Rachel Guedes/Divulgação
Rachel Guedes/Divulgação

Leia frases do ator e diretor Antonio Abujamra

Abu morreu nesta terça-feira, 28, aos 82 anos

O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 11h34

Antonio Abujamra morreu nesta terça-feira, 28, aos 82 anos. Diretor, ator e apresentador, Abu nasceu na cidade de Ourinhos, em 15 de setembro de 1932, e sempre teve como marca a forma crítica e irônica de analisar a sociedade. Abaixo, algumas frases dele, confira.

“Sou o rei da periferia. É uma plateia que não tem a arrogância da Augusta, a arrogância da Paulista, o que tem é uma liberdade.

"João Cabral de Melo Neto é a pessoa mais importante na poesia brasileira pra mim. Estive na casa dele em Marselha, fiquei 28 dias aprendi mais poesia do que 50 anos de universidade brasileira. É uma das pessoas que realmente impressionaram pela qualidade, pela beleza, pelo saber fazer, por ensinar você a olhar, a escutar, que nunca tem nada bem terminado, terminar bem é uma arte muito difícil. O camarada que escreve um poema e pega um verso, guarda na gaveta, fecha, e só pega seis meses depois pra ver se aquele verso ainda cabe no poema dele. É uma coisa sensacional."


“Britar pedras é pior do que fazer teatro. Então eu quis fazer teatro porque é mais fácil pra mim porque eu não sei britar pedras.

“Eu tive mais de cem fracassos e pra mim não tem a mínima importância. Para um artista o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.

“Eu ando na rua vejo o nome do fulano de tal, me pergunto quem será. Eu vou morrer vai ter tabuleta na tabacaria, vai cair a tabuleta, vai cair o dono da rua, vai cair tudo. Não quero deixar nada.

“A palavra importante não existe pra mim. Eu proíbo a palavra importante, eu proíbo a palavra humano, a barbárie tem o rosto humano, então eu não preciso usar, proíbo a palavra “eu acho”. O achismo é uma bobagem. Eu não sou o que vocês querem. “

Hoje eu faço o que quero. Não sou mais pautado, me pauto quando quero. Se é fácil ou difícil não sei. Sempre é uma complicação fazer qualquer coisa cultural no Brasil. A educação é uma merda. A internet está aí, ninguém sabe ensinar mais. Ninguém sabe nada sobre educação. Só piora desde que eu me conheço.

“Todo artista tem que ter uma postura política. Não tem jeito de o artista fazer qualquer coisa em arte sem ter uma visão política.

“Eu fui um imbecil quando diretor. Diretor tem que ter regras, soluções, ter rigor, tem que ser chato, já o ator não. O palco tem um lugar escuro que o diretor não entra. O palco é do ator. Eu quero ser ator, brilhar, ser pavão. Eu dirigi 43 anos, fui um imbecil. O negócio é ser ator.

“Eu gosto de Bresson, de Truffaut, do Hitchcock e de todos que fazem cinema eu adoro porque acho que são uns babacas todos. Levam cinco anos para fazer um filme e eu fracasso em dez peças em cinco anos.

"Em onze anos fazendo esse programa, já entrevistei mais ou menos 500 pessoas, você não pode dizer que eles tinham medo de estar lá comigo. Eles saem apaixonados. Ninguém sai triste e irritado comigo.

"A felicidade é uma ideia velha, cada dia nascem mais pessoas burras, sempre assim.

"Nada é fácil ao fazer teatro. É preciso ter talento e principalmente vocação que dá essa assuidade. Alguns se jogam acalorados, perdendo o domínio das emoções, a consciência dos efeitos. E isso não é a verdadeira interpretação.

"É preciso ter sempre mão, os livros de João Cabral de Melo Neto que ensina como fazer um gesto com a mão suave e sentida, como um toureiro diante da fera.

"O Teatro é uma Baleia maior que a Moby Dick . Cabe tudo em teatro. O que é preciso é decidir o que fazer, eu não aconselho mais. Façam o que quiserem, enforquem-se na corda da liberdade. Assim o teatro fica infinito e com o cunho trágico para a comédia...

“Sou um ator. Tenho que fazer televisão, cinema, teatro. Todos sabem que os Hipermercados cobram também dos artistas. A preferência é sempre o teatro que é a fornalha do ator. O resto é executar.

“Foi um sucesso extravagante. Feito em 1989 e até agora o Ravengar passeia pelas ruas. Não tem explicação.

"A televisão hoje deveria deixar de trazer só a estética da pobreza. Mas não é fácil. Adquirir um conceito não é fácil. Por isso, é triste ver tantas mediocridades no meio da televisão.

Sobre ele mesmo

"É uma experiência que não deu certo. Talvez daqui a 10 mil anos dê certo.

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