Miro / DIVULGAÇÃO
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Marília Gabriela busca outras versões de si em 'Constelações'

Ao lado de Caco Ciocler, a atriz e jornalista mergulha no vazio do infinito espaço-tempo

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2017 | 03h00

Diante da perda de um ente querido, a religião oferece o alívio de que a pessoa morta vai habitar um lugar de paz e tranquilidade. Esse esperança também pode ser oferecida pela ciência, acredita a atriz e jornalista Marília Gabriela, que estreia nessa sexta, 10, o espetáculo Constelações no Sesc Santana. “O fim pode ser apenas o começo de outras tantas possibilidades”, conta. 

Essa busca fora do âmbito do sobrenatural deu origem ao texto do dramaturgo inglês Nick Payne. Ao perder o pai, o autor buscou no conceito de multiversos a chance do falecido neste mundo estar vivendo em outras dimensões.

Gabriela vive Marianne, uma cosmóloga que sofre com um tumor no cérebro. Sua curiosa relação com um apicultor Roland é uma das possibilidades apresentadas na montagem. “Ela é uma estudiosa e pesquisadora, entende e acredita que possa haver outras dimensões e que nelas há outras versões de nós”, explica.

Roland, interpretado por Ciocler vai na contramão. “Ele é um homem racional, pé no chão, que lida com questões práticas do seu dia a dia como o cuidado das abelhas e do mel”, conta. 

Mas apesar de tão diferentes, o diretor Ulysses Cruz aponta que as semelhanças entre o homem e a mulher são tão claras quanto estrelas. “Eles não são sujeitos com traquejo”, afirma. “Passam longe de ser artistas, e ainda que ela seja uma intelectual, sua especialidade a coloca dentro de um mundinho.” Ao que Gabriela completa: “São grandes desajustados.”

No cenário, todos esses eventos ganham a expansão que contém o universo. Segundo Cruz, a dramaturgia não traz rubricas, o que permitiu instalar no palco uma plataforma quadrada presa ao chão e amarrada por quatro cordas, um conjunto pronto para flutuar na iluminação de Domingos Quintiliano. “Um cenário realista não seria tão interessante porque sem essa temática que aposta em coisas imprecisas e em cenas que se repetem e se acumulam, a peça seria apenas mais um drama romântico. Então buscamos criar um não lugar, que pudesse tocar o assunto o qual estamos discutindo”, diz o diretor.

Diferentemente da relação inusitada de Marianne e Roland, a atriz convidou Ciocler para contracenar com ela após assisti-lo no espetáculo A Tragédia Latino-Americana, de Felipe Hirsch, que se apresenta nesse sábado, 11, e domingo, 12, no Festival Adelante, na Alemanha. 

Por essa ocasião, o ator Sergio Mastropasqua vai alternar com Ciocler o papel do apicultor. Isso coloca a peça e a dupla em mais uma relação de sincronicidade. Há três anos, Mastropasqua havia produzido Universos, a primeira versão brasileira da peça, feita com o Teatro do Núcleo Experimental, de Zé Henrique de Paula.

E antes, em 1996, contracenou com Ciocler no espetáculo Mary Stuart, direção de Gabriel Villela. “Naquela época tive contato com o texto como produtor, e hoje estou no palco. Isso demonstra uma infinidade de caminhos, que sempre se cruzam”, afirma.

CONSTELAÇÕES. Sesc Santana. Avenida Luiz Dumont Vilares, 579. 6ª, sáb., 21h, dom., 18h. R$ 40 / R$ 20. 

Estreia hoje, 10. Até 19/3. 

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