Priscila Prade / Divulgação
Priscila Prade / Divulgação

‘Pergunte ao Tempo’ conecta um jovem com sua versão do futuro

Caso de Alzheimer na família fez o diretor Otávio Martins escrever sobre um encontro atemporal para acerto de contas com o passado

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 20h10

Dois pontos foram riscados em uma folha de papel. O caminho mais próximo entre eles seria uma reta. Mas, se essa folha for dobrada ao meio, é possível criar um atalho, ganhando tempo e distância. Segundo o físico Albert Einstein, por meio de portais no tempo, os chamados buracos de minhoca, o homem poderia voltar ao passado.

Uma dessas viagens pode ser vista no espetáculo Pergunte ao Tempo em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. Na peça, um jovem habita uma espécie de limbo, no qual entra em contato com o seu eu que existe no futuro. “É uma história que ocorre dentro da cabeça de uma pessoa”, explica o diretor e autor do texto, Otávio Martins. 

Depois do premiado espetáculo Caros Ouvintes, que se ambientava nos 1940, auge das radionovelas, Otávio se volta para um texto “mais sensorial”. “Antes, o objetivo era buscar por um realismo que aproximasse o público e uma época. Agora, esse percurso se dá pela capacidade de imaginação de cada um.”

O impulso de criar a montagem surgiu junto com o diagnóstico de que o pai, morto neste ano, estava com Alzheimer. “Comecei a escrever a partir da confusão que ele fazia. Meu pai misturava o passado com coisas da imaginação dele”, conta. “Por outro lado, eu não quis abordar a doença nem o sofrimento causado. A vontade foi entrar nessa viagem.” 

E, diferentemente do cinema, o palco tem outras maneiras de criar momentos que vão além do presente. Na cenografia, Otávio optou por algo fluido, que desse conta desses estados. “Criamos um espelho d’água como a própria metáfora do tempo.”

Quem completa o encontro é a ex-namorada. “A moça é uma figura helênica. A personificação de um desejo.” Sem saber do futuro, a tentativa do rapaz é de reconquistá-la e mudar o destino das coisas. “Ele luta por um mundo que inclua se manter na flor da idade e continuar junto ao amor de sua vida.”

PERGUNTE AO TEMPO. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. 2ª e 4ª, 20 h. R$ 10. Até 16/12.

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Teatro Otavio Martins

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