Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Miriã Brasil
Miriã Brasil

Musical ‘Do Outro Lado’ acompanha a superação de duas presidiárias

Estrelado Vanessa Gerbelli e Alessandra Verney, espetáculo tem canções pop e eruditas

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2017 | 06h00

No pátio de uma prisão, duas prisioneiras se unem a um pianista em um espetáculo em homenagem a uma colega que morreu na semana anterior. Silmara está pagando por um crime que diz não ter cometido e a cantora e musicista Diana é acusada pelo marido de tentativa de assassinato. “Cada uma delas tem um problema muito particular, mas, ao avançar, elas mostram como a superação ilumina a condição humana”, comenta Patrícia Pinho, diretora do musical Do Outro Lado, que estreia nesta quarta-feira, 27, no Teatro Porto Seguro.

Trata-se de uma pequena joia, intimista e aconchegante. Em cena, Vanessa Gerbelli vive Silmara, mulher simples, há dez anos vivendo como prisioneira. Injustamente, segundo ela, que nega um assassinato. Divertida, fã de Raimundo Fagner e filha de uma professora de religião, foi separada precocemente de sua filha, que nasceu já na prisão. 

Já Alessandra Verney é Diana, mulher culta, sofisticada, ex-cantora da noite. Depressiva, temperamental, ela foi presa depois de atirar contra o marido, que suspeitava estar cometendo adultério. O tiro pegou de raspão, ela foi presa por tentativa de homicídio e, desde então, aguarda seu julgamento. O maestro Miguel Briamonte fecha o elenco em cena, executando no piano canções de Elvis Presley, Roberto Carlos, Raimundo Fagner, Olga Guillot, música gospel e outros sucessos do repertório nacional e internacional.

“O grande encontro entre elas se dá pela música, o que, na verdade, é uma homenagem à arte”, observa Patrícia. “Afinal, é pela arte que se pode tratar de questões mais profundas.”

O projeto nasceu há mais de um ano, quando Vanessa Gerbelli decidiu criar um texto. “Eu sentia necessidade de escrever algo sobre o feminismo”, conta a atriz, que planejava montar um texto cuja dramaturgia fosse uma linha dramática para amarrar canções que ela e Alessandra gostavam de cantar. “Pensamos sobre um tema até chegar à prisão feminina. É um assunto que me interessa desde que filmei Carandiru, de Hector Babenco, em 2003.”

Vanessa reforçou sua pesquisa e, ao descobrir que dispunha de um material com forte carga dramática, o projeto se modificou. “Decidi abandonar as canções que tínhamos escolhido e passei a buscar outras, que se adaptassem à dramaturgia e não o contrário.” Segundo ela, foi mais fácil porque as cenas ajudavam a escolher a melhor música. “E, o fato de ter uma personagem mais sofisticada, permitiu que eu trouxesse canções internacionais, de autores como Cole Porter, enquanto a outra mulher, mais humilde, apontou para um repertório mais regional, como Roberto Carlos e Fagner.”

Com o texto tomando corpo, as atrizes e a diretora – comprometidas com outros projetos – tentaram ensaiar o máximo possível. O mais importante, porém, era a definição do conceito. “Falamos sobre uma prisão como metáfora do feminismo”, acredita Patrícia. “Enquanto uma das prisioneiras explica como a arte funciona, a outra, mais pé no chão, demonstra como a vida realmente é.”

“Diana deixou uma promissora carreira de cantora para se casar e, no momento em que essa relação é arruinada, ela perde totalmente o controle e o seu eixo”, conta Alessandra Verney. “Ela é obrigada a encarar a si mesma, e é por meio da música que surge a conexão consigo própria. Isso também se transforma em um elo com a Silmara, sua companheira de cárcere. O encontro de duas mulheres tão distintas, algo improvável no universo de cada uma, resulta em um grande elo afetivo, de amizade e cumplicidade. Possibilita também a libertação de cada uma, dentro de suas questões, fobias, fantasmas e afetos – ou a falta deles.”

Nesse jogo de descobertas, a prisão é retratada metaforicamente pelo diretor de arte Gringo Cardia, que criou uma instalação no formato de um imenso coração, onde acontecem as descobertas das duas mulheres, e de um cadeado, que representa a prisão ao passado, que justifica sua condição de encarceradas.

DO OUTRO LADO

Teatro Porto Seguro. Al. Barão de Piracicaba, 740; 3226-7300.  

4ª e 5ª, 21h. R$ 40 / R$ 60

Estreia quarta (27). Até 26/10

Tudo o que sabemos sobre:
Vanessa Gerbelli

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.