Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Peça é um solo intimista sobre o doloroso fim de uma paixão

Em 'O Que Restou de Você em Mim', o ator Davi Novaes interpreta monólogo em sessões para apenas 8 pessoas

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2019 | 03h00

Em um pequeno quarto de paredes vermelhas, apenas oito pessoas se acomodam nas cadeiras para acompanhar o espetáculo. O ligeiro constrangimento pela intimidade forçada pela proximidade logo termina com a chegada do ator Davi Novaes – nos 65 minutos seguintes, seu monólogo sobre as dores provocadas pelo fim de um relacionamento transformam a peça O Que Restou de Você em Mim em um convincente convite à reflexão. Estreado no ano passado, o trabalho retorna na sexta, 18, na Zona Franca, novo espaço cultural do bairro da Bela Vista. E, graças à capacidade limitada, é preciso fazer reserva por telefone (veja detalhes no serviço).

Aos 25 anos, Novaes é também autor do texto. “A decisão de construir a peça a partir de um lugar de intimidade veio da matéria do texto em si: é uma história sobre intimidade, então optamos (eu e as diretoras Alejandra Sampaio e Virgínia Buckowski) por uma encenação que respeitasse essa atmosfera”, explica. “A ideia de fazer em um quarto para 8 pessoas veio para que fosse possível colocar todos em situação: estão todos dentro do quarto-interior daquele menino, ouvindo suas palavras, sentindo suas angústias, sua respiração, seu suor e percebendo os seus próprios. Nossa intenção é que nada se perdesse, que tudo pudesse ser percebido por quem for assistir. Uma troca direta, quase uma conversa entre pessoas que não se conhecem, mas se reconhecem na dor do amor de cada um.”

Com uma carreira ascendente como ator (participou da montagem de Um Bonde Chamado Desejo, além dos musicais Na Pele e Príncipe Desencantado), Novaes enfrenta agora seu maior desafio, pois nenhum gesto escapa ao espectador, desde as distintas inflexões de voz até seu batimento cardíaco, representado pelo arfar. A preparação, portanto, é delicada. “Antes de cada apresentação, eu me levo para um lugar de recordações, de memórias que, ainda vivas em mim, ainda ressoam, de um jeito ou de outro. O amor para mim sempre foi um tema muito importante, mas, proporcionalmente difícil, e as feridas que ele constrói demoram a cicatrizar.”

É essa dor desconsolada que movimenta o espetáculo e deixa o público capturado, posicionado como silenciosa testemunha daquele menino que, como no poema de Fernando Pessoa, tenta ser dois a sós. “Ao longo da peça vou, junto com o personagem, descobrindo, entendendo, realizando momentos e situações que ainda não tinham se fechado para mim. Vou fechando ciclos. E, ao final de cada sessão, sinto que uma parte, das várias outras que ainda estão, sublimou. Eu entendo. Eu aceito.”

*

SERVIÇO

O QUE RESTOU DE VOCÊ EM MIM. Zona Franca. R. Almirante Marquês de Leão, 378. Reservas tel.: (11) 98202-4658. 6ª e sáb., 20h. R$ 40. Até 9/2. Estreia 18/1 

Mais conteúdo sobre:
Davi Novaesteatro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.