GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Pedro Granato quer unificar a agenda dos palcos paulistanos

Ator e diretor assume o Departamento de Teatros e Centros Culturais da Secretaria Municipal e conta seus planos para a cidade

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2019 | 03h00

Do alto do sétimo andar, o ator e diretor Pedro Granato toma fôlego ao chegar em sua sala na Secretaria Municipal de Cultura. Após guardar o capacete da bicicleta, ele abre a janela com vista para o Teatro Municipal. A vista não é nova para ele, que, como artista, já esteve diversas vezes ali, no Departamento de Teatros e Centros Culturais. É agora, como coordenador desse setor, que ele recebeu a reportagem do Estado.

Nomeado há quase um mês pelo novo secretário de Cultura, Alê Youssef, no governo Bruno Covas, o diretor do teatro Pequeno Ato não parou desde o fim do ano passado. Aceitou o convite para a gestão enquanto estreava a peça Babilônia Sem Fronteiras, em fevereiro, e nascia a filha, Rosa, com a jornalista Roberta Martinelli. “Eu só estava planejando curtir a nova vida de pai.” Desde que assumiu o cargo, tem se desdobrado para visitar os diversos centros culturais, casas de cultura e os oito teatros distritais para entender as diferentes demandas do centro e periferia. Granato resume que o desejo da nova gestão seja o de unificação: “Mais que brigar pelo tamanho do cobertor, queremos defender o cobertor”, diz. 

Uma das ações, já anunciadas pelo secretário Youssef, é criar uma calendário único com todas as atividades culturais da cidade. “Com uma capital com vocação cultural, é nosso dever ter a dimensão das ações realizadas aqui, no segmento público e privado”, conta Granato. Essa articulação passará por encontros com direção do Sesc e dos teatros independentes. 

O que credencia o trabalho de Granato se dá, em parte, à militância pelos espaços culturais e pelo intenso contato com o público. Ele foi presidente do Motin – Movimento dos Teatro Independentes, que busca entender os desafios para o teatro, como produção cultural, simbólica e econômica. No setor, um dos alvos de debate foi o Fomento ao Teatro, edital de incentivo a grupos de pesquisa. No ano passado, o programa foi suspenso após ter regras modificadas pelo então secretário André Sturm. Segundo Granato, a edição deste semestre será destravada, o que é boa notícia, mas entende que o edital precisa ser reconsiderado. “É preciso mudar a noção de prêmio. No fundo, vicia e tem criado um gargalo que só ameaça a continuidade dos grupos.” Apesar de ser criado para subsidiar a pesquisa, em média 30% do valor do edital acaba sendo destinado às despesas de aluguel das sedes contempladas. “É preciso pensar em políticas culturais voltadas a manutenção de espaços culturais na cidade.”

Ele também conta que quer enfrentar um tema-tabu entre os artistas: a bilheteria. Granato acredita que o trabalho teatral ainda é tratado de modo provinciano. “Convite para teatro é aristocrático: eu sou amigo do rei e não preciso pagar. Devia ser orgulho comprar ingresso.”

Ao considerar a quantidade de teatros na cidade, ele reconhece que o diálogo entre público e privado ajudará o setor a crescer em conjunto. “Foi bom que o Sesc, por exemplo, tenha aumentado um pouco (o preço de) seus ingressos. Havia um dumping na rede que atinge os coletivos, que não têm a mesma estrutura.” Outro foco é a dança, que já deve ter novos projetos e curadorias na área. “Há tempos está sufocada.”

Na periferia, a preocupação é outra. Será bem-vindo o trabalho de formação de públicos. “Quero saber de coisas que têm continuidade. Não há outro jeito, a Cultura precisa atravessar gestões.” 

Além de um espaço para fermentar ideias, Granato aposta em uma gestão de concórdia. “Há um retrocesso no Brasil, e a defesa da Cultura e da liberdade vai assumir um papel de vanguarda.”

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