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Mulheres compartilham medos e paixões pelos homens em 'Loucas por Eles'

Diálogos acontecem no aeroporto, onde elas ficam presas

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 09h11

Uma tempestade interrompe o tráfego aéreo. Cinco mulheres, que estavam no aeroporto por motivos diversos, são obrigadas a passar um tempo juntas, período em que compartilham prazeres, ressentimentos, dúvidas e, principalmente, paixões, sobretudo pelos homens. “Temos ali a representação de todos os sentimentos familiares”, comenta a atriz Suely Franco, que interpreta Naná na peça Loucas Por Eles, que acompanha aquele momento singular de cinco mulheres e que estreia hoje no Teatro Augusta.

Escrita pelo argentino Marcos Carnevale, também autor de Elsa & Fred, que chegou ao cinema, a montagem foi adaptada ao universo feminino brasileiro, preservando a identidade original - Walcyr Carrasco se encarregou da tradução. 

“É uma peça de ambientação feminina forte e todas estão em situações desesperadoras, o que reforça algumas características”, conta Fernando Cardoso que, ao lado de Roberto Monteiro, é encarregado da produção. “É como se os fragmentos dessas mulheres totalizassem uma só pessoa.”

Suely Franco acredita que seu personagem é o mais alegre de todos. “Ela é a vice-presidente do fã-clube do cantor Daniel e aguarda ansiosa a chegada do ídolo. Mesmo tratando de um câncer, Naná é uma mulher muito otimista”, comenta a atriz, que tem a chance de exercitar sua voz de cantora em um momento especial: ela faz um dueto com a voz de Daniel na canção Deixa Chover (de Guilherme Arantes). “Eu até recusei participar de outro projeto (‘O Primeiro Musical a Gente Nunca Esquece’, que estreia no Rio no segundo semestre) para ficar aqui.”

Outra participação especial diz respeito à lembrança sentimental dos frequentadores dos aeroportos brasileiros: Iris Lettieri, a locutora oficial de Congonhas e Galeão desde a década de 1970, surge com a voz em off.

Cada uma das personagens apresenta uma característica feminina muito marcante, o que facilita a identificação com a plateia. Vera Mancini, por exemplo, vive Selma, mãe de um casal de filhos, mas que dá atenção privilegiada ao menino. “Não há emoção que se compare ao momento em que você pega no colo o primeiro filho pela primeira vez”, diz ela, em determinado momento. 

Já Ellen Rocche, que estreia no teatro, é Débora, mistura de diferentes tipos de mulheres. “Fernando pediu que eu fizesse uma amante que fugisse do estereótipo. Tanto que ela é independente, tem uma empresa. Um detalhe sobre a personagem é que ela conhece o homem com quem se relaciona antes de ele casar com a ‘oficial’, por imposição da família. Com isso, ela acha que ele também é marido dela”, conta ela, em material divulgado pela assessoria. 

Completam o grupo Cynthia Falabella, intérprete de Jéssica, mulher preconceituosa e nada simpática; e Fafá Rennó, no papel de Elizabeth, que, apesar de ostentar um lado social bem resolvido, tenta esconder sua fragilidade emocional. 

“São mulheres comuns e constatamos isso quando apresentamos o espetáculo em Santo André”, conta Suely. “Tomamos um susto com a adesão da plateia, que se via no palco.”

ENTREVISTA - Marcos Carnevale, dramaturgo e diretor argentino

'As mulheres são mais espertas e complexas que os homens'

Como foi escrever sob o ponto de vista feminino sem correr o risco de ser machista?

Como não sou machista, foi fácil. Nos meus trabalhos, o ponto de vista feminino é o denominador comum. As mulheres têm muita importância em meus filmes e peças. Assim como os homens. Busco um olhar humanista, despojado de todo prejuízo. Para mim, não existem divisões de gênero, nem a discriminação de nenhum tipo.

Te surpreende o fato de as mulheres conseguirem brigar entre elas e, minutos depois, tomarem café juntas?

As mulheres são muito distintas dos homens. Para eles, tudo é mais simples. Já elas têm muitos pensamentos paralelos: conseguem conversar todas juntas. Elas se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Resolvem os problemas mais rápido que os homens. Somos mais orgulhosos e nos irritamos mais facilmente e durante mais tempo. As mulheres são mais espertas que nós, mais complexas. O que pode ser uma vantagem e, às vezes, uma complicação.

Como trabalha com o humor?

É uma ferramenta difícil. Não trabalho com a gag, mas com a ironia, com o pathos que mostra a vida a partir das pequenas misérias humanas. O humor é essencial para mostrar como as questões colocadas no palco são digeríveis. 

LOUCAS POR ELES 

Teatro Augusta. Rua Augusta, 943, Cerqueira César, 3151-4141. 6ª, 21h30; sáb., 21h; e dom., 19h. R$ 60 a R$ 80. Até 30/8.

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