Leo Souza/Estadão
Com palco quatro vezes maior do que um de teatro, o Evita Open Air estreia no Parque Villa-Lobos na quinta-feira, 7.   Leo Souza/Estadão

Com palco quatro vezes maior do que um de teatro, o Evita Open Air estreia no Parque Villa-Lobos na quinta-feira, 7.   Leo Souza/Estadão

Musical Evita Open Air propõe experiência sensorial

Clássico, montagem ganha uma estrutura de grandes proporções para as apresentações

Imagem Ubiratan Brasil

Ubiratan Brasil , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Com palco quatro vezes maior do que um de teatro, o Evita Open Air estreia no Parque Villa-Lobos na quinta-feira, 7.   Leo Souza/Estadão

O vento balança o figurino da atriz, que incorpora o movimento à ação; um helicóptero sobrevoa o palco no momento do canto, obrigando o ator a encorpar a voz; uma leve sensação de frio é sentida pela plateia, já devidamente agasalhada – fatores externos que jamais marcariam a apresentação de uma peça em um teatro fechado serão constantes ao longo da temporada de Evita Open Air, musical que estreia na quinta, 7, em um espaço ao ar livre especialmente montado no Parque Villa-Lobos.

Com 8.500 m², a estrutura abriga uma acomodação capaz de receber até 1.600 espectadores por sessão, um palco que tem quase quatro vezes o tamanho de um espaço convencional, e uma área de alimentação com comidas e bebidas diversas, especialmente da culinária argentina. “Quando fizemos a primeira sessão para convidados, levei um susto ao ver a plateia praticamente vazia, minutos antes do início do espetáculo – na verdade, as pessoas estavam na área de lazer”, diverte-se o canadense John Stefaniuk, responsável pela direção criativa do musical.

Seu desafio foi grande, pois há pouca referência desse tipo de montagem no mundo – a mais próxima também foi de Evita e aconteceu em 2019, no Regent’s Park, em Londres. “Busquei criar algo mais contemporâneo e intimista, apesar do grande espaço”, conta ele, que trabalhou com um cenário com quatro níveis de altura, permitindo maior movimentação dos atores. Isso se reflete em uma apurada ocupação do espaço, com o elenco apresentando a elegante coreografia criada por Floriano Nogueira, sábia ao não deixar espaços desocupados.

Com produção do Atelier de Cultura, Evita Open Air traz a nova versão da ópera-rock de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, que estreou em Londres em 1978 e logo se tornou um clássico. A montagem ao ar livre utiliza novos arranjos musicais compostos por David Cullen e Lloyd Webber, em 2014. “Isso deixou a peça mais ágil e realista sobre uma figura tão atual”, observa Stefaniuk.

De fato, a trajetória de Maria Eva Duarte Perón (1919-1952) foi curta, mas fulminante: de atriz de radionovela, ela se tornou líder política e primeira-dama da Argentina, tecendo para si mesmo uma crisálida de beleza, que a transformou na rainha do povo. Para os ricos e poderosos, aquela morena de baixa estatura não passava de uma atriz de segunda linha, dentuça e alpinista social; para os pobres e descamisados, porém, a mulher, agora loira, era uma verdadeira diva por saber tocar os sentimentos mais doloridos das pessoas. 

Santa ou oportunista, o fato é que Evita se tornou um mito. “Uma mulher carismática, que pede uma atriz à altura – e aqui temos Mira Ruiz”, derrete-se o diretor. De fato, uma das principais intérpretes do musical brasileiro, Mira domina as três qualidades pedidas pelo papel: dança, canto e interpretação. De quebra, uma boa dosagem da emoção. “Sem querer julgá-la, busco humanizar Evita, uma mulher que lutou por seus desejos, o que a torna ainda mais atual”, conta.

