Caroline Biazotto
Caroline Biazotto

Grandes Pequeninos, projeto musical de Jair Oliveira, vira curso de teatro a convite da Broadway

O músico e a atriz Tania Khalill conversam com o 'Estadão' sobre as aulas, que começam no dia 31 de março

Luisa Paiva e Bárbara Correa, Especial para o Estadão

30 de março de 2021 | 15h00

O músico Jair Oliveira e a atriz Tania Khalill uniram talento e amor em um projeto familiar que começou com a chegada da primeira filha do casal, Isabela, em 2007. Hoje, o Grandes Pequeninos tem três álbuns, uma indicação ao Grammy Latino, canal no YouTube, espetáculo online e, a novidade deste ano, uma parceria inédita com a Broadway.

À convite da empresa teatral Go Broadway, de Nova York, o casal desenvolveu o projeto Grandes Pequeninos Broadway, um curso de teatro online para crianças de 2 a 12 anos, para ensinar de forma lúdica e divertida as técnicas de interpretação, dança e expressão vocal. 

É a primeira vez que a escola norte-americana produz conteúdo para o Brasil. Para isso, foram selecionados profissionais brasileiros, que trabalham em montagens na famosa avenida nova-iorquina, e treinados na metodologia da Broadway Kids para desenvolver as aulas, cada uma com uma peça musical como pano de fundo. 

Jair e Tania enriquecem o projeto com sua arte e são responsáveis por apresentar e costurar os vídeos de aproximadamente 20 minutos de duração. O curso estará disponível a partir do dia 31 de março na plataforma Sympla Play. O episódio piloto está disponível gratuitamente. 

Em entrevista ao Estadão, o casal conta como nasceu o projeto que transcende suas carreiras artísticas, sua transição para as plataformas digitais e os detalhes sobre o novo curso de teatro, essencial para trazer arte às crianças neste momento de pandemia.

Como nasceu o projeto Grandes Pequeninos? 

Jair Oliveira: O legal desse nosso projeto familiar, que é o Grandes Pequeninos, é que ele não nasceu como um projeto. Ele nasceu como um derivado desse amor gigante que a gente descobriu ao se transformar em pai e mãe. Quando a nossa primeira filha, a Isabella, chegou em casa em 2007, nós dois estávamos tão encantados com aquele ser iluminado, que a gente se entregou mesmo. 

Eu comecei a fazer canções para várias situações daquele momento: quando a gente ia dar banho, quando a Tania ia amamentar, para passear. Em um certo momento, a Tania falou: “Você já está com tantas músicas que valeria gravar um disco”. E aí, eu tomei a iniciativa de gravar esse disco, a gente lançou em 2009, e acabou sendo indicado ao Grammy Latino. Foi um negócio incrível.

A gente estava no processo de montar o espetáculo teatral, e percebeu que tinha material para transformar aquilo num projeto. Quando chegou a nossa filha Laura, em 2011, fizemos outro disco, outro espetáculo e estreamos o nosso canal no Youtube, que hoje  tem mais 350 mil inscritos, mais de 140 milhões de visualizações. E, recentemente, a gente lançou um terceiro disco, com o terceiro espetáculo, este online.  A gente comunica muito esse amor que temos em família através das redes [sociais] e, hoje em dia, acabou se transformando num projeto grande, paralelo a nossas carreiras de músico e atriz. 

Tania Khalill: O Grandes Pequeninos é uma paixão na nossa vida e vai além das nossas carreiras. A música chega de um jeito não doutrinador, mas que passa a mensagem sobre alimentação, natureza, respeito ao próximo, amor-próprio, sobre como a gente persiste na vida. As famílias abraçam o projeto, isso é muito legal.


Cada um de vocês tem uma carreira consolidada, o Jair como cantor e produtor, a Tania como atriz de novela e teatro. Como é a relação artística entre vocês?

Tania: É óbvio que, para mim, o projeto toma mais força no momento que ele vai para o palco. Eu aqui, aprendendo o que minhas filhas já tem, que é a musicalidade, no sentido de cantar. Eu tenho o que veio através da dança. É muito especial para uma atriz trabalhar com um músico.

Jair: Poder trabalhar junto com duas linguagens artísticas diferentes, que vibram na mesma essência, acabou ajudando muito o projeto. Além de marido e mulher, somos dois artistas que gostam dessa linguagem lúdica. Eu aprendo muito também com o ofício dela. 

Como é para você, Jair, trazer seu trabalho como músico infantil nos anos 1980 para esse projeto?

