O desafio de se adaptar clássicos para o musical

O desafio de se adaptar clássicos para o musical

Depois de ‘Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812’, Dave Malloy vai enfrentar ‘Moby Dick’

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2018 | 06h00

Dave Malloy é um artista persistente – as obras mais complicadas de se adaptar compõem o principal foco de seu trabalho. Foi assim com o portentoso romance Guerra e Paz, do qual ele selecionou 70 das mais de 1.500 páginas para compor Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812, delicado musical, que está em cartaz em São Paulo. Agora, ele finaliza uma adaptação de Moby Dick também para musical.

Dirigido por Zé Henrique de Paula, Natasha acompanha um triângulo amoroso entre a jovem Natasha, o já casado Anatole e o lírico Pierre. O cenário é a Rússia do início do século 19, assolada pelas guerras napoleônicas. A história, porém, é totalmente musicada com ritmos modernos, que misturam a Broadway convencional com pop, soul, folk e eletrônico. Malloy, que virá a São Paulo no dia 15, falou ao Estado.

 

Você leu 'Guerra e Paz' em viagem de navio ao redor do mundo?

O que mais me impactou em Guerra e Paz foi o personagem Pierre. Eu estava com 20 e poucos anos e trabalhava num navio de cruzeiro. Fiquei profundamente impressionado com a solidão de Pierre e sua busca pelo sentido da vida. O modo como Tolstoi conta essa história espiritual, ao lado do febril melodrama romântico de Natasha, me fez lembrar da estrutura de dois casais de muitos musicais clássicos. 

E a inspiração musical? David Bowie e Pink Floyd já estavam em sua lista de favoritos? 

Houve muita influência da música russa – do folk a Borodin, de Tchaikovski a Vladimir Visotski. Mas cada personagem parecia exigir estilo musical próprio. Assim, Pierre ganhou Bowie, Arcade Fire e outros angustiados pop; Anatole recebeu Aphex Twin e outros eletrônicos; e Hélène, “pediu” uma pegada Prince.

'Dust and Ashes' é uma bela canção e você a compôs quando a produção já estava a caminho da Broadway. Por quê?

Quando (o cantor e compositor) Josh Groban disse que queria participar da peça, mal pude acreditar. Ao mesmo tempo, isso me fez ver que Pierre tinha que ser melhorado – talvez pelo fato de eu ter interpretado o personagem na produção original e ter atuado com medo... Assim, Dust and Ashes foi escrita especificamente para Josh, para ressaltar seu incrível talento e enriquecer o personagem Pierre.

Sua intenção sempre foi fazer um espetáculo envolvente?

Sim. Uma de minhas primeiras ideias foi que a plateia fizesse parte do show para mostrar como a obra de Tolstoi abrange toda a humanidade. 

O que você espera que o público leve do espetáculo? 

Há muito para se levar, mas uma das coisas mais gratificantes para mim foi poder compartilhar meu amor por Tolstoi. É maravilhoso ver fãs adolescentes começarem a ler Guerra e Paz e descobrirem o charme, a magia e a sabedoria da obra.

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