Cirque du Soleil
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Make-up designer do Cirque du Soleil fala da criação de 'Amaluna'

Eleni Uranis integra a companhia desde 1989 e conta como foi criar o universo visual do espetáculo mais feminista da companhia

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 05h00

Quem vê os artistas pulando de um lado para o outro nos espetáculos do Cirque du Soleil não imagina, mas a ideia de uma “maquiagem básica para o trabalho” não tem o mesmo significado para eles. Não é só o vigor desses atletas que precisa permanecer até o fim de cada apresentação de Amaluna, novo espetáculo da companhia canadense, em cartaz no Parque Villa-Lobos. Os números de resistência começam antes mesmo dos artistas pisarem no palco, com a equipe que cuida da caracterização, entre elas, a make-up designer Eleni Uranis, que integra o time da companhia desde 1989, e que já participou de seis produções do Cirque du Soleil.

Amaluna é inspirada na última peça de Shakespeare, A Tempestade, e ganha versão feminista com uma ilha mágica habitada por mulheres. “A história dá direção enquanto tento entender o caráter de cada personagem”, conta Eleni. Ela explica que definir o perfil psicológico de cada figura é o começo do que eles serão visualmente, como foi com a rainha Próspera, uma maga que provoca uma grande tempestade ao redor da ilha, atraindo um grupo de navegantes, de sua filha Miranda e do ser meio homem, meio lagarto chamado Cali. “Trabalhamos juntos com os figurinistas para nos certificar de que a criação se encaixa na história que vamos contar.”

Para esse show, a inspiração veio do universo mitológico e das heroínas. “As cores e os figurinos passam por uma estética tribal, e são identificados por meio de pinturas corporais, tatuagens, escarificações, joias e outros enfeites”, conta a maquiadora.

Com os desenhos prontos, o próximo passo é realizar testes em cada performer até a aprovação do melhor resultado pelos diretores. “Eu faço uma média de três experimentos em cada pessoa, para conseguir a aparência mais interessante.” Assim, cada detalhe é feito para durar os 130 minutos de números de saltos e equilíbrio que já foram vistos por mais de 30 cidades e quatro milhões de pessoas. Eleni acrescenta que a fisicalidade do show não pode ser um obstáculo para a composição das maquiagens, deve ser a solução. “Os artistas transpiram muito, então, a técnica que usamos para aplicar a maquiagem é reforçar o aspecto teatral, o que significa que podemos usar bases em cor creme, para cobertura, seguido de pó translúcido aplicado em todo o rosto. Em seguida, voltamos com as mesmas cores em pó, como sombras ou blushes para intensificar.”

Outro detalhe é que tudo é feito para ser visto à distância. Então, a equipe deve considerar que a pessoa na última fileira da plateia precisa enxergar tudo com clareza. “Às vezes, a maquiagem parece muito boa de perto, em uma foto ou no palco, mas, a uma certa distância, ela deixa de funcionar, porque distorce a identidade do personagem.”

Em seguida, um registro em foto é feito de todos os artistas, que servirá como modelo de cada figura, junto com um treinamento. Na prática, conta Eleni, todos os performers têm que saber fazer a própria maquiagem até a estreia do espetáculo. “Quando estão aprendendo, eles levam até duas horas, mas, com o tempo, esse processo dura de 35 minutos a uma hora. Então, nosso trabalho está finalizado e voltamos para o estúdio para desenvolver os próximos projetos da companhia.”

AMALUNA. Parque Villa-Lobos. Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2.001. 3ª a 6ª, 21h; sáb., 17h30 e 21h; dom., 16h e 19h30. Até 17/12. R$ 125 / R$ 450.

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