Tiago Queiroz/ Estadão
No zoo: os amigos Glória, Alex e Marty quando decidem partir em busca da liberdade Tiago Queiroz/ Estadão

‘Madagascar, Uma Aventura Musical’ aposta nos principais conceitos da animação da DreamWorks 

Espetáculo faz ode a amizade e traz o mesmo tom aventureiro do filme, que tornou os quatro amigos do zoológico mundialmente famosos

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2019 | 06h00

Basta mencionar a história dos quatro animais que fogem do zoológico de Nova York em busca da descoberta do mundo além dos muros para que se lembre de Madagascar, festejada animação que a DreamWorks lançou em 2005 e que se desdobrou em quatro filmes. “O segredo do sucesso é justamente uma mensagem que, nos dias atuais, até faz mais sentido: a busca pela liberdade e o valor da amizade”, comenta Renata Borges, diretora executiva da Touché Entretenimento e produtora de Madagascar – Uma Aventura Musical, que estreia na sexta-feira, 11, no Theatro Net São Paulo, no shopping Vila Olímpia.

Trata-se da divertida história de quatro amigos – a Zebra Marty, o Leão Alex, Glória (um hipopótamo fêmea) e Melman (uma girafa macho) – que, acompanhados de quatro pinguins, embarcam em um navio e acabam acidentalmente na ilha da África Oriental. “Para além da aventura, está a história de quatro seres totalmente distintos que deixam o conforto do local onde vivem para descobrir outras opções do mundo – e, só conseguem isso, se ficarem unidos, mesmo sendo animais que normalmente não viveriam juntos”, observa Marllos Silva, que assume pela primeira vez a direção de um grande espetáculo.

Sua concepção de encenação se baseia principalmente na interpretação. “Claro que o musical tem um aspecto de show, mas fiquei mais interessado em apostar na contradição dos personagens e também dos ambientes onde se passa a história, Nova York e Madagascar”, explica.

A produção brasileira tem total liberdade criativa, ainda que se baseie na adaptação feita por Kevin Del Aguila, com músicas originais e letras de George Noriega e Joel Someillan. “Estamos sendo fiéis ao original, mas com o nosso tempero brasileiro. Quando se faz uma versão, algumas piadas perdem a força e, para que elas voltem a fazer sentido dentro da história, nós as adaptamos para a nossa cultura. Nossas referências estão presentes no estilo de interpretação, nas coreografias e na forma como os personagens são construídos”, conta o diretor.

Entre as várias medidas para esta montagem, está a criação de uma Overture, aquela canção de abertura que serve para anunciar o início do espetáculo e que reúne trechos das várias canções que serão apresentadas ao longo da história. “O original já começa com a história rolando, mas preferimos colocar essa abertura que já vai ambientando o público.”

 

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Elenco estudou movimento animal, cujo perfil é reproduzido pelos figurinos

Atores da peça passaram por um verdadeiro processo de descoberta, enquanto aprendiam como interpretar os famosos bichos do filme

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2019 | 06h00

Um dos grandes desafios de Madagascar, Uma Aventura Musical é a caracterização do elenco. Os mais de 60 figurinos criados por Fause Haten se inspiram no perfil dos personagens apresentados pela animação. “Eu busquei que os atores se transfigurassem nos animais – para isso, criei um corpo específico para cada um”, conta Haten que, além de tecido, utilizou espuma para dar o enchimento necessário para que cada um tivesse o perfil adequado de seu personagem.

E o processo foi realmente de descoberta: no ensaio acompanhado pelo Estado, na terça-feira, 8,o ator André Loddi, que vive o leão Alex, pediu um ajuste do figurino na sua perna esquerda, pois ele estava com dificuldade em reproduzir alguns gestos do felino.

 

“O efeito visual de todas as caracterizações é fantástico, apenas estamos descobrindo detalhes que, depois de acertados, facilitam nossa atuação”, conta ele que, neste mesmo processo, viveu outra adaptação: interpretar com uma cauda. “Quando começamos os ensaios, ainda não havia figurino, portanto, eu reproduzia os movimentos básicos. Agora, já caracterizado, fui aprendendo a mexer a fim de que a cauda não mexesse demais ou mesmo que atrapalhasse meus próprios movimentos.”

Situação semelhante é vivenciada por Lucas Cândido, que interpreta o frenético Rei Julien, monarca que comanda a selva em Madagascar – é ele quem canta, por exemplo, um dos hits do musical, Eu Me Remexo Muito, que, durante as apresentações, será acompanhado pela plateia, que vai ganhar bastões coloridos para marcar o ritmo. “A adaptação aconteceu aos poucos, especialmente para executar a coreografia, que é ágil, com a cauda”, disse Cândido.

“Todos nós ganhamos um segundo corpo, que veio com exigências específicas”, explica Ludmillah Anjos, que vive Glória, a hipopótamo fêmea. “No início do processo, era difícil manter a concentração para cantar, pois havia outros problemas para resolver. Para isso, contamos com o auxílio da Inês Aranha.”

Ela se refere à preparadora de elenco, que detalhou um projeto de movimento para cada ator. “Fomos incentivados a pesquisar detalhes sobre seu bicho, especialmente a forma de andar”, lembra Mauricio Xavier, que trouxe um tom brasileiro à sua zebra Marty. “Na minha coreografia, puxo mais para o funk, que é um ritmo muito popular no Brasil.” 

Ivan Parente, intérprete da girafa Melman, se solucionou com uma certa facilidade a necessidade de mudança de seu figurino (a estrutura que usa na cabeça limitava a movimentação de sua boca), a aventura foi desvendar a alma de seu personagem. “Quando a Inês nos incentivou a pesquisar sobre nossos personagens, logo vi que a girafa é um bicho blasé, sempre mascando devagar, passos vagarosos, sempre olhando literalmente de cima o que acontece ao redor”, diverte-se. “Assim, Melman tem um ritmo próprio, devagarzinho, além de ser hipocondríaco, como acontece no desenho.”