Jair: No Balão Mágico, eu era criança me comunicando com crianças, agora sou adulto me comunicando como criança para as famílias. É muito legal as pessoas perceberem que eu trouxe muita daquela energia infantil do Jairzinho. Muitos pais apresentam o Balão Mágico para os seus filhos junto com os Grandes Pequeninos, então eu fico em dose dupla.

A arte transforma um sujeito numa criança eterna. Eu convivi muito com isso, porque tinha uma criança em casa que era muito mais velha do que eu: o meu pai [Jair Rodrigues]. Ele sempre expôs esse lado mais infantil dele através da alegria, brincadeira e expressões artísticas que usava para desenvolver seu ofício de intérprete.

Como a pandemia afetou o projeto Grandes Pequeninos?

Tania: A gente sempre fez muitas lives interativas, principalmente na pandemia, e observa que as crianças adoram participar. A gente fez um quadro que chama “Histórias da Cartola”, que cria histórias junto com as crianças, no improviso, e sempre saem mensagens interessantes e engraçadas. A gente vem experimentando essa interatividade e sente que tem espaço para aprender online, que tem espaço para a família. Isso já veio como uma certeza que esse projeto com a Broadway é pertinente.


Como se deu a parceria com a Broadway?

Jair: O convite desse grupo da Broadway Kids [Go Broadway] acabou partindo de relações que a gente construiu em Nova York, mas também pelo que eles enxergaram na gente. Não só pelo Grandes Pequeninos, mas pelas carreiras de cada um, dois artistas que existem fora do desenho e que vem trabalhando através do tempo. A gente pode usar nossa imagem para apresentar essa ideia para o público brasileiro, porque a gente escolhe o que vai comunicar para as famílias e as crianças de uma maneira responsável e com credibilidade.

Tania: Agora é um momento tão desafiador no mundo e a gente fica tão feliz e honrado de ter sido convidado por essa escola da Broadway. [O projeto] Está sendo produzido todo em Nova York, por artistas brasileiros que moram e tem espaço lá, que gravaram junto com a gente esse conteúdo. 

Qual a importância desse projeto para vocês?

Tania: Quando a gente orienta desde pequenininho, a arte é a primeira conexão da criança com o seu corpinho. Essas aulas vem num momento tão importante, não só pedagógico, mas de trazer alegria para a casa. O curso chega com um conteúdo que a criança pode brincar, explorar e os pais apoiam, aprendem junto com a história desses musicais. É algo que interessa aos pais. É um presente poder apresentar um conteúdo que vem com outra qualidade, chegando no Brasil, que a gente sente que ainda não tem isso. Essa é a parte da parceria deles, que tem esse know-how do ensino pedagógico. A gente entra como expectador dessa metodologia que eles fazem há anos, trazem professores artistas e treinam. A gente fica na parte artística, apresenta e costura as aulas. Cada um entra com o que tem de melhor para oferecer.

Vocês participaram da escolha dos musicais que fazem parte do curso?

Jair: A gente deu os nossos palpites, mas eles conhecem muito mais a fundo para poder escolher o que gera uma mensagem em um episódio. O universo dos musicais é gigantesco. No Brasil, a gente tem acesso a um pequeno pedaço desse universo, os mais famosos ou aqueles que se transformaram em filmes. Mas, para quem vive desse universo em Nova York, sabe que a cada ano surgem muitos musicais legais, ganhadores de prêmios. Nesse formato, a gente vai explorar também os que não tiveram uma notoriedade tão grande no Brasil. Dessa primeira temporada, a gente gostou muito do Wicked, que a gente assistiu com as nossas filhas, e a Noviça Rebelde, as músicas são incríveis, eu vi o filme quando criança. Depois virão outras temporadas e outros musicais.

Quais os planos futuros para o Grandes Pequeninos Broadway?

Jair: A intenção é introduzir o universo dos musicais na primeira infância. Tem que ser de um jeito que eles entendam e curtam. Hoje o conteúdo é adaptado para essa faixa etária [de 2 a 12 anos]. Muito provavelmente, com o projeto crescendo, a gente vai subdividindo em outras faixas para explorar melhor. 

A ideia do grupo Go Broadway é, em algum momento, transformar isso em presencial, eles fazem isso há muito tempo, mas sem abandonar o online. Queremos chegar a mais pessoas e aí vem a parceria com a Sympla. Conversamos também com todos os parceiros para oferecer isso para as crianças que não têm acesso, estamos definindo ainda como fazer. A nossa intenção é: para cada pacote de aula [vendido] na plataforma, que a gente também ofereça para crianças que não tem condições através de instituições, porque, além da questão financeira, tem a tecnológica. A arte é essencial para a educação.

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