao Teatro Alfa a 33.ª edição de O Quebra-Nozes. A temporada estreia neste sábado (10) e segue até dia 21.

Mais do que tradição, a montagem permite ao público ver grandes nomes da dança que, de outra forma, dificilmente se apresentariam na cidade. Neste ano, três casais farão os papéis principais. Pela primeira vez, dançarão o pas de deux da Rainha das Neves (no fim do primeiro ato), além do grand pas de deux da Fada Açucarada e do Príncipe. 

Cada dupla é singular. Nos dias 10, 11, 12 e 14, dançam os argentinos Nadia Muzyca (primeira-bailarina do Teatro Colón) e Esteban Schenone (primeiro-bailarino do Ballet de La Plata). Não haverá sessão dia 13. É a terceira vez que Nadia, artista habilidosa e cheia de energia, é convidada pela Cisne Negro. “É um balé em que me sinto muito confortável. O público gosta muito, pois é animado e a música (de Tchaikovski) é linda”, afirma Nadia. 

Nos dias 15, 16 e 17 (às 20h), as estrelas serão Thiago Soares (bailarino principal do Royal Ballet) e a russa Svetlana Lunkina (bailarina principal do Ballet Nacional do Canadá). Há tempos Thiago flerta artisticamente com Svetlana, que carrega a tradição e o primor da escola russa. Entre 1997 e 2013, ela atuou no Bolshoi.

“Falamos de dançar juntos. Perguntei: Você já foi ao Brasil?, e ela disse que não. Falei que achava bacana que os brasileiros vissem alguém do calibre dela”, diz Thiago. “Fazer esse Quebra-Nozes é poder realizar o desejo da Dona Hulda (Bittencourt, diretora artística da Cisne Negro), agradecer o que ela fez pela dança e pela gente, e celebrar esse balé que, em momentos de crise, foi uma das coisas que se mantiveram.”

Thiago dança ainda dia 18 (às 18h) com Márcia Jaqueline, primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio. Em breve, deve estrear um documentário sobre ele, produzido por Alice e Felipe Braga para a HBO. “É um sonho”, conta Thiago. “Acho que o público vai ver um lado meu que nunca havia visto.”

Márcia se apresenta nos dias 17 (às 17h), 18 (às 15h), 19, 20 e 21 com Cícero Gomes (primeiro-bailarino do Theatro Municipal). É a quinta vez que ela – artista elegante, com nobreza despretensiosa – participa da montagem da Cisne Negro. “O Quebra-Nozes sempre traz esperança. O teatro fica lotado. Depois de um ano cansativo, fazer um balé que atrai o público e o carinho das crianças é o que não deixa monótono. Todo fim de ano, você tem sensação de ser abraçado por muita gente.” No fim de novembro, o Theatro Municipal confirmou seu O Quebra-Nozes. Em meio à crise no Estado do Rio, os artistas decidiram cumprir a programação para não prejudicar o público.

Persistência. Filha de Hulda e diretora de ensaios, Dany Bittencourt conta que parcerias e apoiadores fazem O Quebra-Nozes persistir e que a temporada homenageará Toshie Kobayashi, grande figura da dança nacional, que morreu em maio. Neste ano, a companhia levou trechos do balé a hospitais. O projeto será ampliado em 2017 e chegará a Belo Horizonte, Vitória, Curitiba e Porto Alegre. 

Seja pela persistência em recriar por 33 anos o clássico ou pela própria trama, O Quebra-Nozes carrega mensagem de resiliência e coragem. É preciso sonhar para sobreviver. Em 2017, a companhia completa 40 anos; serão 60 anos da escola. Para celebrar, a Cisne Negro já começou a produzir novo trabalho, com direção de Jorge Takla e coreografia de Dany e Rui Moreira. “O nome do espetáculo vai ser Hulda”, revela Dany. “Porque o Takla acha que o motor e a alma da Cisne Negro sempre foi ela.”

Perseverança e, segundo Hulda, “parafusos a menos” fizeram o grupo prosseguir pelo longo caminho. “Acho que se tivesse de recomeçar, faria tudo novamente, porque é meu temperamento, minha maneira de ser. Acho que se a vida não tivesse desafios, não teria graça”, acrescenta Hulda Bittencourt, que em julho completou 82 anos.

O QUEBRA-NOZES

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722. Tel.: 5693-4000. 2ª a 5ª, 21h. 6ª, 21h30. Sáb., 17h e 20h. Dom., 15h e 18h. R$ 50 / R$ 140. Até 21/12.

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