The New York Times
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Morre, aos 83 anos, autor do musical 'Nine'

O dramaturgo norte-americano Arthur Kopit se notabilizou pelos títulos longos de suas peças; 'Nine' foi exceção

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2021 | 16h14

Arthur Kopit, o dramaturgo norte-americano consagrado na Broadway após passar anos montando peças de vanguarda off-Broadway, morreu ontem (2) em sua casa em Manhattan, aos 83 anos, de causa não revelada por seu agente. Kopit, várias vezes indicado para o prêmio Tony, o Oscar do teatro, uma delas pelo musical Nine (as outras por Indians e Wings), ficou famoso pelos títulos insólitos de suas peças off-Broadway, entre elas “Oh Dad, Poor Dad, Mamma’s Hung You in the Closet and I’m Feelin’ So Sad” (Oh, Papai, Mamãe Pendurou Você no Armário e Eu estou me Sentindo Muito Mal). Essa peça, que estreou em 1962 num pequeno teatro, chegou a ser montada no Brasil.

Embora recebida com reservas por alguns críticos, a peça, sobre uma senhora que viaja com seu filho e o cadáver do marido, fez sucesso e logo foi transferida para a Broadway. Outra peça de Kopit que chamou a atenção foi Indians, de 1969, em que Buffalo Bill posa de liberal (Stacy Keach interpretou o papel na montagem americana). Entre outras denúncias, Kopit fala do estupro de mulheres índias nativas.

Kopit era, enfim, uma espécie de reserva moral da América. Preocupava-se com índios, pessoas mais velhas e outsiders. Em Wings (1978), por exemplo, a protagonista é uma velha senhora que sofre um derrame e passa a se comunicar de forma incompreensível, vítima de dislexia. Na verdade, a peça foi inspirada na experiência real de reabilitação do padrasto de Kopit.

Arthur Lee Koenig naceu em 10 de Maio de 1937, em Manhattan. Seu pai trabalhava como agente publicitário. Ele se divorciou da mãe do dramaturgo quando Kopit tinha apenas dois anos. O sobrenome foi adotado de seu padrasto George Kopit, um executivo do ramo de joias.

Arthur estava estudando engenharia em Harvard quando soube de um concurso promovido pela universidade para premiar textos teatrais (ele ganhou o prêmio como com Oh! Papai..., que era, então, apresentada como uma “trágica farsa pseudo-clássica” no estilo francês).

Sua ambição foi crescendo mais que os títulos de suas peças, que, no decorrer de sua brilhante carreira, ficaram curtos. Nine é um musical baseado no clássico filme de Fellini, Oito e Meio, sobre a crise de criatividade de um cineasta. No mesmo ano ele adaptou para a Broadway outro clássico, a peça Espectros, de Ibsen. Nine fez sucesso entre os críticos, mas não com o público, como aconteceu com sua peça Fim do Mundo (End of the World, 1984), que, apesar de dirigida por Harold Prince, não decolou.

Ele não desistiu dos temas complexos. Sua peça Y2K (1999) fala de troca de identidades de um casal por um jovem hacker. Seu último êxito na Broadway foi uma adaptação do musical High Society, de Cole Porter.

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