Miguel Herrera
Miguel Herrera

Marina Montesanti vai dirigir musicais em Nova York

Marina Montesanti se prepara para estrear dois espetáculos com a sua direção, até o fim do ano: 'Americano' e 'Exi(s)t'.

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2019 | 03h00

Marina Montesanti forja seu talento ao unir esforço próprio com oportunidade. Desde os 10 anos, quando decidiu, de forma irredutível, que seria diretora de teatro, ela não poupa esforços para atingir o objetivo e, no meio do caminho, cruza com pessoas que reconhecem sua determinação e qualidade. Morando e trabalhando em Nova York há cinco anos, a brasileira que já viveu na Argentina e África do Sul acumulou conhecimentos que lhe trouxeram uma visão particular do mundo – e, em especial do Brasil. Agora, ela se prepara para estrear dois espetáculos com a sua direção, até o fim do ano: Americano e Exi(s)t.

“Profissionalmente, cresci rápido, em muito pouco tempo, mas foi suado”, comenta ela que, em seu período norte-americano, trabalhou em 65 peças nas mais diversas funções, o que lhe deu um sólido conhecimento dessa indústria do entretenimento. “Aprendi a dimensão do show biz porque sempre soube do valor do talento dos que me cercavam.”

A curiosidade e o sorriso largo são suas principais características. Quando estava com 10 anos, a família mudou-se para Buenos Aires, uma vez que o pai, Afonso, era executivo da Colgate. Lá, Marina começou a conhecer de fato o Brasil, graças a uma professora de História que era brasileira. “Ela me ajudou a ter uma maior dimensão da minha nacionalidade”, relembra a diretora, que era uma menina silenciosa – não por timidez, mas pelo interesse em observar tudo ao seu redor.

Foi nessa época que se decidiu pela carreira teatral. Começou a devorar tudo sobre o assunto que encontrava na biblioteca. “Cheguei a memorizar o livro escrito pela Uta Hagen”, conta, referindo-se à atriz alemã famosa por seus trabalhos no teatro americano como Um Bonde Chamado Desejo e Quem Tem Medo de Virginia Woolf? “Ela fez aumentar meu respeito pela atuação.”

Com a transferência do pai para Johannesburgo, na África do Sul, Marina iniciou uma nova etapa de seu aprendizado. Foram seis anos de leituras sobre teatro naquele país, onde começou a fazer trabalho voluntário. “Descobri novos aspectos sobre o teatro social”, diz ela, que passou a levar o Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, à Afrika Tikkun, entidade filantrópica que buscava fornecer educação, saúde e serviços sociais aos jovens e suas famílias por meio de centros de excelência nos municípios sul-africanos. “Cheguei a ter 80 participantes”, orgulha-se ela, que foi treinada por uma instrutora inglesa. “Isso definiu meu caminho, descobri que era necessário ensinar na África. Como há 11 línguas oficiais na África do Sul, entendi a força do físico na comunicação – e o teatro aproxima as pessoas mais pela emoção do que pela razão.”

O teatro definitivamente se tornou seu santuário. Marina sentia-se cada vez mais fascinada por aquele tablado no qual podia controlar o tempo e o espaço. A certeza disso ela teve quando se mudou para os EUA, onde foi estudar na New School for Drama, em Nova York. “Como queria ser diretora, fui em busca de um curso nessa área.”

Foi na capital mundial do teatro musical que Marina agarrou todas as oportunidades que lhe apareceram – e que oportunidades! Foi uma das poucas selecionadas, por exemplo, para receber orientações do inglês Peter Brook, um dos mais importantes encenadores da atualidade. “Fiquei fascinada por sua maneira de implementar a linguagem corporal universal nas peças de Shakespeare. Brook passou para mim o indefinível, um pedaço de sabedoria que contém a essência da natureza humana. Isso me ajudou a descobrir caminhos para a direção.”

Marina consolida sua carreira com projetos que, se não perdem a essência comercial, tocam em temas delicados, como Exi(s)t, musical que trata de exílio, e Americano, sobre a dualidade de ser latino na América. Finalmente, trabalha com um texto de Jo Bilac, Cucaracha, um testemunho de que viver é um ato corajoso.

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