Judy McLane como Donna Sheridan, na peça 'Mamma Mia!'. Foto: Joan Marcus via The New York Times
Judy McLane como Donna Sheridan, na peça 'Mamma Mia!'. Foto: Joan Marcus via The New York Times

'Mamma Mia!', musical do ABBA na Broadway, chega próximo ao fim

Depois de 14 anos consecutivos em cartaz, espetáculo tem no dia 12 de setembro uma data para acabar; veja melhores momentos

Mark Kennedy, AP

17 de agosto de 2015 | 11h49

NOVA YORK - O fim está próximo. Está cada vez mais perto o dia em que a batida disco silenciará na Broadway. No dia 12 de setembro, chegarão ao fim as apresentações de Mamma Mia!, o musical do ABBA, depois de 14 anos consecutivos, com o balé final e as boas sensações que ele transmite, o oitavo espetáculo em maior número de apresentações da história da Broadway. Poucas pessoas sentem emoções, doces e amargas ao mesmo tempo, tão profundas quanto Judy McLane, a super trooper do espetáculo.

Ela está em cena há cerca de 11 anos; nos últimos três, está no papel da heroína, Donna. “Não sei ao certo como será a minha vida depois de Mamma Mia!”, ela diz no seu camarim. “Tenho certeza de que terei um período de luto. Não tenho dúvidas”. Mamma Mia! passou por um bocado de coisas durante sua longa vida - guerras, furacões, o derretimento financeiro de 2008, a mudança para um teatro menor e os críticos, que nunca cederam à doçura de um espetáculo capaz de produzir uma enorme energia.

Sucesso em Londres, estreou em Nova York poucas semanas depois dos ataques terroristas de 2001, não sem certa ansiedade. Mas os nova-iorquinos mostraram ser como qualquer outro público. O show, com mais de 20 clássicos do grupo ABBA, inclusive Dancing Queen e Waterloo, estourou em dezenas de países, entre eles Coreia do Sul, Itália, Dinamarca, África do Sul e Espanha. “Quando todos perguntam: ‘Por que este espetáculo funciona?’ respondo: ‘É um antidepressivo’”, diz Judy. “Não tomem remédios. Venham assistir ao nosso show”.

Ao longo dos anos, nos bastidores formaram-se casais, as pessoas casaram e tiveram filhos. A supervisora do guarda-roupa mandou seu filho para a universidade graças à estabilidade do emprego. O elenco e toda a equipe técnica marcaram o tempo com chás de bebê, aniversários e festas. Durante a Olimpíada, eles realizaram suas próprias competições nos bastidores; a cada ano, há um concurso de decoração das portas em que o juiz é uma celebridade.

“Este show não se parece com nenhum outro do qual eu participei. É uma verdadeira família, muito mais do que experimentei em qualquer outro”, dis Judy. “Vou sentir falta do dia a dia”. O camarim de Judy no Broadhurst Theatre tem uma máquina de café expresso, fotos de família e uma tabuleta com o slogan “Ame o que está à sua frente amando o que você viveu antes”.

Sobre o espelho há três fotos que ela tirou na África: um hipopótamo, um grou de asas vermelhas e bico azulado e um leão. Antes de cada apresentação, ela ajuda a distribuir cartõezinhos com mensagens de uma única palavra, para que sirva de inspiração a cada um dos que ficam nos bastidores.

“É a minha maneira de ser uma líder desta companhia, de ter contato com cada um”, afirma. Judy começou a participar do show em 2004, num momento de crise pessoal. Teve de faltar ao primeiro ensaio porque foi ao tribunal para o julgamento do divórcio. Mas o musical a ajudou a tirar o ex-marido do apartamento e a abrir suas asas. “Graças ao emprego, comecei uma nova vida”, afirma emocionada. “Sinceramente, estou muito agradecida por isto. Voltei a ter confiança em mim mesma e descobri quem eu era”.

Ela começou como o personagem de Tanya, uma amiga rica da heroína, e ficou com o papel por sete anos e meio. Há três anos, ela recebeu o papel principal, o de Donna. Ao todo fez 4 mil espetáculos. “Sempre me senti orgulhosa por entrar no palco e fazer com que cada noite fosse como a da primeira apresentação”, diz. “Por causa disso, consegui me tornar uma atriz melhor”.

Nina Lannan, a gerente geral do espetáculo, atribui o sucesso do musical à alegria que transmite ao público, à trilha sonora espetacular, ao fato de celebrar a segunda chance e por se ambientar numa ilha grega. “Acho que os musicais de maior sucesso conseguem fazer o espectador sair do cotidiano para uma espécie de fantasia”, afirma. “Phantom é de fato um lugar de fantasia. Wicked também, assim como O Rei Leão. Em certo sentido, Mamma Mia! também”.

Quando o espetáculo terminar, Judy tem planos para umas férias há muito necessárias. Ela quer também retomar os laços com amigos e familiares. “Preciso sair e jantar às 8 da noite, e tomar um copo de vinho tinto”, afirma, rindo. O cronograma pesado da Broadway teve seu preço. Judy faz terapia todas as semanas, tem aula de pilates e faz alongamento depois de cada show. Também descobriu o poder de uma soneca de 20 minutos. “Virei adepta da soneca. Não tinha ideia”, diz.

Embora ainda não tenha um novo emprego em vista, ela gostaria de gravar um CD de novas músicas e standards: “Espero poder cantar outra música por algum tempo”. Mas, antes de mais nada, ela e o cast se preparam para o último espetáculo de Mamma Mia!, algo extremamente privado, para os antigos atores, que promete ser uma montanha russa emocional. “Não consigo imaginar a energia que haverá neste teatro”, observa. “Não sei como lideremos com isto sem que nossa cabeça exploda”. Tradução de Anna Capovilla

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