Foto Ligiane Braga
Foto Ligiane Braga

Nathália Timberg retoma peça sobre o compositor Chopin

Espetáculo ‘Chopin ou o Tormento do Ideal’, que conta com a pianista Clara Sverner, terá uma apresentação ao vivo

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 05h00

Mesmo com uma sólida carreira, que já soma 66 anos, a atriz Nathália Timberg às vezes se surpreende quando está em cena no espetáculo Chopin ou o Tormento do Ideal. “Todas as vezes em que ouço a Clara Sverner no piano, fico maravilhada e tenho de ficar atenta para não sair da personagem”, conta ela, sorridente.

De fato, a presença da grande musicista é outro ponto alto da peça que terá uma única sessão presencial e gratuita nesta quinta-feira, 16, às 21h, no Teatro Sérgio Cardoso (reserva de ingresso em site.bileto.sympla.com.br/teatrosergiocardoso). O trabalho será filmado e exibido no domingo, às 21h30, na plataforma #CulturaEmCasa.

Em cena, Nathália vive seu primeiro personagem masculino, o compositor polonês Frédéric Chopin (1810-1849), que rememora 20 anos marcados por cartas e declarações de sua amante. E, durante tais reflexões, dois prelúdios são executados ao vivo por Clara Sverner ao piano.

Poeta

“A música interpretada por Clara vai reforçar os detalhes da insatisfação do compositor, que é algo que me encanta”, conta Nathália, repetindo a parceria com a pianista, iniciada em 2016 com 33 Variações, que gira em torno das 33 variações criadas por Beethoven, no século 19, para a valsa do compositor austríaco Anton Diabelli. “Clara é uma poeta.”

Concebido por Philippe Etesse e o pianista Erik Berchot, o espetáculo foi traduzido pela própria atriz, que fica extasiada com o aspecto romântico de Chopin. “Isso é perceptível na reação da plateia, que geralmente sai encantada do teatro”, observa Nathália. “A junção do texto com a música ao vivo transforma o espetáculo em um autêntico concerto da palavra.”

Montada originalmente em 2017, a peça Chopin ou o Tormento do Ideal teve sua trajetória interrompida pela pandemia, período em que a atriz aproveitou para ouvir ainda mais a obra do compositor. “O fluxo direto que a música causa nas pessoas é imbatível, e não há como medir essa satisfação”, comenta ela, que foi dirigida por José Possi Neto, que se sentiu fascinado com o texto, especialmente com o personagem dividido entre um doloroso cotidiano e um ideal inatingível.

“As pessoas descobrem que, no mundo atual, sua sensibilidade precisa de um afago”, comenta Nathália que, apesar da exibição online no domingo, não se sente atraída por essa forma de divulgação. “A química com a plateia é essencial e isso só acontece ao vivo.”

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