Michel Angelo|Divulgação
Michel Angelo|Divulgação

Para produtor de 'Os Dez Mandamentos - O Musical', venda de ingressos não vai repetir a do cinema

Sandro Chaim descarta outra maciça compra de bilhetes, que garantiu o sucesso do filme, mesmo com salas vazias

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2016 | 06h00

Os Dez Mandamentos – O Musical é uma realização conjunta entre a Rede Record e a Chaim Produções. Segundo Sandro Chaim, autor da ideia de transportar a história bíblica para o palco, a emissora é responsável pela divulgação de mídia e pela liberação do uso do texto original, que inspirou a novela, o filme e agora o teatro. Levantar o musical, portanto, foi sua missão. “Converso muito com os executivos da emissora, que nos ajudam com dicas, mas a produção tem a nossa assinatura”, conta Chaim, que não utilizou leis de incentivo.

Como detentora dos direitos do roteiro, a Record preocupa-se com sua integridade. Assim, tornou-se comum a presença de câmeras da emissora durante os ensaios que, além de captar imagens para reportagens exibidas nos noticiários, também colhem material para uma checagem do bom uso do texto. O Estado apurou que, em pelo menos duas oportunidades, foram detectados problemas, que foram devidamente comunicados à produção.

Sandro Chaim não acredita que haverá uma compra maciça de ingressos como aconteceu quando Os Dez Mandamentos chegou ao cinema – na época, lotes de bilhetes eram comprados por poucas pessoas em praticamente todas as salas do Brasil que exibiam o filme, transformando-o rapidamente na maior bilheteria nacional de todos os tempos, com mais de 11,2 milhões de ingressos vendidos, batendo o então campeão Tropa de Elite 2, que soma 11,1 milhões.

O problema é que as salas, embora com lotação esgotada, contavam, de fato, com poucos espectadores. A medida teria sido creditada a pessoas ligadas à Igreja Universal, interessadas em levar seus fiéis para as salas. A Igreja, porém, negou qualquer envolvimento, na época. “Uma peça de teatro só vive com a presença de público, que virá espontaneamente”, afirma Chaim.

Outros integrantes da produção também acreditam que se trata de um produto muito específico, portanto, para um público devidamente interessado. “Os temas musicais não são apenas bíblicos, mas contam também com outros como o rock”, conta o diretor musical Wladimir Pinheiro, que também assina as letras e os arranjos das 25 canções do espetáculo.

Ele se inspirou na Bíblia e no roteiro original da novela para compor. “Eu já conhecia bem o texto bíblico, mas procurei me aprofundar ainda mais nos detalhes. Isso me ajudou a traçar o perfil musical de cada personagem”, observa. “A ideia é que a letra também possa fazer a história avançar.” Dessa forma, as Dez Pragas foram editadas em um só número musical.

Detalhes também inspiraram o trabalho da diretora Fernanda Chamma, que pediu, por exemplo, figurinos com fios trançados, mesma técnica utilizada na época em que se passa a história.

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