Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Morre a bailarina Ruth Rachou, pioneira do pensamento moderno no Brasil

Artista, que estava com 94 anos, ajudou a construir projetos distintos

Fernanda Perniciotti, Especial para o Estadão

12 de janeiro de 2022 | 07h34

Ruth Rachou contava sonhar com coreografias e planejava narrá-las a um gravador para colocar em prática, sendo este apenas um dos planos que fazia. Pioneira da dança moderna e do pensamento modernista no Brasil e mestra de muitos artistas hoje em cena, a bailarina morreu nesta terça-feira, 11, aos 94 anos, depois de vários dias internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Não foi informada a causa da morte.

Nascida em 1927, Ruth compõe uma geração de mulheres que começou a estudar dança ainda na infância, como forma de ter uma educação refinada, princípios de etiqueta e "gestos delicados". Foi na adolescência que a dança profissional se tornou um horizonte, até que, em 1954, foi aprovada na audição do meteórico Ballet do IV Centenário, ao lado de nomes como Edith Pudelko (1927 - 1984) e Marika Gidali, fundadora do Ballet Stagium.

Desde então, em uma longa trajetória, ajudou a construir projetos artísticos distintos, desde filmes musicais, com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, até a atuação como coreógrafa e diretora do núcleo de dança da TV Record, quando recebeu o prêmio Roquete Pinto, em 1963.

Marco de sua carreira, o encontro com a norte-americana Sonia Shaw, que veio ao Brasil montar dois espetáculos dos quais Ruth participou, Tio Samba e Squindó, modificou seu modo de olhar a dança, ainda muito próximo à tradição clássica. Ali, abriu seu horizonte para a dança moderna. Ruth saiu do País e se dedicou a estudar profundamente a técnica Graham e estabeleceu contato com princípios de Merce Cunningham e José Limón, compondo, assim, um certo jeito de pensar dança e, principalmente, a educação em dança.  

Em 1972, de volta ao Brasil, fundou uma escola, o Estúdio Ruth Rachou. No espaço, ministraram cursos professores brasileiros e estrangeiros de linhagem moderna norte-americana, principalmente associados a nomes como Isadora Duncan, Martha Graham, Doris Humphrey e José Limón; mas também acolheu outras perspectivas, por exemplo, Klauss Vianna e o curso de danças brasileiras de Toninho Nóbrega, e traçou pioneirismo no oferecimento de cursos de pilates na capital paulista.

O Estúdio Ruth Rachou, que era administrado pelo artista e professor Raul Rachou, filho de Ruth, fechou em 2015, após 43 anos de existência, pela imposição de uma crise financeira. Além de ter sido responsável pela formação de artistas da dança e do teatro, a escola acolheu aqueles que, à época, não tinham lugar de ensaio e precisavam de um espaço para continuar trabalhando.

"Sua dança continua viva em todos nós que admiramos e que pudemos partilhar de sua arte e de sua história", afirmou, em uma rede social, Inês Bogéa, coreógrafa e diretora da SP Companhia de Dança

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