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Norte-americano Richard Siegal faz nova aposta em balé para a São Paulo Companhia de dança

Coreógrafo troca música eletrônica pela barroca em obra

Juliana Ravelli, ESPECIAL PARA O ESTADO

04 de junho de 2016 | 16h00

Richard Siegal é um empreendedor da dança. O norte-americano, que vive na Europa há quase 20 anos, fundou, em 2005, a plataforma interdisciplinar e colaborativa The Bakery, para pesquisa e produção de performances e audiovisuais. Desenvolveu o If/Then, sistema online em que o público pode participar de um processo coreográfico. A mais recente empreitada é a criação do Ballet of Difference, companhia que tem o brasileiro Joaquim de Santana no elenco.

Muito ligado à tecnologia, Siegal trabalha principalmente com música eletrônica em suas obras. Há alguns meses, porém, decidiu entrar em território desconhecido: coreografar seis suítes barrocas do francês Jean-Philippe Rameau (1683-1764). O resultado pode ser conferido neste fim de semana no Teatro Sérgio Cardoso, quando a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) apresenta Six Odd Pearls. O balé, feito para o grupo, integra a temporada Jogo de Linhas, que segue até dia 26. 

Siegal escolheu a interpretação do pianista Tzimon Barto para as composições de Rameau. "Estar no Brasil me deu a licença para fazer isso, enquanto poderia não me sentir livre para tentar o mesmo na Europa ou nos EUA." Siegal ouviu a versão há alguns anos, durante uma temporada nos EUA, enquanto andava de carro com a mulher e a filha por uma paisagem parecida com a qual cresceu. Após tanto tempo na Europa, diz que o conceito de "lar" é "uma questão complexa" para ele. "Era começo da primavera e cheirava como casa. Fomos passear de carro, como costumava fazer quando era jovem, e a música tocou no rádio. Foi uma daquelas vezes em que a música coincide com a vida que está acontecendo ao redor. Ouvi-la é ser transportado para aquela época, lugar e estado emocional. Isso é um núcleo emocional muito forte com o qual entrei nesse processo."

"Você percebe toda a base da dança clássica e como o Richard quebra com novos impulsos e dinâmicas", diz Inês Bogéa, diretora artística da SPCD. "Tem tudo a ver com a minha ideia de uma curadoria da dança clássica se desdobrando no tempo, como esse jogo de linhas se dá na obra e como o público percebe a sobreposição de uma música barroca, de uma dança contemporânea-clássica. E como a gente, com os olhos de hoje, abre espaço para um tempo da delicadeza, do encontro, da sutileza. Porque a obra do Richard é uma poesia que traz uma harmonia dos tempos."

A cada semana a temporada traz programação diferente. Haverá mais uma estreia: Suíte para Dois Pianos (1987), em cartaz entre os dias 23 e 26. A obra do alemão Uwe Scholz (1958-2004) foi remontada pelo italiano Giovanni Di Palma, coordenador de ensaios da SPCD. Com música de Rachmaninoff (1873-1943), o balé transporta para o palco, por meio de movimentos, telas de Kandinsky (1866-1944) projetadas ao fundo. Scholz dirigiu Di Palma no Ballet de Leipzig. "Os três fizeram obras, a um primeiro olhar, simples. Kandinsky: linhas e pontos no plano. Essa suíte de Rachmaninoff parece uma conversa dos dois pianos. O Uwe Scholz é a mesma coisa. Ao primeiro olhar, é uma coreografia simples, mas é muito complicada para o bailarino entender as nuances. Uma complexidade na simplicidade. É a mensagem que os três deixaram, motivo pelo qual essa peça ainda é importante", afirma Di Palma.

SPCD 

Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, tel. 3288-0136. 5ª e sáb., 21h; 6ª, 21h30; dom., 18h. R$ 10/ R$ 40. Até 26/6.

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