A ascensão de Evita é apoiada por Juan Domingos Perón, que soube utilizar esse romance como estratégia política meio a desconfiança dos ricos e dos militares. Isso o transforma em um antagonista na peça? “Não acredito, pois Evita ajudou Perón a revelar suas imperfeições, o que humaniza o personagem”, acredita Cleto Baccic, intérprete do político. “Antes de conhecê-la, Perón já lidava com o poder – Evita lhe trouxe ainda mais combustível na presidência.”

O trio de protagonistas se completa com a figura do guerrilheiro Che Guevara, que tem o relevante papel de narrador da história, acompanhando a distância todo o desenrolar da trajetória de Evita até se tornar a senhora Perón. “Busco entender a ideologia do personagem, que é um contestador na trama, para encontrar o caminho da interpretação”, conta Fernando Marianno.

Ele se movimenta tanto no palco como na plateia, direcionando a atenção do público, o que lhe permite experiências inéditas. “Depois de um ensaio, notei que estava com as calças molhadas: era a umidade do sereno que tomou conta do palco”, relembra. Baccic também coleciona histórias. “Sons de aviões e helicópteros, além dos pássaros do parque entram como uma inesperada trilha sonora”, diz. Mas há também espaço para a poesia: “É emocionante levantar os olhos e ver o por do sol atrás da plateia na sessão da tarde, ou o céu estrelado, na da noite”. 

Preste atenção 

Nos figurinos

Criados por Lígia Rocha, Marco Pacheco e Jemima Tuany, mostra a ascensão social de Evita, especialmente quando passa a usar modelos da Dior.

Novos arranjos

Criados em 2014 por David Cullen e Andrew Lloyd Webber, deixam a montagem mais energética, inspirando a coreografia mais vibrante de Floriano Nogueira.

No caixão

Espectadores que se sentarem no ponto mais alto da plateia poderão observar a presença de uma estátua dentro do caixão de Evita.

Na atualidade

A fim de ressaltar a contemporaneidade da peça, o diretor John Stefaniuk criou um prólogo em que mulheres dos dias atuais conversam sobre a força da presença feminina.

No caso de chuva

A época do inverno não costuma trazer chuvas, mas, caso ocorram, o espetáculo será momentaneamente interrompido ou até cancelado. Para isso, a quarta-feira será o dia em que ocorrerá o retorno das sessões interrompidas.

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Conheça os mitos que cercam Evita Perón, ícone argentino que inspirou musical

De atriz de radionovela, Evita se tornou líder política e primeira-dama da Argentina

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2022 | 05h04

Para os ricos e poderosos, aquela morena de baixa estatura não passava de uma atriz de segunda linha, dentuça e alpinista social; para os pobres e descamisados, porém, a mulher, agora loira, era uma verdadeira diva por saber tocar os sentimentos mais dolorosos das pessoas. Santa ou oportunista, a trajetória de Maria Eva Duarte Perón (1919-1952), mais conhecida como Evita, foi curta, mas fulminante: de atriz de radionovela, ela se tornou líder política e primeira-dama da Argentina, tecendo para si mesmo uma crisálida de beleza, que incubou a rainha do povo. As desventuras de uma das mulheres mais famosas do século 20 é tema do musical Evita Open Air, que estreia no dia 8, em uma estrutura montada no Parque Villa-Lobos.

 

Conheça curiosidades sobre a trajetória de Evita, marcada por mitos e fatos:

Nascimento

Evita dizia ter nascido no dia 7 de maio de 1922, mas, a partir dos anos 1970, historiadores descobriram que ela nasceu, de fato, em 7 de maio de 1919.

Morte

A “passagem à imortalidade de Eva Perón” (expressão usada pelos peronistas para se referir à morte de Evita) aconteceu no dia 26 de julho de 1952, às 20h25.

Com a queda de Juan Domingo Perón em 1955, o corpo de Evita é sequestrado pelos militares, peregrinando por vários lugares do exército e a casa de oficiais.

Em 1957, o corpo é enterrado no Cemitério Maior, em Milão, com o nome de Maria Maggi de Magistiris.

Em 1971, o corpo é exumado no dia 1º de setembro - dois dias depois, o caixão chega em Madrid, ficando na casa de Perón.

