Alvaro Motta / Estadão
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'Não tem nada melhor do que fazer teatro', diz Marcelo Tas aos 60

Apresentador relembrou peça 'Zap, o Resumo da Ópera': 'uma das melhores coisas que fiz na vida - e ainda quero fazer'

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 06h01

Marcelo Tas, apresentador do Provocações, da TV Cultura, e também o nome por trás de personagens como Ernesto Varela e Professor Tibúrcio, falou sobre sua relação com o teatro em entrevista ao Estado.

"Para quem faz televisão, é um público mais limitado. Mas não tem nada melhor do que fazer teatro. Não tem mesmo, é muito legal", afirmou Tas, que chega aos 60 anos de idade no próximo domingo, 10 (clique aqui para conferir uma retrospectiva de sua carreira).

Seu início na dramaturgia se deu quando ainda sequer tinha se formado no curso de engenharia civil, e pouco antes de entrar para a produtora Olhar Eletrônico, onde trabalhou com Fernando Meirelles.

"[A virada na carreira] aconteceu por conta do teatro. Comecei a conhecer a cena teatral em São Paulo, quando ainda estava na Epcar [Escola Preparatória de Cadetes do Ar]. Era muito ignorante, nunca tinha ido numa peça até uns 18 anos, sabe?"

Entre as peças que o marcaram, estava Escuta, Zé!, de Wilhelm Reich, com Marilena Ansaldi, na década de 1970, da qual ainda se lembra com detalhes.

"Tinha abandonado a Poli [Escola Politécnica da USP] por um ano para fazer teatro, mas estava meio perdidão, não sabia se ia encarar, se meu negócio era ser ator... Até então, eu estava fazendo teatro com o Antunes Filho, não era pouca coisa, não", prossegue Tas.

Em seguida, conclui: "Teatro foi a minha base, o que me 'tirou do trilho'. Infelizmente, no começo, acabei não estreando. Mas depois, acabei me metendo bastante na vida do teatro".

Zap, o Resumo da Ópera

No teatro, Marcelo Tas foi diretor e narrador de Zap, o Resumo da Ópera, peça que fez parte do projeto Pocket Ópera, cujo objetivo era difundir a música lírica em 1999, sob curadoria de Sérgio Farah Escamilla.

"O Zap foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida. E ainda quero fazer, é um projeto que está no meu horizonte, porque, como ele é uma ópera, atingiu poucas pessoas", exalta.

Na sequência, conta que ainda tem planos de retomá-la: "É um projeto que vive me perseguindo. Tem sempre um maestro que descobre a existência do Zap e quer remontar. Estou muito a fim de remontar. Espero que papai do céu me dê essa chance ainda!".

A peça, que contava com direção da maestrina Mara Campos, tentava contar os 400 anos de existência da ópera em pouco mais de uma hora, misturando o elenco de cantores líricos com uma linguagem contemporânea eletrônica.

Trechos de óperas de Mozart, Rossini, Wagner, Phillip Glass, Bizet, Donizetti e Offenbach estavam presentes, com legendas em português que eram projetadas em uma tela no próprio palco. A ideia era justamente, como diz o nome, "zapear" (termo para trocar de canal na TV) pelo gênero.

No elenco de Zap, o Resumo da Ópera que ficou em cartaz no Teatro do Sesc Ipiranga em 1999 nomes como Berenice Barreira, Graziela Sanches e Edna D'Oliveira (sopranos), Silvia Tessuto e Marilu Figueiredo (mezzo-sopranos), Leandro Fischetti (barítono), José Maria Cardoso (baixo), Nelson Campacci e Roberto Gagliotti (tenores).

"O Zap é um puta espetáculo. Um roteiro muito bacana. Conta a história da ópera de um jeito muito engraçado. Depois dessa montagem em São Paulo, a gente montou duas vezes no Festival Internacional de Ópera de Manaus", relembra Tas.

A História do Brasil Segundo Ernesto Varela - Como Chegamos Até Aqui?

Marcelo Tas também voltou aos palcos anos depois, em 2006, interpretando um de seus personagens mais conhecidos, o repórter Ernesto Varela.

Desta vez, quem o acompanhava em cena não era o câmera Valdeci, mas sim duas atrizes que chegavam a utilizar perucas e óculos semelhantes aos do personagem, em uma apresentação que relembrava momentos da carreira de Varela.

A peça teve temporadas mais longas em relação a Zap, passando por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba.

 

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