CAIO GALLUCCI
CAIO GALLUCCI

‘O Palhaço e a Bailarina’ volta em cartaz com seu universo lúdico

Musical circense cria clima para resgatar os bons sentimentos

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2018 | 06h00

Em fevereiro, o musical O Palhaço e a Bailarina vai comemorar seus dois anos em cartaz, mas a festa começa neste domingo, 21, quando o espetáculo concebido e interpretado com muito carinho por Kiara Sasso e Lázaro Menezes iniciar seu terceiro ciclo, agora no Teatro Santander. Trata-se de um feito para uma produção dirigida principalmente para o público jovem, mas aberto para qualquer idade.

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“O segredo desse sucesso está na verdade da peça”, acredita Menezes. “Não se trata de um espetáculo infantil intelectualoide, cujo entendimento é difícil até para os adultos. Como hoje vivemos em uma sociedade marcada pela hostilidade, criamos uma história que é narrada de forma direta, mas com muito cuidado.”

De fato, a trama simples é bem embalada por uma produção luxuosa. Trata-se da história de Anabel (Kiara), a graciosa bailarina que, depois de sérios problemas acontecidos no circo onde trabalha, é condenada a viver dentro da caixinha de música, onde passa o dia e a noite acorrentada. Ela só aparece quando a tampa é aberta por Tombo (Blota Filho), o antigo administrador do circo, também um carrasco e fracassado domador de leões, que a colocou ali e a transformou na estrela de espetáculos assistidos por pequenos públicos, artimanha criada por ele para faturar algum dinheiro. 

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O sumiço da bailarina agitou a vida do Palhaço, vivido por Lázaro Menezes, que, em meio a apresentações em praças e ruas, busca descobrir o paradeiro de sua amada. Depois de participar de muitas peripécias, ele finalmente a reencontra. “Desde quando começamos a criar o espetáculo, ainda na época em que Lázaro tinha uma ideia da história, conversamos sobre como as crianças são inteligentes e, por isso, não poderíamos subestimar seu entendimento”, lembra Kiara. “Sabíamos também que não poderia ser uma peça enfadonha para os pais e tivemos a certeza disso ao perceber que muitos voltaram outras vezes, sem os pequenos, para poder apreciar melhor o trabalho.”

Não se trata, de fato, de um espetáculo modesto – para reproduzir a caixinha de música que abriga a bailarina, Kiara e Lázaro criaram uma enorme caixa, que se abre por meio de um potente maquinário. Lá, para maravilha das crianças (e, certamente, de muitos adultos), é possível ver onde vive trancafiada a pobre coitada. “É um cenário totalmente automatizado e, para nosso orgulho, inteiramente criado por profissionais brasileiros”, observa Lázaro que, além de palhaço profissional, é multi-instrumentista, qualidades essenciais para conquistar o momento máximo de interação com o público mais jovem: quando ele justamente se dirige à plateia.

“As crianças enlouquecem, especialmente quando o Palhaço pergunta onde está a Bailarina”, diverte-se Kiara. “Certa vez, uma respondeu: ‘Ela tá na caixinha e até fez um bolo pra você’.” Lázaro se diverte, mas tem o desafio de não perder o controle, pois, caso contrário, elas tomam conta.

O Palhaço e a Bailarina foi o primeiro trabalho da O Alto Mar Produções Teatrais, produtora de Kiara e Lázaro, que formam uma dupla na vida e na arte. Por conta disso, cuidaram de todos os detalhes, desde os maiores, como a engrenagem da caixa de música, até os mais delicados, como os figurinos, assinados por Kiara e Ligia Rocha. “Não sou especializada, mas me inspirei no visual criado por Tim Burton, além de apostar nas cores. Também me lembrei de A Bela e a Fera, especialmente dos objetos animados.” Acima de tudo, eles se inspiraram na própria trajetória, marcada por carinho e respeito. 

O PALHAÇO E A BAILARINA

Teatro Santander. Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041. Tel.: 4003-1022. Sáb. e dom., 16h. R$50 / R$100. Até 24/2

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