Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Grease – O Musical' atualiza a nostalgia da década de 1950

Espetáculo volta remodelado aos palcos de São Paulo, com grandes números de dança e música sobre juventude rebelde

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 05h00

Quando decidiu comandar uma nova versão de Grease – O Musical, o produtor e diretor Ricardo Marques sabia que precisava seguir à risca um preceito básico do espetáculo que estreou em 1971 em Chicago: o elenco deveria ter uma idade aproximada à de seus personagens, jovens de um colégio americano onde predominam amizades verdadeiras, hormônios em fúria, ciúmes mesquinhos e corridas de carrões. 

“Como a trama se passa nos anos 1950, ou seja, muito longe dos recursos tecnológicos de hoje, a relação pessoal e presencial se torna muito mais importante”, diz ele, que comanda o musical que estreia na sexta, 17, no Teatro Claro SP, com elenco de 23 atores notadamente jovem.

“Era o momento do pós-guerra, o que deixava aquela juventude ainda mais transgressora, em busca de uma outra realidade que a vivida por seus pais e avós”, observa o ator Robson Lima, que vive Danny Zuko, cuja arrogância nervosa lidera a gangue do Burguer Palace Boys, rapazes com jaquetas de couro e muito gel no cabelo como forma de afirmação. O papel foi consagrado por John Travolta na versão cinematográfica de muito sucesso, de 1978. Travolta, aliás participou da montagem original no teatro.

A história se passa na Califórnia de 1959 e Zuko volta das férias inebriado por uma garota que conheceu, a “boa menina” Sandy Dumbrowski. O que ele não espera é reencontrá-la como nova aluna de seu colégio, onde sua fama de durão não combina com a candura da garota. “Com o desprezo dele, Sandy se aproxima das Pink Ladies a fim de se enturmar e até abre mão de sua personalidade”, conta Luli, que vive a menina jovial. O grande lance da história é que Sandy deixará de lado a timidez e o conformismo para, no final, se impor. “Grease trata dessa quebra de padrões, de uma juventude que buscava justamente romper as regras.”

Gangue

De fato, o título do musical se inspira nos “greasers”, gangues de rua dos EUA que se tornaram populares graças à rebelião aos modos e costumes da época . No palco, isso é observado na facilidade com que os jovens bebem e fumam, além das relações pessoais mais próximas. “O valor do encontro, do toque, do beijo é muito valorizado, diferente do que acontece hoje”, comenta Júlio Oliveira, intérprete de Sonny, o garoto latino da gangue de Zucko.

E esse turbilhão de sentimentos é notada na atlética e vigorosa coreografia de Elcio Bonazzi que, em 17 números, transforma sensações em movimentos de tirar o fôlego. “Como se trata de um espetáculo novo, fomos descobrindo os caminhos à medida em que aconteciam os ensaios”, comenta ele. Explica-se: essa versão nacional de Grease segue os parâmetros da que estreou em Londres no dia 3 de maio, com novas canções e totalmente repaginada.

“É tudo muito recente: as músicas ganharam novos ritmos, mais rápidos, mas eram desconhecidas, fomos descobrindo sua estrutura aos poucos”, observa o diretor musical Paulo Nogueira. O que ajudou é o fato de Ricardo Marques também ser um dos produtores da montagem londrina, em seu projeto no West End que já conta com De Volta Para o Futuro – O Musical, em cartaz na capital inglesa. 

Travolta ganhou papel secundário na versão teatral 

O sucesso de Grease no cinema e no teatro (foi uma das mais longevas montagens da Broadway) dificilmente faz pensar que o espetáculo começou com um fracasso. Sua estreia foi em 1971, em Chicago, e, quando chegou em Nova York no ano seguinte, acumulava uma dívida de US$ 20 mil e críticas que iam de mistas a ruins. Assim, o fim da temporada parecia inevitável.

O espetáculo continuou graças à convicção do produtor Ken Waissman, apaixonado pela montagem amadora que assistiu em Chicago.

Waissman também participou da audição com 2 mil pessoas para a formação do elenco que participaria das montagens na Broadway e das turnês pelo país. E foi nessa preparação para excursionar que um ator de 18 anos fez um teste para o papel de Danny Zuko.

De jaqueta, camiseta branca, ele ajeitou o cabelo e cantou I Feel the Earth Move, de Carole King. “Foi uma audição totalmente errada, mas ele tinha uma voz fantástica, além de ser imensamente encantador”, recorda-se o diretor Tom Moore.

Era John Travolta. Ele ganhou um papel, mas não o de Danny mas de Doody, o personagem pateta. “Ele era muito jovem”, justifica Moore.

 

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