Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Os Barbixas inauguram clube de comédia com programação variada

Trio é há quase duas décadas reconhecido como um dos principais grupos de improviso da América Latina

Bruno Cavalcanti, Especial para o Estadão

02 de setembro de 2021 | 05h00

Já há alguns meses, quem se aventura pelas calçadas da Rua Augusta nota uma diferença num dos principais points. O Comedians Club, que tinha entre seus sócios Rafinha Bastos e Danilo Gentili, ganhou nova identidade visual. Os grafites produzidos pelo coletivo Axé no Corre marcam a mudança externa do espaço. Mas a principal diferença acontece dentro das portas do clube. Saem Bastos e Gentili e entram Daniel Nascimento, Anderson Bizzocchi e Elidio Sanna que, juntos, formam Os Barbixas, há quase duas décadas reconhecido como um dos principais grupos de improviso da América Latina.

Levando o nome de Clube Barbixas de Comédia, o lugar abre as portas na sexta-feira, 3. “Ter um espaço próprio é um dos passos possíveis para um grupo de comédia. E hoje em dia não existem muitos assim no Brasil, infelizmente. Em São Paulo, há os Parlapatões. Assim, quando um grupo é coeso, o espaço se torna possível”, acredita Daniel.

O coletivo, em sociedade com o produtor Joe Paciello, decidiu investir no desejo antigo de ter um lugar próprio pouco antes de a pandemia estourar no Brasil, e, mesmo com a crise, foi em frente. “Para mostrar que somos inteligentes e perspicazes no mundo dos investimentos”, ri Daniel que, junto a seus colegas, conduz a entrevista com tiradas que descortinam a confiança no empreendimento.

“Vamos estrear dois espetáculos inéditos na primeira semana, depois fazer um de improvisação com o Fábio Porchat. Essas são as vantagens de termos nosso espaço, porque para arrumar uma pauta num teatro teríamos que pensar antes no que se trata o espetáculo, não saberíamos o que dizer e isso gera desconfiança, porque sabemos que o importante é estar juntos, com o frescor do improviso”, diz Elídio.

Pronto para ser inaugurado desde abril, o clube foi sofrendo sucessivos adiamentos devido às restrições sanitárias. “A gente começou a pandemia sem saber como ia acontecer. Primeiro, diziam que voltaria em agosto de 2020, depois, setembro, aí janeiro, e foi indo. Decidimos estrear agora, mas não temos certeza de nada”, explica Anderson.

“A única coisa que temos certeza é que falimos até julho próximo”, brinca Daniel, no que Elidio alerta: “Se abrir até lá”. A programação inicial conta com uma mescla de linguagens e expande a proposta dos clubes de comédia, expandido para outros gêneros que não apenas o stand-up. Os pratos preparados pelo chef Cláudio Teodoro, contudo, serão servidos no futuro, em melhores condições sanitárias. 

Depois da semana de estreia, eles apresentam temporadas com nomes como Whindersson Nunes, Rodrigo Marques, a banda Pedra Letícia, a humorista Bruna Louise, além de realizarem um concurso de drags comandado por Alexia Twister e Thelores, e show de variedades comandado por La Class Excêntrico.

“A ideia é que a casa não seja só nossa. Achavam que tomaríamos a programação de segunda a segunda, mas a casa é de todo mundo, queremos fazer disso um teatro”, explica Anderson. Daniel complementa: “Aqui vai virar um espaço de ponta de pesquisa, ao mesmo tempo que tem um apelo para a risada”.

“Nós vamos ter a sorte de começar com nomes grandes, como o Whindersson, o Rodrigo, a Bruna, são temporadas de gente incrível. É um pouco de sorte e bastante sorte, também”, festeja Elidio.

A abertura do clube vem no momento em que a trupe já se considera devidamente consolidada no mercado do humor que, embora tenha passado por altos e baixos, fez com que Os Barbixas passassem incólumes pela alta ou queda de tendências. “Esse processo se deve a uma naturalidade de ter a amizade por trás. E nós somos muito críticos do nosso trabalho, então nos avaliamos a todo momento para ver se ainda havia sentido em fazer uma ou outra piada. Não temos apego e constantemente renovamos o repertório”, explica Elidio.

“E uma parte do público gostava do que fazíamos e analisava. No fim do espetáculo, dava um feedback”, conta Daniel.

“Coisas sutis, a gente pegava e treinava como exercício. São pequenas muletas que o humorista fora da zona de conforto utiliza. É sedutor estar no palco e perceber que dá para encaixar uma piada e entregar para a plateia rir, mas a gente em cena percebe quando vai para o humor fácil. Sempre buscamos não nos apoiar demais nessas muletas porque 10 anos no mesmo alicerce é danoso”, analisa Anderson.

Embora a inauguração e programação (que conta com nomes como Grace Gianoukas, Nany People e futuras peças infantis) já estejam à vista, é outro evento que deixa o grupo ansioso: “A festa de falência. Tá linda, você vai adorar”.

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