Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

‘Peter Pan, o Musical’ alça seu voo inicial

‘Estado’ acompanha ensaio em que atores aprendem a sobrevoar a plateia

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 06h00

Qualquer piscadela pode ser fatal para quem assistir a Peter Pan, o Musical, que estreia no dia 8 de março, no Teatro Alfa. Baseado no espetáculo que estreou na Broadway em 1954, a versão brasileira traz o necessário vigor físico pedido pelo original, com o elenco revelando não apenas qualidades artísticas, mas também coreográficas. “Esse é o musical em que os personagens falam por meio do corpo”, observa José Possi Neto, responsável pela direção-geral. “E, como trabalho muito com dança, o trabalho fica mais fácil.”

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De fato, a encenação faz lembrar, em muitos momentos, uma autêntica coreografia, o que estreitou ainda mais a direção de Possi com os movimentos de grande beleza estética criados pelo coreógrafo Alonso Barros. “A linguagem é, realmente, corporal. Por conta disso, todos os atores têm necessidades atléticas”, comenta ele.

O resultado é deslumbrante, como o apresentado em um ensaio acompanhado pelo Estado. O elenco de 18 intérpretes já está na fase em que o espectador não vai perceber a dificuldade do gesto, graças à habilidade com que é executado. “Descobrimos que é necessário ser preciso nos movimentos”, conta Daniel Boaventura, ator consagrado pelos musicais (A Bela e a Fera, A Família Addams) e que, depois de cinco anos, retorna ao gênero no papel do Capitão Gancho. Sua presença equilibra o espetáculo, pois dá o tom certo de humor. E, depois de se entrosar com os atores mais jovens, seu personagem atingiu o ponto certo entre vilania e simpatia. “Como fiquei cinco anos distante dos musicais, não acompanhei a evolução dessa nova geração”, comenta Boaventura, que comanda um bando de sete jovens piratas.

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São atores que se destacam, como Vinicius Teixeira e Matheus Paiva, mas o grande desafio é enfrentado por Pedro Navarro no papel de Smee, o colaborador direto do Capitão Gancho. Originalmente o personagem seria vivido pelo experiente André Dias, que precisou deixar a produção por estar envolvido em uma novela. Navarro abraçou o papel e tem a chance de apresentar sua incrível vitalidade, capaz de criar momentos certeiros de humor. 

Boa parte do elenco trabalha em grupos, o que acentua a necessidade da precisão também nas vozes. “Precisei modular os tons (grave para os piratas, agudo para os meninos perdidos) para marcar as diferenças”, conta o diretor musical Carlos Bauzys. E, se há um solista, esse é Mateus Ribeiro, que vive Peter Pan. Com uma espécie de graça natural, uma elegância simples, uma presença nada anônima, ele impressiona pela quantidade de recursos cênicos, ciente de estar vivendo seu grande papel. “Termino os ensaios extenuado”, conta ele que, como boa parte do elenco, também é comandado pela americana Andrea Gentry, que veio a São Paulo coordenar as cenas em que os personagens voam. “O cuidado é com a postura para não provocar dores”, conta Bianca Tadini, que oferece à personagem Wendy sua voz suavemente doce.

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“Pretendemos apresentar a melhor versão de Peter Pan entre todos”, afirma a produtora Renata Borges, da Touché Entretenimento, que teve autorização para captar R$ 16 milhões pela Lei Rouanet. “Para isso, conseguimos a liberação da MTI de apresentar a Sininho em tamanho natural e não apenas como projeção”, completa ela, que se associou a Daniel Boaventura para a montagem. O personagem, assim, será vivido por Mariana Amaral.

 

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