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'Mundomudo' revê a estética do circo nos 25 anos de cia. Azul Celeste

O ator Jorge Vermelho retoma parceria com a diretora Georgette Fadel em espetáculo sem falas

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 07h00

Nascido em Nova Granada, no interior de São Paulo, o ator e diretor Jorge Vermelho radicou-se em São José do Rio Preto e, nos anos de faculdade, veio estudar na capital. Diferentemente de muitos dos que fazem esse movimento, Vermelho decidiu voltar para o interior, assim que finalizou os estudos. “Eu acreditava na possibilidade de desenvolver um trabalho de pesquisa fora do eixo Rio-SP”, diz o ator. Fundou, então, a companhia Azul Celeste, que ajudou a estabelecer uma cultura cênica no Estado e comemora 25 anos com o espetáculo Mundomudo, no Sesc Pinheiros.

Sem falas, a peça retoma pesquisa do grupo sobre a estética do circo, iniciada nas montagens O Céu Uniu Dois Corações (1991) e Coração Materno (1998). No enredo, dois palhaços (vividos por Vermelho e Henrique Nerys) são abandonados pela trupe, que decidiu partir, e passam a investigar os valores difundidos na sociedade.

“A escolha do tema veio para concluir uma etapa da pesquisa de circo e apontar o direcionamento do grupo para esta estética”, afirma Vermelho. Feita em conjunto, com o grupo e a dramaturga Cíntia Alves, Mundomudo parte do universo de Fim de Jogo, do escritor irlandês Samuel Beckett, que também conta uma história de interdependência de dois personagens.

Cíntia, que procura a excelência do diálogo, afirma que foi frustrante conceber uma peça sem palavras. “As pessoas dizem que não tem texto, mas tem. Apesar de não haver palavras, a dramaturgia está em uma partitura de ações.” Segundo ela, essa foi uma das maiores dificuldades do processo de criação que, por ter sido coletivo, mudava cada vez que havia uma alteração no elenco.

Outro desafio quase a fez desistir do projeto. Como o espetáculo marcava os 25 anos do grupo, os integrantes queriam pôr detalhes de todas as peças do repertório em Mundomudo. “Dramaturgicamente, isso não tem sentido”, garante Cíntia. No fim das contas, a ideia não vingou e poucas cenas remetem a outros trabalhos da Azul Celeste.

Repetindo a parceria que ocorreu em outros espetáculos, Vermelho convidou Georgette Fadel para a direção. Mesmo assinando a encenação sozinha, Georgette diz que a concepção foi toda de Vermelho e que a ela coube dar um norte aos ensaios e às etapas do processo. “Nunca tinha trabalhado com a linguagem do palhaço, mas me envolvi com quem trabalha”, afirma. “Adicionei crueldade às figuras: eles têm roupas de palhaço, mas não há alegria ali.”

Ao contrário de Cíntia, Georgette viu facilidade no fato de não haver falas no espetáculo. “Tive mais dificuldade de encarar o ‘Fausto’, que tem um outro tipo de inteligência, com camadas da palavra”, lembra, se referindo à peça que estreou no ano passado, com texto de Goethe. “Traduzir em imagem é mais fácil do que traduzir em texto.”

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