Ronaldo Gutierrez
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Grupo Tapa encena o amor racional de Edward Albee

Clara Carvalho e Brian Penido são casal em ‘De Todas as Maneiras Que Há de Amar’, em novo espaço no Teatro Aliança Francesa

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 08h02

Antes que pudesse anunciar ao Estado a estreia da peça De Todas as Maneiras Que Há de Amar, o diretor Eduardo Tolentino de Araújo terminava a negociação dos direitos da peça Counting The Ways, de Edward Albee. “Eles pediram fotos dos atores, de corpo inteiro, perfil, rosto, detalhes do cenário e o texto em português”, lembra.

Quando foi ao palco pela primeira vez, em 1977, a peça que compõe o conjunto de esquetes e blecautes já antecedia a genialidade do dramaturgo norte-americano em relação própria História do teatro. 

Parte integrante das obras do “lado b” de Albee, The Counting Ways possui uma estrutura diferente das mais populares no Brasil como Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, Um Equilíbrio Delicado e até mesmo de A Cabra ou Quem É Sylvia?. “É possível dizer que essa peça é pré-pós-dramático”, aponta Tolentino. “Apesar do termo ter sido formulado décadas mais tarde, Albee já tinha ali um texto fragmentado, que não seguia uma ordem linear, além da inclusão de elementos pessoais na dramaturgia.”

Para uma estrutura ousada, o tema é mais universal: o amor. Na peça, Ele e Ela estão casados há mais de 25 anos e juntos têm a oportunidade de reaver o matrimônio e os detalhes da convivência, que se transformou através dos tempos. O componente da intimidade parece ser o motor para o humor desavergonhado de Albee, conta a atriz Clara Carvalho. “Tenho a impressão de que parece história em quadrinhos, dada a sua fragmentação.” Para Tolentino é semelhante à poesia japonesa. “São haicais em forma de teatro.”

Outro elemento importante, que guiou a escolha pela dramaturgia de Albee, encenada pela primeira vez pelo Grupo Tapa, é a trajetória da companhia pelo Teatro do Absurdo. Em 2019, o Teatro da Aliança Francesa recebeu temporadas de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, Uma Peça por Outra, de Jean Tardieu e As Criadas, de Jean Genet. “No Absurdo, não se faz a sequência, preocupado em empurrá-la para frente. Antes, o ator faz a cena, dando valor a ela”, explica o diretor. 

Ao lado de Clara, o ator Brian Penido interpreta o marido. Tal qual as personagens, ambos estiveram casados por anos. “Apesar de seguirmos nossas vidas”, conta a atriz. “A parceria artística prosseguiu. É um momento criativo, às vezes doído, mas muito bonito.”

A peça faz temporada na Sala Atelier, novo espaço para teatro na Aliança Francesa. No térreo, o teatro está com a temporada de Brincando com Fogo, de Strindberg, com montagem também do Tapa. “Queríamos começar o ano com duas temporadas centradas na discussão do amor e das relações pessoais”, conta o diretor. 

DE TODAS AS MANEIRAS QUE HÁ DE AMAR. TEATRO ALIANÇA FRANCESA. R. GENERAL JARDIM, 182. TEL.: 3572-2379. 6ª, 21H, SÁB. E DOM., 19H30. R$ 50 / R$ 25.  ATÉ 16/2. ESTREIA 6ª (24)

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