A liberdade na atuação também se espalhou para outros pontos criativos do espetáculo – como a criação do cenário, assinado pela produtora Renata Borges, que pela primeira vez exerce o trabalho de cenógrafa. “Não tenho experiência, mas sempre gostei de palpitar”, diverte-se ela, que uniu alta tecnologia com cenários físicos, como a instalação de um grande painel de LED, de 50m², no qual são exibidos mais de 30 microfilmes ajudarão a ambientar as cenas, desde o zoo até a floresta de Madagascar.

A cenografia foi produzida quase na totalidade na China. “Teremos ainda alguns puppets, que dão uma dinâmica visual ao espetáculo. Busquei o que seria viável para que os atores não ficassem cansados ao manipular”, explica Renata, que recriou ainda uma das entradas do zoo do Central Park.

 

SERVIÇO

MADAGASCAR, UMA AVENTURA MUSICAL

THEATRO NET SP. SHOPPING VILA OLÍMPIA. RUA OLIMPÍADAS, 360 - 5º ANDAR.

6ª, 20H30. SÁB. E DOM., 15H E 18H.

R$ 70 / R$ 150. ATÉ 1/12 

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‘Somos fiéis ao original, mas com nosso tempero’, diz Marllos Silva

Diretor do espetáculo 'Madagascar - Uma Aventura Musical', falou sobre a diferença entre as versões e apresentou um pouco do que será levado ao público

Entrevista com

Marllos Silva

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2019 | 06h00

Sem medo de ousar. É assim que Marllos Silva dirigiu, ao lado da produtora Renata Borges, a adaptação brasileira de Madagascar - Uma Aventura Musical, peça inspirada no famoso desenho da DreamWorks. O diretor, que assume pela primeira vez as rédeas de um espetáculo deste porte, concedeu entrevista ao Estado, onde aproveitou para destacar as principais diferenças entre as versões e falar um pouco sobre as novidades que serão apresentadas ao público na montagem brasileira do espetáculo. 

 

Ubiratan Brasil - A versão brasileira não segue a cartilha do original estrangeiro?

Marllos Silva - Estamos sendo fiéis ao original, mas com o nosso tempero brasileiro. Tanto que nossa versão terá cerca de 75 minutos, enquanto a original se aproxima de 60 minutos.

 

E o que tem de original?

Para começar, criamos uma abertura, a Overture, antes de iniciar a história. Também buscamos abrasileirar alguns detalhes, como na coreografia, que tem funk e toques de Carmen Miranda.

 

E os figurinos de Fause Haten?

São uma experiência à parte e foram concebidos após muitos testes para encontrar a melhor solução a cada um dos animais. Melman, por exemplo, é um projeto de 2,75 m de altura.

 

Também a maquiagem.

Anderson Bueno criou uma maquiagem artística pouco utilizada no teatro musical, algo parecido ao usado pelo Cirque du Soleil. 

 

 

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Animação 'Madagascar' mostra embate entre instinto e civilização

Com diálogos sofisticados, filme desperta a curiosidade de quem o assiste por não apresentar um vilão evidente

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2019 | 06h00

Quando estreou, em 2005, a animação Madagascar dividiu opiniões – apesar da simpatia despertada pelos quatro animais que fogem do zoológico onde vivem em busca de sua terra natural, críticos reclamaram: depois do sucesso de animações como Procurando Nemo e Os Incríveis, ambos da Pixar, não bastavam desenhos de computador ou astros dublando bichinhos para ganhar as plateias.

Mesmo assim, Madagascar oferecia, na época, uma certa sofisticação no roteiro que só seria mais rotineiro anos depois, em filmes como Divertida Mente (2015). Exemplo? Um diálogo travado entre dois macacos, em que um deles diz que Tom Wolfe, o autor do livro A Fogueira das Vaidades (que não é identificado como tal, nem por qualquer outra obra) vai se apresentar num teatro e o outro retruca “Oba, vamos jogar cocô nele”.

Outro detalhe que diferencia o desenho dirigido por Tom McGrath e Eric Darnell (de Formiguinhaz), entre outros, é a ausência de um vilão evidente: não há um humano ou um bicho que assuma tal papel. Os mais próximos dessa função são os pinguins, cuja ironia e falta de escrúpulo são tão cativantes que acaba aliviando a raiva que vilões normalmente despertariam no público.

Em outros momentos, até mesmo o protagonista, o leão Alex, ameaça assumir a função de personagem do mal – basta lembrar da cena (presente também no musical) que mostra o rei dos animais descansando quando seu instinto começa a se impor, ou seja, surge uma imensa vontade de comer carne. A situação complica quando Alex é atormentado por uma alucinação que o faz ver bifes apetitosos voarem ao redor de sua cabeça (divertido momento também presente no musical brasileiro, que utiliza uma grande tela de LED).

Tomado pelo desejo, ele quase ataca um amigo, a zebra Marty. “No momento em que percebe que vai atacar alguém que ele gosta, Alex recua e evita a tragédia. Esse é um dos grandes momentos da animação – e também do musical –, pois revela como aquele grupo de animais privilegia a amizade”, observa Renata Borges, produtora do espetáculo brasileiro, referindo-se ao apelo selvagem que marca a história, o embate entre instinto e civilização.

“Madagascar fala da busca de um sonho, da importância da amizade e da família e, principalmente, do respeito ao próximo e sobre aceitar as diferenças. São temas que devem sempre ser pauta de uma sociedade”, explica o diretor Marllos Silva

 

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