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‘Hobs’ é morto de fama

Eric Hobsbawm morreu aos 95 e hoje goza de posição sem igual no panteão dos historiadores do mundo

João Cury, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2021 | 03h00

Trata-se de um morto de fama, daqueles que poderiam usar fraque, cartola e bengala. Quem sabe naquele longínquo cemitério Highgate, em Londres, só perca em notoriedade para Karl Marx e George Michael, dentre seus 170 mil vizinhos de tumba e eternidade. Mas o historiador Eric Hobsbawm (1917-2012) teria mais motivos para comemorar, caso ainda desfrutasse disso a que chamam vida. Acaba de ser lançado em Londres o documentário Eric Hobsbawm: The Consolations of History. Tem mais de onde saiu isso. A biografia Eric Hobsbawm – A Life in History, de Richard J. Evans, deve chegar ao Brasil ainda este ano.

GUERRAS E JAZZ 

Eric John Ernest Hobsbawm morreu aos 95 e hoje goza de posição sem igual no panteão dos historiadores do mundo. Claro, apesar de seu viés marxista. Ou justamente por conta dele e de sua preocupação com os desvalidos e a classe trabalhadora. O documentário de Anthony Wilks mostra o intelectual nascido numa Alexandria sob dominação britânica, desde os primeiros dias de vida e o caminho trilhado ao longo das décadas, das grandes guerras aos jazz clubs, anos 1950, no Soho. Não à toa, Hobsbawm dedicou parte de seus escritos ao jazz e à forma como o estilo se enquadrou na sociedade. Estão aí para provar História Social do Jazz (bit.ly/3h07G4n) e Pessoas Extraordinárias – Resistência, Rebelião e Jazz (bit.ly/3eWe7ml). O coração de Hobsbawm se escabujava por Billie Holiday.

Autor do filme, Wilks é produtor digital da London Review of Books e videomaker. Em quase uma hora e meia reuniu no documentário diversas entrevistas menos conhecidas do próprio Hobsbawm e também de seus colegas historiadores. Coloca fatos bem documentados, como o período em que Hobs, alistado, serve na área educacional do Exército. É neste momento que faz sua estreia no mundo do serviço secreto britânico, o MI5. Não como investigador, é óbvio, mas como investigado. Há entrevistas com vários colegas do historiador, como Frances Stonor Saunders, John Foot, Stefan Collini, Donald Sassoon e Richard J. Evans, além da viúva Marlene Hobsbawm. Aqui a versão integral do filme, por enquanto disponível sem restrições (youtu.be/wVQ4dfC34TI).

Teremos mais Hobsbawm em breve com a biografia escrita por Richard J. Evans (editora Planeta), prevista para junho, mês de nascimento do historiador. Ambos eram chapas. Evans, também historiador, joga luz na vida, na feitura da obra e vaticina sobre sua permanência. Rapaz de futuro e morto de fama, Hobs destaca-se como um humano que gostava mesmo era de escrever (amzn.to/3h3yO2K).

  

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS

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