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Ocupação em SP tem espetáculos e exposição sobre Rudolf Laban

Coreógrafo queria entender o ser humano por meio do movimento

Juliana Ravelli, ESPECIAL PARA O ESTADO

03 de junho de 2016 | 20h27

Rudolf Laban (1879-1958) queria entender o ser humano por meio do movimento, acreditava que a capacidade de dançar está em todas as pessoas e não só em quem estuda a arte. Considerado o maior teórico da dança do século 20 – talvez o maior de todos os tempos –, também deu novo significado ao espaço em que o bailarino se apresenta. Deixou de ser limitado pela plateia para tornar-se móvel e ganhar volume, no qual é possível se movimentar em múltiplas direções. A partir desta sexta, 3, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), no Parque do Ibirapuera, recebe cinco coreografias que investigam Laban.

As apresentações integram a Ocupação Vesica Piscis, idealizada pela coreógrafa, bailarina e pesquisadora Maria Mommensohn. Uma obra é exibida a cada semana, de sexta a domingo, sempre à tarde. Cristal, de Ciane Fernandes, é a primeira. Em seguida, virão Uma Baleia Encalhada na Praia, de Andreia Yonashiro; Vesica Piscis, de Maria Mommensohn e Henrique Schuller; Obra Sem Título, de Juliana Moraes; e Cebola, de Marcia Milhazes. Aos sábados, os artistas conversarão com o público.

“A Marcia e a Juliana, que fizeram mestrado em Londres (no Laban Centre for Movement and Dance), têm trabalhos absolutamente diversos. Tem a Ciane Fernandes que estudou em Nova York (no Laban-Bartenieff Institute of Movement Studies) e também tem uma linha diferente, performática. As cinco obras vão trazer elementos das próprias artistas e interferir no espaço. Os trabalhos têm essa relação viva.”

O coreógrafo e bailarino húngaro pensava justamente em um espaço vivo, que surge da relação entre seres e objetos e sempre se transforma. Dizia que o espaço é o aspecto oculto do movimento, e o movimento é a expressão visível do espaço. Laban imaginou um icosaedro (poliedro de 20 faces) para representar as dimensões e desenvolver sua teoria de análise do movimento. Na ocupação, o público poderá interagir com imagens projetadas e objetos icosaédricos para entender suas ideias.

Vanguardista. Nascido na Bratislava, Laban cresceu em meio à diversidade cultural e étnica do Império Austro-Húngaro. Estudou arquitetura em Paris e integrou uma geração de artistas e pensadores europeus revolucionários, que questionavam as tradições. Foi um dos criadores da dança moderna, mas sua influência se estendeu à dança contemporânea e ao balé clássico. “Laban continua a fazer sentido”, diz Mommensohn. A ocupação exibirá vídeos de artistas influenciados pelo húngaro, como o coreógrafo alemão Kurt Jooss e o norte-americano William Forsythe.

A mostra inclui ainda exposição sobre Maria Duschenes (1922-2014), que trouxe para o Brasil o método de Laban e foi sua maior disseminadora no País. Também húngara e visionária, a bailarina, coreógrafa e educadora estudou com o teórico na Inglaterra, depois que ele deixou a Alemanha nos anos 1930.

Foi na casa de Duschenes, no Sumaré, zona oeste de São Paulo, que Mommensohn entrou em contato com o universo de Laban. O local era ponto de encontro de artistas e profissionais de diferentes áreas. “Ela trouxe um Laban para a gente que não era um método, mas um olhar de integração. Trabalhava com arquitetos, psicólogos, terapeutas, professores, bailarinos. Tinha um pensamento muito inclusivo. Porque esse é o pensamento do Laban, a dança faz parte do nosso DNA. A expressão do ser humano por meio da arte é nosso patrimônio anterior à civilização e ao pensamento modernos”, diz Mommensohn. “Essencialmente, a vida é movimento.”

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