Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Jô Soares questiona governo e defende ofício dos artistas brasileiros

'O Brasil não pode ter uma guinada tão violenta rumo à ignorância ', disse o artista na edição Prêmio Shell 2019

Leandro, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 03h17

A chuva que sempre atinge a Estação São Paulo, nesta época do ano, marcou a edição Prêmio Shell 2019, que celebrou, ontem, 20, os melhores do teatro paulista e ainda homenageou Jô Soares. “O Brasil não pode ter uma guinada tão violenta rumo à ignorância”, disse.

Na premiação, os artistas defenderam o trabalho artístico no País. “Não somos enfeite”, disse o ilustrador Guazzelli, que venceu na categoria cenário, pelo espetáculo Os Três Mundos, ao lado do coletivo Bijari e Marisa Bentivegna.

Para o diretor de Um Panorama Visto da Ponte, Zé  Henrique de Paula, o teatro precisa olhar para os mais necessitados. “O título da peça de Arthur Miller sugere um olhar a partir do ponte do Brooklin de onde se vê tudo. Todos que estamos aqui somos privilegiados. As pessoas menos privilegiadas nesse país correm perigo. Precisamos fazer algo por elas.” 

Na peça, Eddie Carbone (Rodrigo Lombardi) recebe dois primos imigrantes que passam a viver ilegalmente nos Estados Unidos. A ação se passa em Nova York e é narrada pelo advogado Alfiere, papel de Sergio Mamberti. “Hoje eu poderia encerrar meu trabalho por já ter trabalhado com Sergio”, comentou o diretor.

A atriz Chris Couto se surpreendeu com o prêmio por sua interpretação em A Milionária, texto de Bernard Shaw. “Faço teatro há 40 anos, nunca fui indicada e hoje ganhei.” 

Durante a cerimônia, a carreira de Jô Soares foi relembrada e, emocionado, o homenageado lembrou de uma frase de Millôr Fernandes. “Ele disse que um país só tem progresso se investir em cultura e tecnologia de ponta.”

Jô também desmentiu boatos de que tenha recebido recursos da Lei Rouanet. Aos 81 anos, ele defende que o caminho da arte e dos artistas brasileiros é o de continuar resistindo. “Um amigo dizia que o Brasil é um rio, e isso passa. Mas precisamos de um barco muito forte. Eu peguei duas ditaduras. Uma tive de jogar meus livros no lago do Ibirapuera porque tinha vermelho no título, para ver onde vai a paranoia. Isso tem de passar. A gente tem de remar mesmo que seja contra a corrente.”

Confira a lista completa:

Iluminação 

Domingo Quintiliano por Casa de bonecas parte 2

Figurino

Jorge Farjalla por Senhora dos Afogados 

Música 

Babaya e Marco França por Estado de Sítio

Cenário

Os Três Mundos por Coletivo Bijari 

Inovação 

Instituto Paideia 

Dramaturgia 

Marcos damasceno por Homem ao Vento 

Direção 

Zé henrique de Paula por Panorama Visto da Ponte

Ator

Gilberto Gawronski por A Ira de Narciso

Atriz

Cris Couto por A milionária

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.