ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Prêmio de teatro reconhece médias e pequenas produções

Com peça financiada via crowdfunding, Silvana Garcia levou o prêmio de melhor direção; confira lista completa dos vencedores

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 11h04

Quando cruzou o local onde ocorreu a entrega do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, na noite desta terça-feira, Silvana Garcia parecia não acreditar que a apresentadora da cerimônia, a atriz Mariana Lima, tinha pronunciado seu nome ao anunciar o prêmio de Direção. "Já estive nesse júri e não é confortável", disse à comissão julgadora. "Neste momento, vocês são odiados por muitos e amados por poucos."

Silvana foi reconhecida pela encenação de Não Vejo Moscou da Janela do meu Quarto, peça que estreou em junho e foi financiada pelo sistema de crowdfunding - com doações de interessados - por meio do site Catarse. Fora do circuito tradicional, a produção foi apresentada em uma das salas da SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt. Em seu discurso, ela agradeceu ao júri por manter o olhar para as pequenas produções.

Não Vejo Moscou... também levou o prêmio de Iluminação pelo trabalho de Beto Bruel, totalizando dois troféus e empatando com outras duas produções. Uma delas foi Trágica.3. A montagem, que teve temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, concorria em cinco categorias, sendo uma das preferidas. Levou o prêmio de Figurino por Glória Coelho - que estava no local, mas não na hora da entrega, quando foi substituída pelo diretor Guilherme Leme - e de Atriz, por Denise Del Vecchio.



Em seu discurso, a atriz destacou que, apesar de aquela ser a 27ª cerimônia do Prêmio Shell, era a primeira para a qual tinha sido convidada. "Obrigada à comissão que me escolheu a esta altura da minha vida e carreira", disse. "Em um momento de desânimo, vem um sopro de vida."

De três indicações, a peça Caros Ouvintes, que reabriu, em agosto, o auditório do Museu de Arte de São Paulo (Masp), levou duas: Música, de Ricardo Severo, e Cenário, de Marco Lima. O cenógrafo, que também concorria pelo trabalho em Vidas Privadas, lembrou que participou da elaboração da primeira cerimônia do Prêmio Shell, em 1989.

Rodolfo García-Vázquez recebeu o prêmio de Autor por Pessoas Perfeitas, texto escrito a quatro mãos com Ivam Cabral. No palco, ele lamentou a ausência do parceiro, que não compareceu à cerimônia por estar fazendo um tratamento. Lembrou, ainda, que o texto nasceu como roteiro de filme, mas acabou sendo adaptado para teatro.

A categoria Inovação premiou a Companhia Pessoal do Faroeste pelo trabalho de ocupação da região da Luz, colaborando para a revitalização do local, hoje parcialmente tomado por usuários de crack. Cercado por membros do grupo, o diretor Paulo Faria dividiu o prêmio com o único concorrente (o Projeto Vira-Latas de Aluguel, que atua na comunidade de Heliópolis) e salientou que a chamada cracolândia é circunstancial e que o espaço é dos usuários de crack por direito.

A cerimônia homenageou o diretor César Vieira, que está à frente do Teatro Popular União e Olho Vivo, com sede no Bom Retirom há quase 50 anos. Em sua fala, Vieira lembrou as lutas de Augusto Boal (1931 - 2009) e Heleny Guaryba (1941 - 1971) pela arte e pela classe teatral.

Confira a lista completa de premiados no 27o Prêmio Shell de São Paulo

Autor

Ivam Cabral e Rodolfo García-Vázquez - 'Pessoas Perfeitas'

Direção

Silvana Garcia - 'Não Vejo Moscou da Janela do meu Quarto'

Ator

Rubens Caribé - 'Assim É (Se lhe Parece)'

Atriz

Denise Del Vecchio - 'Trágica.3'

Cenário

Marco Lima - 'Caros Ouvintes'

Figurino

Glória Coelho - 'Trágica.3'

Iluminação

Beto Bruel - 'Não Vejo Moscou da Janela do meu Quarto'

Música

Ricardo Severo - 'Caros Ouvintes'

Inovação

Cia. Pessoal do Faroeste - Trabalho de ocupação e intervenção social e artística que contribui para transformação e revitalização urbanas da região da Luz

Homenagem

César Vieira - Trajetória artística junto ao Teatro Popular União e Olho Vivo e atuação política na defesa da classe teatral 

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