Náira Messa
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Prêmio Bibi Ferreira celebra o teatro

Antes dedicado apenas ao musical, troféu foi entregue também para espetáculos com textos não cantados

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2019 | 19h25

O título de melhor musical de 2018 conferido a O Fantasma da Ópera pelo Prêmio Bibi Ferreira foi sintomático: no ano em que os profissionais do gênero se surpreenderam com a alteração nas regras da Lei Rouanet (agora, cada trabalho poderá captar no máximo R$ 1 milhão de incentivo fiscal e não mais R$ 60 milhões), o troféu representou um voto de confiança da classe no musical que mais arrecadou no ano passado. 

A festa de entrega do 7.º prêmio ocorreu na noite de terça-feira, 24, no Teatro Renault, que apresenta semanalmente o Fantasma. “Esse troféu representa um grande carinho”, festejou Renata Alvim, diretora de teatro da T4F, empresa produtora do musical. O clima entre os convidados, aliás, já era esperançoso com a repercussão de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, confirmando que os musicais proporcionaram uma renda de R$ 1 bilhão, entre tributos e impostos, à cidade de São Paulo.

A noite, portanto, foi marcada por dois assuntos: a convocação da classe para se manter unida (afinal, até o momento, há poucos musicais confirmados para 2020 e ainda nenhum para 2021) e o apoio à atriz Fernanda Montenegro que, na segunda, 23, foi ofendida, via Facebook, pelo diretor da Funarte, Roberto Alvim.

“Somos todos Fernanda”, disse o ator Luis Miranda, quando entregou o primeiro prêmio da noite (Fábio Assunção, melhor ator coadjuvante por Dogville). Foi a primeira aclamação para a atriz, que se repetiu ao longo da cerimônia. Foi o primeiro ano, aliás, que o Bibi foi também entregue aos melhores do teatro não cantado. Nessa toada, Tuna Dwek emocionou ao pedir que não se repetissem atos de censura. “Passei por isso durante a ditadura e não quero mais”, disse ela, melhor atriz coadjuvante por A Noite de 16 de Janeiro.

Lágrimas não faltaram em outras premiações. A veterana Inah de Carvalho foi aplaudida de pé como melhor atriz coadjuvante em musicais, por Billy Elliot; já a melhor atriz foi Larissa Luz, por Elza – ela ressaltou o espírito guerreiro da veterana cantora. Beto Sargentelli teve o talento compensado com a eleição de melhor ator em musical por Os Últimos 5 Anos. Entre os espetáculos, a melhor peça foi Baixa Terapia, bem-sucedida produção familiar capitaneada por Antonio Fagundes. Já o melhor musical brasileiro foi Elza, comprovando a qualidade do trabalho da Sarau. E o voto popular corou a noite elegendo O Fantasma da Ópera como seu preferido.

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