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'Por Que Não Vivemos?', da companhia brasileira, tem versão em três capítulos

Peça inspirada em 'Platonov', de Anton Chekhov, traz linguagens diversas e tom de série ao explicar contexto da história

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 15h01

A companhia brasileira deixou os planos de estreia em julho de novo espetáculo e turnê na Europa para entender o mundo virtual que virou o palco do teatro durante a pandemia.

A estreia de Por Que Não Vivemos?, versão do diretor inspirado Marcio Abreu para a peça Platonov, de Anton Chekhov, tinha sessões de quase três horas de duração, quando desembarcou em São Paulo, no começo deste ano. Impedida de seguir em temporada, a montagem ganha reedição em três capítulos, apresentados nesta sexta, 11, sábado, 12, e domingo, 13, em duas sessões por dia.

Na montagem original da companhia, estrelada por Camila Pitanga, a peça não tinha um lugar definido, embora o texto publicado em 1923 seja ambientado na propriedade rural de uma jovem viúva. Durante uma grande festa, Platonov, um aristocrata falido é um professor admirado e invejado por todos. Seu encontro com Sofia, amor da juventude, e a relação com o falecido pai, vão movimentar os ânimos - e o desespero na comemoração.

No caminho contrário ao teatro virtual, o diretor Marcio Abreu conta que resistiu à prática. "Tentamos adiar o máximo para poder voltar presencialmente, já que a peça não tinha encerrado sua temporada em São Paulo", conta. "Todos estamos afetados nessa experiência de confinamento, e tenho certo que vai continuar, mesmo depois que os artistas voltarem ao palco, no futuro."

Abreu justifica que a dificuldade de transpor um espetáculo em uma plataforma virtual exigiu diversas abordagens. Ao compor a nova versão em três capítulos, a companhia brasileira oferece um trabalho que segue refletindo sobre o formato. "No primeiro dia estamos voltados para o som, para a escuta, com pouquíssimas imagens. Penso que o tempo para nós é essencial, e as pessoas já ficaram muito tempo na frente do computador. O teatro continua sendo atravessado por esse mundo." 

No segundo dia, a montagem conjuga outras imagens, captadas durante a temporada presencial e no terceiro e último dia, um encontro com o elenco, conta o diretor. "Esse é mais racical com hipercloses dos atores e atrizes, mas criando um jogo entre o que o público enxerga e o que o elenco fala."

Para Abreu, ao fragmentar o trabalho em três capítulos houve momentos divertidos. "Agora funciona quase como uma série. No começo de cada capítulo fornecemos informações anteriores, como um 'previously on' muito utilizado nos seriados para que o público relembre ou conheça a trama."

Escrita em 1923, a peça não se compara ao sucesso que Chekhov conquistou com O Jardim das Cerejeiras, seu último trabalho. Platonov foi concebido como um drama, quando o dramaturgo tinhas 20 e poucos anos. A peça teve vários títulos, entre eles “os sem-pai”. Ao enviar o texto para uma famosa atriz de Moscou na época, Chekhov teve a peça devolvida sem qualquer comentário.

Serviço: Sexta, 18h, 21h. Sáb., 18h, 21h, dom, 18h, 21h. Até 13/12. Grátis. Ingressos no site da Sympla.

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