Felipe Rau|Estadão
Felipe Rau|Estadão

'O Musical Mamonas' retrata o sucesso meteórico da banda

'Estado' acompanha a preparação do musical que terá direção de José Possi Neto e está previsto para estrear em março

Ubiratan Brasil , O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 05h00

A banda nasceu em 1990 como Utopia e misturava punk rock com gêneros populares, como forró e brega. Não fez nenhum sucesso. O reconhecimento só veio em 1995, quando o grupo passou a se chamar Mamonas Assassinas. Foi um estrondo nacional – com apenas um álbum lançado, cujo título levava o nome da banda, os garotos de Guarulhos venderam mais de 3 milhões de cópias. 

Quando fazia pouco mais de sete meses que estavam no auge, os Mamonas foram vítimas de um acidente aéreo fatal, em março de 1996. 

É sobre essa absurda história de sucesso e tragédia que trata O Musical Mamonas, que deverá estrear no dia 11 de março de 2016, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. Com direção geral de José Possi Neto e condução musical de Miguel Briamonte, o espetáculo parte de um delírio: como seria a história dos Mamonas se Bento, Dinho, Júlio, Samuel e Sergio pudessem apresentar sua versão?

Na segunda, 14, foi anunciada a lista dos 15 atores selecionados – uma agradável novidade, pois eles acreditavam que participariam de mais uma audição. O Estado acompanhou com exclusividade o momento de surpresa e alegria. E já antecipa como serão reproduzidos a irreverência e o escracho que os Mamonas apresentavam dentro e fora do palco.

Quando foi convidado pelos produtores Rose Dalney, Márcio Sam e Túlio Rivadávia para dirigir O Musical Mamonas, José Possi Neto começou a elaborar como seria o espetáculo. “A primeira lembrança que me veio deles foi o humor infantil, aquela facilidade muito brasileira para lidar e brincar com preconceitos sem ser ofensivos. Enfim, a irreverência plena”, disse o encenador que, visualmente, vislumbrava os cinco rapazes como personagens de histórias em quadrinhos. “Eles tratavam da própria imagem dessa forma, ou seja, como se viessem dos cartoons.”

Será esse caminho que o diretor pretende tomar, a partir do dia 5 de janeiro, quando o elenco se reúne pela primeira vez para os ensaios. “Será uma biografia cabocla, um musical semelhante às chanchadas da Atlântida”, diverte-se. 

Foi esse o recado que ele passou na manhã de ontem ao elenco: explorar o espírito brincalhão que marcou a curta carreira dos Mamonas Assassinas. “Vamos trabalhar com personagens que ainda estão no imaginário do brasileiro”, disse Possi Neto aos 15 atores. “Vamos explorar isso na montagem.”

O recado pareceu bem assimilado pelo animado grupo – ainda que acreditassem participar de mais uma audição (estratégia original bolada pelos produtores para enganá-los e então anunciá-los como o elenco definitivo), os intérpretes já se comportam baseados na irreverência. “Aprendi a música Sabão Crá Crá na escola e achava muito divertido, principalmente pelo que descobri mais tarde ser o toque mais sacana”, conta Ruy Brissac, de 26 anos, que vai viver o papel de Dinho – ele se refere à letra, que diz “Sabão crá-crá, sabão crá-crá / Não deixa os cabelos do saco enrolar”.

Ruy se assemelha fisicamente ao cantor do grupo e, como seus colegas, já se imagina vestindo figurinos extravagantes, como Robin ou Chapolin. “Nossa intenção não será imitar, mas prestar homenagem aos cinco integrantes do Mamonas”, repara Arthur Ienzura, de 25 anos, que deverá interpretar Sérgio (o diretor ainda tem dúvida se esse será seu papel ou se vai trocar com Elcio Bonazzi, de 27 anos, que viverá o irmão de Sérgio, Samuel).

Todos os cinco integrantes do elenco eram muito jovens quando os Mamonas apareceram. “Eu tinha 8 anos e era apaixonado pela música deles”, conta Yudi Tanashiro, de 23 anos, que vai interpretar Bento. “Tão fissurado que comecei a fazer dublê do Dinho e, durante dois anos, eu me apresentei no programa de TV do Raul Gil. Foi ótimo porque aprendi a lidar com as câmeras, a me colocar no palco e, principalmente, a saber improvisar.”

Esse detalhe será essencial em O Musical Mamonas. “Quando eles se juntaram pela primeira vez, fundaram o grupo Utopia, que só cantava músicas sérias. Não fizeram sucesso”, conta Possi Neto. “Foi quando abandonaram as travas e, como Mamonas, passaram a se relacionar diretamente com a plateia é que eles viraram um enorme sucesso.”

Para não ser mais um musical biográfico, o autor do texto, Walter Daguerre, que também escreveu Jim, sobre Jim Morrison, criou uma situação especial: os próprios Mamonas aparecem para contar sua história, com a irreverência e o escracho que lhes eram peculiares.

Assim, eles vão relembrar como deixaram de ser desconhecidos como Utopia para se transformarem em sucesso nacional como Mamonas, passando por todas as músicas do primeiro e único álbum de estúdio da banda até o apoteótico show no histórico Thomeuzão, em Guarulhos, cidade onde surgiram. 

“Essa liberdade em cena vai inspirar a coreografia do musical”, conta a coreógrafa Vanessa Guillen. “Vamos apenas colocar uma lente de aumento e valorizar os detalhes. Será mais o estilo off Broadway, com jazz e pop misturando com ritmos brasileiros como o samba. Espero que eles brinquem com o público.” Vanessa adianta um número que promete fazer sucesso: para representar a passagem dos Mamonas pelos Estados Unidos, os cincos atores vão interpretar o clássico New York, New York ao ritmo do xaxado. “Será como um grupo de clown, de bufões”, explica.

O trabalho, em um primeiro momento, não parece ser tortuoso. “Desde criança, sabia de cor as letras das músicas”, conta Adriano Tunes, de 30 anos, que vai interpretar Julio. “Eu também, mas pulava os palavrões”, diverte-se Elcio.

Com direção musical de Miguel Briamonte, o espetáculo não terá apenas canções dos cinco maluquinhos, mas também de bandas que fizeram sua cabeça nos anos 1990 como Titãs, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Guns N’ Roses e Rush.

 

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