Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Murilo Rosa e Marisa Orth estarão em 'A Casa das Sete Mulheres – O Musical'

Baseado em livro de Letícia Wierzchowski e na minissérie de grande sucesso exibida pela Globo, musical deve custar R$ 9,2 milhões e tem estreia prevista para 2020; leia também entrevista de Murilo Rosa

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2018 | 06h00

O gigante começa a dar seus primeiros passos – depois de anunciado pelo Estado em setembro, o espetáculo A Casa das Sete Mulheres – O Musical já definiu os primeiros nomes de um elenco estelar que vai interpretar no palco o épico brasileiro escrito por Letícia Wierzchowski: Marisa Orth, Murilo Rosa, Fafy Siqueira, Saulo Vasconcelos, Alessandra Maestrini, Myra Ruiz, Alessandra Verney e uma aposta da produção, Sandra Rabinovitch. “Na verdade, escolhemos apenas um terço do elenco – o restante será definido em audições que acontecerão em São Paulo e Porto Alegre, no segundo semestre de 2019”, comenta Lázaro Menezes, ator, diretor e companheiro na vida e na arte da atriz e produtora Kiara Sasso. Juntos, eles assumiram essa empreitada que promete ser única entre as produções nacionais de musical.

Afinal, o projeto é grandioso e já foi autorizado a captar R$ 9,2 milhões pelas leis de incentivo. A previsão de estreia é no início de 2020, provavelmente em março, em São Paulo – está confirmada também uma temporada em Porto Alegre. O próximo ano, portanto, será dedicado ao longo processo de produção, pois, como a própria Kiara comenta, “esse será o nosso Les Misérables”. No projeto, já estão presentes o encenador Ulysses Cruz, que assinará a direção-geral, e Letícia Wierzchowski, autora do best-seller que inspira a trama.

Lançado em 2002 pela editora Record e transformado em uma minissérie de grande sucesso pela Globo no ano seguinte, o romance é ambientado durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), no Sul do País, e mostra como o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isola as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito com o propósito de protegê-las. Quando a guerra começa a se prolongar, a vida daquelas sete mulheres passa por inúmeras transformações. “São esses ingredientes que aproximam o épico de Letícia a Os Miseráveis, de Victor Hugo, que inspirou o musical inglês e sua estrutura épica”, comenta Kiara que, junto de Menezes, comanda a O Alto Mar Produções, que vai viabilizar o projeto.

Juntos, eles fizeram as primeiras escolhas dos atores. “Estudando cada personagem e pensando nos atores que conhecemos, conseguimos traçar um elenco muito interessante. Havia personagem que se encaixava direito em alguns artistas que conhecemos”, comenta Kiara. Essas definições também norteiam a adaptação e a seleção musical, que será original, assinada por Marcus Vianna, autor também da trilha da minissérie, baseada em ritmos típicos do Sul do País. “Ao fazermos agora a adaptação do texto e a inserção das canções, já pensamos nos atores escolhidos, buscando o tom certo, para que, da personalidade do artista e da do personagem, nasça a melhor fusão”, observa Menezes, que também estará no elenco, ao lado de Kiara.

Líder. É curiosa a presença do ator Murilo Rosa, único a ter participado da minissérie, na qual viveu o coronel Afonso Corte Real, um dos mais ativos combatentes da Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, movimento de caráter republicano que se insurgiu contra o governo imperial de D. Pedro II. No musical, ele será outro militar, Bento Gonçalves, também um dos líderes da revolução separatista.

Apesar do protagonismo masculino na história oficial, a trama do livro (e também a do palco) valoriza a condição feminina. “O romance mostra como as mulheres eram obrigadas a gerenciar as estâncias, gerando recursos que sustentavam o governo e, portanto, a guerra”, diz Leticia. “Elas vencem todos os obstáculos”, completa Kiara.

E, apesar da grandiosidade esperada para o espetáculo – afinal, não faltarão cenas com cavalos e, principalmente, a do famoso transporte de dois enormes barcos pelo campo, puxados por 48 bois –, a direção de Ulysses Cruz vai apostar na magia teatral. “Como Les Misérables, é um espetáculo com momentos grandiosos que incentivam a imaginação do público. Não precisamos mostrar tudo.”

‘O melhor caminho é fazer um mergulho na dramaturgia', diz Murilo Rosa

Como foi receber o convite para o musical?

Foi uma surpresa, pois foi um convite inusitado, corajoso. No início, achei que não aceitaria pois, no próximo ano, vou fazer a turnê de meu novo espetáculo, Entusiasmo, uma homenagem à relação do ator com seu papel. Pretendo rodar o Brasil com ele. Mas, ao descobrir detalhes do musical, fiquei empolgado. É uma ótima ideia, com dramaturgia relevante e um personagem histórico que adoro, além de exercitar o canto. 

Você já tem uma conexão com os musicais. Como é poder reviver essa história, mas agora de uma forma diferente?

Adoro musicais, mas, antes disso, gosto da dramaturgia, do personagem. Meu papel, Bento Gonçalves, é uma grande figura histórica. Tenho ligações com personagens do Sul – na minissérie, fiz o coronel Corte Real, que tem uma morte antológica. Agora é diferente, Bento deve ser o personagem mais simbólico do Rio Grande do Sul. Minha ligação com o Sul continua com o filme A Cabeça do Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas, que esteve em cartaz há pouco e no qual vivo o major Ramiro. Finalmente, lembro ainda de uma passagem pela cidade de Laguna, em um teatro para 80 mil pessoas, onde fiz Garibaldi. Agora, nesse musical, a dramaturgia vem poderosa.

Quais as memórias que você tem da época da minissérie e de que forma essa experiência pode ajudá-lo nos palcos?

A gente circulou por cidades do Sul por 40 dias, me encantei por aquela terra. Entendi por que o gaúcho é apaixonado pelo Sul. Fizemos um intenso trabalho com cavalos, de lutas, cenas complexas, perigosas, como as de guerra. Foi uma aventura. Enfrentamos os pampas com cerração. Não consigo esquecer o primeiro dia em coloquei o figurino do coronel Corte Real. Passei o dia inteiro com ele, até dormi assim. Houve um momento em que uma pessoa desapareceu, o que me deu a sensação de estar vivendo algo real. No musical, farei o Bento, mas, como filho de uma historiadora, estudo tudo o que rodeia aquela história. 

A adaptação para a TV foi uma superprodução e os musicais hoje também são conhecidos pela grandiosidade. Quais são suas expectativas para esse formato?

Tenho grandes expectativas. Essa é uma oportunidade para apresentar uma grande novidade no teatro musical brasileiro – a minissérie foi uma superprodução, como você falou, mas, nesse nosso projeto, as músicas existem em função de uma dramaturgia forte. O diretor Ulysses Cruz deverá buscar a alma, a essência desses personagens e as canções deverão entrar nessa história. O grande caminho é mergulhar e priorizar a dramaturgia.

Quais os maiores desafios que prevê enfrentar no projeto?

Acredito que é colocar a intensidade adequada – às vezes, em alguns musicais, as canções são lindas, mas falta algo na dramaturgia. Assim, é deixar na interpretação uma marca forte e, quando for para a canção, continuar forte. Ser uma unidade, com equilíbrio, sem perder a explosão de encenação. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.