Peça infantil reflete sobre tecnologia e brincadeiras na vida das crianças

Peça infantil reflete sobre tecnologia e brincadeiras na vida das crianças

‘Fábrica de Brinquedos’, em cartaz no Teatro Ipanema, no Rio, mostra importância do equilíbrio entre os dois universos

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2019 | 12h00

Como as novas tecnologias influenciam as brincadeiras infantis nos dias de hoje? Concebido pela Cia. DUE, que divide a direção com Bárbara Mesquita, sob supervisão do diretor Eduardo Vaccari, o espetáculo Fábrica de Brinquedos reflete sobre esse tema, misturando música e atividades lúdicas.

A peça, que fica em cartaz até 30 de junho, no Teatro Ipanema, no Rio, conta a saga de duas bonecas, Sophie e Catharina, que, inconformadas com o fechamento da Fábrica e Oficina de Brinquedos Arco Íris S.A., resolvem tomar uma atitude: traçar um plano para trazer os brinquedos de volta. Só que, nesse caminho, as duas se deparam com algo novo para elas – a tecnologia – e se divertem, mostrando que é possível aliar os dois.

As bonecas são interpretadas por Bianca Sacks e Bruna Macaciel. O ator Rodrigo Lima também faz parte do elenco, como o vigia da fábrica. 

Sobre como o impacto da tecnologia nas brincadeiras infantis é abordado no espetáculo, elas explicam. “Abordamos justamente o viés de que as crianças deixam de brincar, curtir as brincadeiras na rua e interagir com os amigos, para se isolarem com seus celulares e tablets”, diz Bruna. “De tanto elas priorizarem o mundo virtual e tecnológico, as fábricas de brinquedos estão fechando, porque elas não compram mais brinquedos. O mercado de brinquedos na peça quebra, porque as crianças não se interessam mais por eles, assim como por brincadeiras.”

A peça nasceu do desejo de as atrizes experimentarem um trabalho voltado para o público infantil. Elas decidiram, então, por um texto autoral. “Após muito tempo observando um dilema recorrente que os pais vêm enfrentando, de administrar o mundo tecnológico com a infância, a ideia culminou em um sonho que a Bruna teve com brinquedos pendurados em uma fábrica. Percebemos que o tempo nas telas vem substituindo o tempo das brincadeiras, dos brinquedos, da rua”, conta Bianca. “Nosso desejo é gerar uma reflexão sobre como equilibrar o uso da tecnologia com as brincadeiras, estimulando os pais a resgatar as memórias afetivas, priorizar o tempo com seus filhos, e de eles próprios ajudarem a despertar essa iniciativa nos pequenos.”

Para mostrar esse equilíbrio entre esses dois mundos, Bruna e Bianca focam em brincar em cena, mostrando brincadeiras divertidas que, para elas, fazem parte de uma infância feliz. “Mas mostramos também uma evolução ao longo da história das bonecas descobrindo o celular, a tecnologia. Elas passam a entender o encantamento por esse novo mundo, reconhecem o seu valor, mas sempre reforçando que é possível haver harmonia entre os dois”, afirma Bruna.

O tema – tecnologia e infância – é atual e seu debate, necessário. “A tecnologia permeia a sociedade, e as crianças de hoje já nasceram em um mundo tecnológico. Para elas, é uma linguagem natural. Então, é importante encarar essa facilidade que elas têm, deixar isso jogar a favor, mas, ao mesmo tempo, ajudá-las a não perder o contato com o tátil, com os cheiros, e com o lúdico, com a fantasia e a imaginação”, observa Bianca.

Em Fábrica de Brinquedos , elas destacam também a questão das heroínas femininas. “Queremos que as meninas se vejam representadas nessas bonecas, sintam-se donas de si. Elas podem brincar e ser fortes, ao mesmo tempo”, diz Bruna. “As bonecas não se deixam abater pelas dificuldades, lutam pelo o que querem, se aventuram, são guerreiras da própria história.”

Teatro Ipanema. Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema, Rio de janeiro, tel. (21) 2267-3750 . Até 30 de junho. Sábados e domingos, às 16h. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.