O corpo de Evita chega em Buenos Aires em 1974, quando foi colocado em uma sala na residência presidencial de Olivos, ao lado do corpo de Perón.

A separação aconteceu dois anos depois, quando o general Jorge Videla derrubou Isabelita Perón (que assumiu a presidência após a morte do marido). O corpo de Evita é enviado ao cemitério da Recoleta.

Mitos

Evita normalmente é apontada como vinda da miséria. Na verdade, sua mãe tinha um pensionato na cidade de Junín e eram integrantes de uma austera classe média.

 

Aos 15 anos, Evita rumou para Buenos Aires, mas não foi acompanhada do cantor Agustín Magaldi, de quem não era amante - eles nem se conheceram. A jovem viajou com a mãe e foi morar com seu irmão mais velho, Juan.

Evita também não foi uma líder revolucionária para libertar seu então namorado Juan Domingo Perón da prisão. Ela voltou para a casa da mãe, em Junín, onde aguardou a liberação de Perón para então voltar.

Evita e Che Guevara só tinham em comum o fato de serem argentinos. Não se conheceram pessoalmente, pois o líder revolucionário considerava o casal Perón como “representante do fascismo”.

Não é verdade que diversos muros de Buenos Aires foram pichados por inimigos de Evita com os dizeres “Viva o câncer”, quando ela agonizava de um devastador câncer de útero. Apenas em uma parede do bairro da Recoleta recebeu a pichação.

 

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'Evita Open Air’, versão mais jovem e enérgica do célebre musical, será encenada a céu aberto

Espetáculo estreia em 7 de julho e ocupará espaço do Parque Villa-Lobos com capacidade para até 1.545 espectadores

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2022 | 05h01

Eventos ao ar livre não incomodavam Maria Eva Duarte Perón (1919-1952): atriz de radionovela, ela se tornou líder política e primeira-dama da Argentina e, como Evita, foi eleita rainha do povo, que acompanhava magnetizado seus discursos abertos.

O poder da palavra poderá ser sentido em Evita Open Air, espetáculo inspirado no musical de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice e que será apresentado ao ar livre no Parque Villa-Lobos, onde será montada uma superestrutura com capacidade para 1.545 espectadores.

Com produção do Ateliê de Cultura, o musical estreia no dia 7 de julho e os ingressos começam a ser vendidos nesta sexta, 27, com preços variando de R$ 50 a R$ 300. Além da novidade de apresentação a céu aberto, o espetáculo apresentará, pela primeira vez no Brasil, os novos arranjos compostos por David Cullen e Lloyd Webber, em 2014. Com isso, o original que estreou em 1978 ganha agora uma versão mais jovem, mais energética, o que permite explorar coreografias agressivas e uma dramaturgia mais realista.

A trama continua com a clássica história de Evita (papel de Myra Ruiz, uma das maiores atrizes do musical brasileiro) que, ao se casar com o político Juan Domingo Perón (Cleto Baccic, igualmente destacável), se torna uma figura mítica na Argentina, transformando-se na “chefe espiritual da nação”. O elenco é completado por Fernando Marianno, jovem que se firma no gênero, como Che Guevara, que narra criticamente a história. A direção será do canadense John Stefaniuk. 

Veja o elenco completo

Myra Ruiz - Evita

Fernando Marianno - Che

Cleto Baccic - Perón

Felipe Assis Brasil - Agustín Magaldi

Verônica Goeldi - Amante

Belle Rodrigues, Isa Camargo e Anna Beatriz Simões - Pequena Evita

Alice Zamur, Alicio Zimmermann, Amanda Döring, Bia Castro, Bruno Ospedal, Claudia Rosa, Danilo Martho, Della, Éri Correia, Fernanda Biancamano, Fernanda Muniz, Gigi Debei, Gui Leal, Ingrid Sanchez, Marco Azevedo, Mari Rosinski, Paulo Grossi, Rafael Barbosa, Sandro Conte, Vinicius Cafer - Ensemble

 

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