Divulgação
Divulgação

O ator francês Maurice Durozier fala de seu ofício em São Paulo

Integrante da companhia francesa Théâtre du Soleil vem à cidade para lançar livro, dar oficinas e apresentar peça

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 03h00

O francês Maurice Durozier, integrante da consagrada companhia francesa Théâtre du Soleil, é ator nato. Uma das provas disso é que, em 2011, ele foi convidado a fazer uma turnê em Recife e, como já tinha um projeto rondando sua mente, topou o convite, dizendo que queria também fazer uma peça. Assim nasceu Palavra de Ator, espetáculo que teve estreia mundial naquele ano, na capital pernambucana, e rodou por algumas cidades do País, incluindo São Paulo. A montagem volta a ser apresentada entre quinta e domingo, como parte das comemorações do cinquentenário do Teatro Aliança Francesa.

“Queria falar sobre as confidências do ofício de ator”, diz Durozier, em entrevista ao Estado. “Pedi à minha filha – que é bióloga, e, na época, tinha 20 anos – para me fazer perguntas.” Assim, ele criou a dramaturgia da peça, que aborda as sensações, dúvidas, convicções e armadilhas que o palco proporciona a quem se arrisca a subir nele para ganhar a vida.

Palavra de Ator tem sessão especial nesta quinta-feira, 7, executada em francês. De sexta, 8, a domingo, 10, o público assiste à montagem em português, também interpretada por Durozier ao lado da brasileira Aline Borsari, que faz, em ambas as versões, o papel da filha questionadora. Para ela, atuar no espetáculo é um misto de ficção e realidade. “É uma grande experiência de transmissão. Interpretando a filha dele, estou no lugar da aprendiz – que é o que sou enquanto uma atriz que ouve seu colega mais experiente. É mesmo metalinguístico”, avalia. 

Apesar de a montagem estrear no fim da semana, as atividades de Durozier em São Paulo iniciam hoje com o ateliê de teatro As Emoções do Ator. Em quatro dias, ele aborda assuntos como a relação entre a trilha sonora e os gestos, emoções de base e as entradas e saídas de cena.

Nesta terça-feira, 5, ele lança o livro Parole d’Acteur, que trata do mesmo assunto do espetáculo, na biblioteca Claudie Monteil (localizada dentro da sede da Aliança Francesa na Vila Buarque), às 19h. Na quarta-feira, 6, ele bate papo com o público após a exibição do filme A Aventura do Théâtre du Soleil, no próprio Aliança, às 20h.

Dirigido por Catherine Vilpoux e lançado em 2009 na França, o documentário mostra a diretora Ariane Mnouchkine falando de sua carreira e da concepção do Soleil. O depoimento é enriquecido com trechos de peças, ensaios, filmes e imagens de arquivo. 

A família Durozier, da qual, é claro, descende Maurice, tem tradição no teatro francês. As memórias mais remotas indicam que Pierre Otto começou no ofício criando, em 1848, o itinerante Théâtre du Bel Air. Da mesma família, o casal Jeanne Pacot e Théophile Falck criam o também itinerante Théâtre Parisien, que dura até 1958. É a filha do casal, Réjane Falck, que se junta ao ator Albert Durozier, dando o nome carregado por Maurice.

Ele conta que, logo após nascer, foi levado para o trailer onde a família morava, fazendo espetáculos pela França. “Estou no palco, literalmente, desde que eu era bebê. Eu era muito pequeno, mas acho que isso tem importância.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.