Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Musical ‘Madagáscar’ estreia em outubro com efeitos especiais e recursos do teatro de sombra

'Madagáscar, Uma Aventura Musical', que contará com 16 canções inspiradas no filme, já definiu seu elenco

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2019 | 08h00

O mercado de animações tornou-se muito sofisticado em Hollywood, com produções que tanto trazem inovações tecnológicas e uma trama que encanta as crianças como referências irônicas no roteiro, que fazem os adultos acompanhantes também se divertirem. Tal fórmula de sucesso vai se repetir no palco com Madagáscar, Uma Aventura Musical, que estreia em 11 de outubro, no Theatro Net SP.

O filme é uma referência importante, mas temos a possibilidade de oferecer uma criação própria”, comenta a produtora Renata Borges, da Touché Entretenimento. “Nossa aposta é pela leveza e a comicidade. E, com tal liberdade cênica, queremos surpreender: a cena vai interagir com a plateia.” E são, de fato, várias novidades. Uma delas será a presença de uma jovem atriz cadeirante (veja abaixo), algo ainda inédito em outros países.

“Vamos também usar todos os recursos lúdicos de uma cena, como teatro de bonecos, teatro de sombra, efeitos especiais”, comenta Marllos Silva, que vai assinar a direção do espetáculo que contará com 16 canções, todas inspiradas em momentos do filme – portanto, essenciais para contar a trama. “E, mais que projeções, os cenários serão mostrados em grandes telões de LED de terceira dimensão.”

Diversos recursos para contar a história de quatro animais que vivem no zoológico de Nova York: a zebra Marty, o leão Alex, o hipopótamo fêmea Gloria e a girafa Melman. Todos parecem se adequar à vida pacata até que Marty, descontente com a rotina banal, decide voltar para a natureza selvagem e foge para Madagáscar, ilha da costa africana. Para lá, também rumam os amigos, a fim de trazê-la de volta.

“Marty une loucura e inocência e é movida por impulsos emocionais”, observa Maurício Xavier, que vai viver o personagem no musical. “É amiga de todos, por isso que eles se empenham em recuperá-la.” Nesse contexto, Madagáscar revela-se um produto diferente dos demais, pois, na ilha, os animais do zoo enfrentam o apelo selvagem, o embate entre instinto e civilização.

“Especialmente quando Alex sofre delírios e sente vontade de devorar os amigos, como faria um leão”, completa André Loddi, que vai viver o rei dos animais. “Essa viagem dos bichos é uma ótima maneira de mostrar como as pessoas têm dificuldade para se deparar com seus problemas.”

Única mulher do grupo principal, Ludmillah Anjos festeja seu papel, Gloria. “Ela é empoderada”, diverte-se. “No meio dos meninos, ela gosta de valorizar suas curvas e se sente muito confiante.” Outro personagem que se orgulha de seu posicionamento é o Rei Julian, vivido por Lucas Cândido. Ele domina os animais que vivem ilha, mas sem abusar do poder nem criar uma outra personalidade. “Julian traz uma mensagem muito clara: não importa o que se passa ao seu redor, seja quem você é”, elogia Cândido.

E, por extensão, é o que fazem os animais que deixam o conforto do zoológico para uma aventura na ilha desconhecida. “Todos saem em busca de seu desejo”, reconhece Ivan Parente, que terá a missão de viver a girafa Melman – para isso, vai aprender a andar em pernas de pau.

Curiosamente, todos os atores foram escolhidos pela produção a partir de suas qualidades técnicas e pessoais – não houve a tradicional fase de seleção, a que todos estão habituados. “Buscamos privilegiar as características de cada um do elenco”, explica Renata Borges que, além da produção geral, também vai assinar a cenografia.

Marllos observa que Madagáscar tem uma vantagem em relação a, por exemplo, O Rei Leão: “Aqui, os animais são apresentados como seres bípedes, o que facilita a encenação”, comenta ele, que já estuda o gestual que cada um vai apresentar em cena. Finalmente, os pinguins, os adoráveis vilões, serão bonecos manipulados por atores hábeis com a voz: Will Sancar, Letícia Soares, Fernando Palazza e Júlio Oliveira.

 

​Atriz cadeirante estará no elenco

Quando planejava a produção do musical Peter Pan, em 2018, Renata Borges pretendia colocar um ator cadeirante no elenco. “Mas o estilo da coreografia, que exigia movimentos complicados, e o cenário, que tinha um enorme navio, impediram que isso acontecesse”, explica ela, que vai realizar o desejo de inclusão em Madagáscar.

Assim, nos próximos dias, vai ser selecionada uma moça cadeirante que fará parte do elenco e não será para um papel nessas condições. A opção segue uma boa tendência que marca espetáculos estrangeiros, como a nova versão de Oklahoma!, em cartaz na Broadway, que tem Ali Stroker em papel importante.

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