MARCIO FERNANDES|ESTADÃO
MARCIO FERNANDES|ESTADÃO

Leopoldo Pacheco e Regiane Alves vivem casal em relação destrutiva

'Para Tão Longo Amor', de Maria Adelaide Amaral, inaugura novo espaço teatral na cidade

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 05h00

São dos versos de Luís de Camões que surgiu o título do espetáculo Para Tão Longo Amor, com dramaturgia de Maria Adelaide Amaral e estrelado por Leopoldo Pacheco e Regiane Alves. A montagem que estreia na próxima sexta, 20, também marca a abertura do novo Teatro Morumbi Shopping.

O trecho retoma o episódio bíblico em que Raquel é prometida a Jacó, após o jovem prestar sete anos de serviços a Labão, pai da moça. Mas ele é enganado pelo patrão, que oferece a irmã mais velha de Raquel. Sem desistir, Jacó trabalha mais sete anos a fim de casar com a mulher desejada. “Mais servira, se não fora para tão longo amor tão curta a vida!”, recita a dramaturga.

A montagem traz o relacionamento conturbado entre Fernando, um renomado editor de livros, e Raquel, uma jovem e intempestiva poeta. O casal apaixonado está na fase de brigas e discussões, o que a autora chama de “amor assimétrico”. “Embora pareça ser uma relação muito complementar, porque ambos se atraem pelo amor à literatura, aos poucos isso instaura um clima de destruição. Ele se amam, mas é um amor violento”, conta.

Fernando vê em Raquel a juventude e a moça sente-se segura com o editor. “Ela é transgressora na sua arte e com ela mesma, além do que eles têm uma vida sexual intensa. É um encontro carnal e de ideias”, explica Pacheco. A poeta bebe constantemente e o ciúme de Fernando se mostra uma mistura perigosa. “Ela cultiva uma vontade de se matar e isso faz Fernando sofrer. O caminho deles é muito doentio e eles vão até o limite para perceber qual o momento em que ele precisa liberá-la. O que é muito doloroso”, explica Regiane.

Yara de Novaes, que dirige o espetáculo, ressalta que o conceito tradicional de amor romântico traz consigo uma grande armadilha. “São relacionamentos predatórios, guiados por ciúmes e competições.” Ela acrescenta que esse sentimento esteve presente, recentemente, no cenário político do Brasil. “Foi o tipo de amor declarado no Congresso. Em nome de Deus, da família e do Brasil. É um sentimento ultrajante e reacionário.”

No texto de Maria Adelaide, o conflito é acentuado pelo choque entre passado e presente. Para compor esses encontros no palco, o cenário de André Cortez dispõe de uma fileira de armários com portas revestidas, que revelam superfícies novas de um lado, e, de outro, está tudo antigo e estragado. Os personagens entram e saem pelas portas, além de imagens do casal que são projetadas. “É como um claustro, eles se vigiam e estão sendo vigiados”, afirma Yara. Ainda assim, o jogo está nas mãos dos atores. “Em um momento, Fernando está fazendo carinho em Raquel, depois eles começam a brigar porque ela está bêbada. São rápidas mudanças de estado e isso é muito desafiante para o ator”, completa Pacheco.

Estrutura. O Teatro Morumbi Shopping, com área total de 630 m², foi projetado para acomodar 250 pessoas e dispõe de três poltronas para obesos, cinco espaços para cadeiras de rodas na primeira fileira e três poltronas para pessoas com necessidades especiais. A área externa tem ainda foyer, café e bilheteria.

O local já dispunha de uma área destinada a um teatro, que aguardava apenas por operadores. Com a entrada da produtora PadRok, a ideia é que a casa receba programação eclética nos segmentos teatro, música, humor e teatro infantil. Além da estreia de Para Tão Longo Amor, já estão confirmados na programação espetáculos do Grupo Barbatuques e da Cia Le Plat du Jour, que realizará um Festival de Férias em julho.

PARA TÃO LONGO AMOR. Teatro Morumbi Shopping. Av. Roque Petroni Júnior, 1.089, tel. 5183-2800. 6ª, sáb., 21h; dom., 19h. R$ 70. Estreia 20/5. Até 31/7.

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