MARK BRENNER
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Jackson, Redgrave e o infinito

Não, não é lorota para falar da chamada melhor idade até porque elas mesmas dizem que agora, infelizmente, tudo dói.

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 05h47

Glenda Jackson e Vanessa Redgrave, oitentonas da pá virada, ficam melhores a cada dia. Tirando as coincidências básicas que a vida lhes deu – 82 anos cravados, inglesas e ativistas de primeira hora na política britânica –, as atrizes estão sacolejando as estruturas do teatro mundial com suas presenças nos palcos inglês e norte-americano.

Não, não é lorota para falar da chamada melhor idade até porque elas mesmas dizem que agora, infelizmente, tudo dói. Esta sim é uma lenga-lenga. Redgrave, mais uma vez, concorre domingo, 7, ao Olivier Awards de melhor atriz coadjuvante por The Inheritance. Jackson, que voltou a atuar em 2016 depois de 20 anos no parlamento britânico, não fez por menos.

DUAS MULHERES ALTAS 

Glenda Jackson volta ao teatro tomada por criatividade pura. Levou recentemente o Tony Award de melhor atriz por sua atuação em Três Mulheres Altas, de Edward Albee. Agora prepara-se para abrir a temporada de Rei Lear, do bom e velho Will Shakespeare, na Broadway – a estreia foi no Old Vic, Londres, 2016. Não é para qualquer uma. Poder e violência sendo tratados depois de uma longa jornada na política. É preciso acreditar em algo mais que acaso.  

 

E OUTRAS DUAS TAMBÉM 

Quem sabe, pergunta o incauto, coincidência? Óbvio que não. Trata-se de uma geração de mulheres imbatíveis no seu ofício. Prova disso, além de Jackson e Redgrave, são Magggie Smith e Eileen Atkins (concorre ao Olivier Awards de melhor atriz por The Height Of The Storm). Novamente, vamos lá: ambas com 84 anos e também inglesas. Uma geração incrível que tem formado novas gerações para continuar a lida diária no palco. Para as quatro dignas damas do teatro do bom e velho Will só nos resta oferecer o infinito.

  

MIGRANTES NA ÓPERA  

O poeta Geraldo Carneiro idealizou a ópera performática e escreveu os poemas do libreto de Migrações, que mistura música, dança e teatro com onda de migrações no planeta como centro das atenções. A direção é de Duda Maia, com música de Beto Villares. No palco estão Gabriela Geluda, soprano e atriz, e Gabriela Luiz, bailarina e atriz. Estreia quinta próxima, 11, no Mezanino do Sesc Copacabana. 

  

ELIAS IS ON THE TABLE 

O ator Elias Andreato é o centro de uma biografia a ser lançada segunda, 8, na Livraria Cultura, na Paulista. Escrita pelo jornalista Dirceu Alves Jr., A Máscara do Improvável é um relato corajoso do ator de sucessos como Artaud – O Espírito do Teatro, Hello Boy e Van Gogh. Corajoso porque abre sua vida, de amores a doenças, de medos à relação com dinheiro.

3 perguntas para Bel 

1. O que é ser atriz?

Persistência, pura persistência.

2. Com qual personagem se parece?

Sempre começo achando que a personagem é muito distante e termino achando que sou ela.

3. Frase arrebatadora?

“Se é agora, não será depois; se não for depois, será agora; e se não for agora, será a qualquer hora. Estar pronto é tudo”. Hamlet, de Shakespeare

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