NAIRÍ AHARONIÁN
NAIRÍ AHARONIÁN
Imagem João Wady Cury
Colunista
João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Mirando a miragem do Mirada

Festivais de teatro têm a tradição de deixar como legado e marca a cauda longa de um rastro invisível

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 02h00

Festivais de teatro têm a tradição de deixar como legado e marca a cauda longa de um rastro invisível, algo muito mais concreto nas sensações do que as peças apresentadas em sua jornada. O Mirada, que vai até sábado em Santos, tem essa qualidade e pode ser visto em São Paulo a partir desta semana para uma série de apresentações das montagens latino-americanas, como é o caso de O Bramido de Düsseldorf, do uruguaio Sergio Blanco, que fará duas apresentações no Sesc Paulista neste sábado e domingo. A programação completa do Mirada em São Paulo está no site do Sesc e pode ser acessada por meio da busca por Extensão Mirada. É essa miragem de boas intenções que faz o teatro ainda maior.

A IRA DE SERGIO BLANCO

O dramaturgo e diretor uruguaio Sergio Blanco é adepto da autoficção no teatro; escreveu O Bramido de Düsseldorf para homenagear o jovem chileno que se matou após assistir a A Ira de Narciso, sua peça anterior e que esteve em cartaz até recentemente em São Paulo, com atuação de Gilberto Gawronski e direção de Yara de Novaes.  

 

PERNOCA DO MIRADA 

Hoje tem encontro de curadores de artes cênicas da América Latina e Europa, promessa de boa discussão, das 19 às 21h no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Participam da conversa Omar Valiño, do Festival de Teatro de La Havana (Cuba), Gonçalo Amorim, do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, do Porto (Portugal), e Tomasz Kireczuk, do Festival Internacional de Teatro Dialog, de Wroclaw (Polônia). E, o melhor, grátis. 

  

WILL DIZIMA SEM DÓ  

É batata que o ídolo máximo do teatro, Will Shakespeare, é implacável e dizima suas personagens sem dó, nem pena. Mas ver todo esse massacre numa única montagem é outra conversa. E com um beijo... Morro (foto acima) reúne 68 mortes de personagens shakespearianas, inclusive a de Romeu, tadinho, cuja derradeira frase após tomar o veneno que o levaria para o nada, batiza a peça escrita e dirigida por Márcia Nemer – a frase original dita pelo atormentado Montecchio é Thus with a kiss I die. Estreia dia 21 de setembro no teatro da SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt e tem no elenco o coletivo Bobik & Sofotchka, formado na Alemanha.  

  

SURPRESA À VISTA 

Serão apenas três apresentações em São Paulo, no teatro J. Safra, de 5 a 7 de outubro, mas ainda assim um desafio. Volúpia da Cegueira tem uma mensagem direta: fantasias e tabus sexuais de quatro personagens cegos – Moira Braga, Felipe Rodrigues, Max Oliveira e Aléssio Abdon. A plateia pode entrar no clima e assistir à peça de olhos vendados, mas, fora isso, há uma surpresa no final. Dramaturgia de Daniel Porto, com base nos contos eróticos de Tripé do Tripudio, de Glauco Mattoso. Direção de Alexandre Lino.

Se não fosse artista, o que faria?

Escritora é artista?

Peça revelação?

Os Sete Afluentes do Rio Ota, da Monique Gardenberg. Amava a Maria Luísa Mendonça e queria ser ela quando crescesse.

Por que teatro?

É lugar de se encarar, olhar nossos abismos, desejos e terrores, é feito de sangue pulsando em tempos de telas frias, é a tecnologia de ponta a ponta!

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