O crime do século do espetáculo 'Pacto' volta a fascinar o público

Peça sobre a história real dos dois jovens que se julgavam superiores a ponto de matar, volta em cartaz

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 03h00

A história revelou-se cruel demais para ser verdadeira – em 1924, dois jovens amigos, Nathan Leopold Jr., então com 19 anos, e Richard Loeb, 18, assassinaram Bobby Franks, um garoto de apenas 14 anos de idade, um motivo terrivelmente banal: a dupla se julgava superior às leis da sociedade e apta a tomar as próprias decisões.

O assassinato, que ficou durante muitos anos conhecido como Crime do Século, inspirou filmes e um musical encenado off-Broadway, Thrill Me – The Leopold and Loeb Story, que recebeu inúmeras indicações a prêmio. As canções instigantes de Stephen Dolginoff cativaram o ator André Loddi, que foi quem teve o primeiro contato com o texto – há 5 anos, ele participou de uma montagem modesta no Rio de Janeiro. “Não repercutiu, mas não me esqueci da força da trama”, contou ele, que participa de O Pacto, musical que volta em cartaz nesta quarta-feira, 3, o Teatro Opus, em São Paulo.

Loddi vive Loeb, o rapaz charmoso e excessivamente confiante, autor da ideia do assassinato do garoto. Leandro Luna volta a representar Leopold, homem retraído e submisso ao amigo, a quem dedica uma paixão indiscutivelmente homossexual. “Leopold era aparentemente refém da atração que sentia por Loeb, o que o obrigava a participar de todos atos de maldade, mesmo não concordando”, comentou o ator. 

Como se tratava de um musical intimista, Luna e Loddi convidaram um diretor experiente no formato, Zé Henrique de Paula, que assinou importantes espetáculos como Urinal e O Senhor das Moscas. Ainda que admire a música da peça, o encenador preferiu os tópicos que ainda conversam com a realidade brasileira. “A forma como a dupla impõe seus desejos, nem que seja à custa da maldade, faz lembrar a atual polaridade de opiniões, especialmente na internet”, observa Zé Henrique. “Se vivesse hoje, Loeb certamente seria um ‘hater’, navegando na chamada ‘deep web’, área nebulosa onde se pode até encomendar um assassinato.”

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