Sara Krulwich/The New York Times
Sara Krulwich/The New York Times

Prêmio Tony: conversa com eleitores aponta 'Harry Potter' entre os favoritos

Nos últimos dias, conversamos com 110 dos 842 eleitores, que falaram sob anonimato, porque o processo de votação é secreto

Michael Paulson, The New York Times

09 Junho 2018 | 17h32

Após uma temporada que alguns consideraram frustrante em termos de originalidade, nossa pesquisa anual com eleitores do Tony Awards sugere que alguns espetáculos são claros favoritos, entre eles The Band’s Visit, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e Angels in America.

Nos últimos dias, conversamos com 110 dos 842 eleitores, que falaram sob anonimato, porque o processo de votação é secreto. Os votos serão dados na sexta, 15, e a cerimônia começa às 21h de domingo, 17, transmitida ao vivo pelo canal Film&Arts às 21h (horário de Brasília). Na sequência, as nossas conclusões:  

Na grande disputa, um pequeno show está ganhando

Melhor novo musical é uma categoria do Tony que geralmente tem destaque nas bilheterias. E o vencedor deste ano deve ser The Band’s Visit. Quase 80% dos entrevistados disseram que votarão no musical, adaptado de um filme israelense de 2007 sobre uma orquestra da polícia egípcia que inesperadamente passa uma noite numa cidade israelense do deserto. The Band’s Visit está faturando firme, mas não espantosamente, na bilheteria. O musical sensibilizou crítica e admiradores: “Se pudesse, votaria dez vezes nele”, ressaltou um eleitor. Outro opinou: “É interessante, novo, surpreendem”. 

Harry Potter e as estatuetas múltiplas 

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, a peça mais cara já apresentada na Broadway, obteve críticas excelentes e está rendendo muito dinheiro. Numa temporada fraca de dramas empolgantes, cerca de dois terços de nossos eleitores disseram que votarão em A Criança Amaldiçoada na categoria melhor peça, a única indicada que está ainda em cartaz.

A produção de Jack Thorne foi muito elogiada pelo cenário e parece ter se beneficiado da baixa expectativa de parte dos veteranos da indústria teatral que duvidavam que uma peça baseada em série de livros infantis muito populares sobre um garoto bruxo pudesse resultar num drama de qualidade. “Achei que odiaria a peça e acabei amando”, garantiu um eleitor. Outro considerou-a “um espetáculo completo como narrativa e apresentação”. 

Indefinição nos revivals musicais 

Há só 3 revivals musicais nesta temporada, e os três – Carousel, My Fair Lady e Once on This Land – tiveram boas críticas e partidários entusiastas, deixando difícil prever um vencedor. 

Em nossa pesquisa, 39% dos eleitores ficaram com My Fair Lady, 35% com Once on This Land e 25% escolheram Carousel. Os porcentuais estão muito próximos para permitir uma previsão mais segura. Tudo pode acontecer.

Entre as peças teatrais, a escolha se mostra mais definida. Eleitores se entusiasmaram tanto por Angels in America, de Tony Kushner, sensação na Broadway em 1993 e 1994, quanto por Três Mulheres Altas, de Edward Albee, que nunca havia sido encenada na Broadway. 

Muitos eleitores consideram Angels um marco da dramaturgia. “É a maior peça americana já escrita”, afirmou um. “Kushner é o moderno Shakespeare”, garantiu outro. E um terceiro afirmou que é daquelas peças diante das quais temos de nos curvar com respeito. 

 

Melhor atriz parece aposta segura 

Glenda Jackson poderia vencer por aclamação. Nove em dez eleitores disseram que votarão nela por seu papel como a dominadora matriarca de Três Mulheres Altas e não economizaram elogios: “Transcendental.” “Eletrizante.” “Uma profissional veterana no auge da força”. Jackson, de 82 anos, que ficou um longo período longe de cena, já foi indicada várias vezes para o Tony, mas nunca levou o prêmio. 

Andrew Garfield é o favorito 

A crua atuação de Andrew Garfield como Prior Walter, o profético doente de aids no centro de Angels in America, abalou muitos eleitores e ele aparece como provável ganhador do Tony de ator em teatro. Dois terços de nossos entrevistados votarão nele. “Espantoso”, disse um eleitor. Para outro, Garfield “fez um personagem simpático, encantador e – mais que tudo – sexy –, tudo ao mesmo tempo”.

*TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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