Grupo Galpão estreia ‘Outros’, peça que discute relações pessoais

Grupo Galpão estreia ‘Outros’, peça que discute relações pessoais

Novo espetáculo estreia nesta sexta, 19, em Belo Horizonte; os 10 atores em cena terão a tarefa de levar à plateia a questão da incapacidade ou da necessidade da escuta do silêncio

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 06h01

Um novo olhar para os espaços urbanos e uma reflexão sobre quem são os outros que nos cercam são resultados da interação entre música, dança e elementos da poesia presentes em Outros, a nova peça do Grupo Galpão, que estreia nesta sexta, 19, em Belo Horizonte. “Fomos muito para a rua, buscando o encontro com o outro que está ali, (a peça) fala muito sobre quem seria esse outro”, explica o ator Eduardo Moreira.

A produção, a segunda parceria entre Moreira e Márcio Abreu depois da peça Nós, de 2016, é uma dramaturgia própria do grupo, bastante musical. Os 10 atores em cena terão a tarefa de levar à plateia a “questão da incapacidade ou da necessidade da escuta do silêncio”, afirma Moreira.

Segundo Abreu, a poesia norteou seu processo criativo. “Existe uma maneira de como a gente lida com a língua e a palavra na peça, até chegar ao esgotamento da palavra e criar outras perspectivas de existência.” Para isso, como forma de laboratório para o espetáculo, o grupo realizou ensaios e vivências nas ruas, como performances no parque do Ipiranga. “Tivemos desafios no sentido de deslocá-los para algo inabitual. Foi um trabalho de muita pesquisa e muito vai e vem de criação dramatúrgica e ensaio”, acrescenta.

A peça chega num momento de grande importância sobre a necessidade de se olhar para as outras pessoas, segundo os dois companheiros de produção. “Isso nos remete a um impasse extremamente atual, que a gente vive no Brasil, mas também no mundo inteiro, da incapacidade de comunicação com o outro, essa indiferença. É preciso um resgate do encontro com o outro”, opina Moreira.

Para Abreu, essa não era a intenção inicial da peça, mas algo que foi se modelando com o passar do tempo de criação. “Evidentemente havia na base um conceito de como o acontecimento teatral se escreve radicalmente em seu tempo, como a gente transforma e propõe novas possibilidades a partir da consciência desse hoje, como a gente confia numa experiência artística miradas do futuro.”

“Existe uma espécie de esgotamento da palavra, não temos essa resposta (para a crise), mas o espetáculo reflete esse momento”, conclui Moreira.

Crise no setor artístico

A possibilidade de estrear uma peça em mais de uma cidade atualmente – Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo – é considerada pelos dois como um momento especial diante da crise vivida no setor artísticos, com companhias fechando ou interrompendo seus trabalhos por falta de verbas, por exemplo. 

“Representa a confirmação de que o lugar da arte na sociedade é vital para uma sociedade saudável, viva, o lugar da arte agora fica nitidamente em um dos mais importantes para a sobrevivência no sentido de humanidade, para que o pensamento e o conhecimento sejam preservados”, afirma Marcio Abreu.

“O Galpão é um ponto de resistência”, diz Moreira. “Estrear um trabalho neste momento é uma esperança, reafirma esse lugar do teatro, da arte, que é necessário num momento em que as pessoas estão se defendendo de todas as formas que podem.”

Mais conteúdo sobre:
Grupo Galpãoteatro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.