WERTHER SANTANA/ESTAD?O
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Georgette Fadel e Luciano Chirolli recontam vida e obra de Maiakovski

Espetáculo tem traduções inéditas do 'Poeta da Revolução' que cometeu suicídio aos 36 anos

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2017 | 06h01

Na canção Amor, Caetano Veloso previu que o século 30 venceria o coração já destroçado pelas mesquinharias. Inspirado nos escritos do russo Vladimir Maiakovski, o cantor baiano implorou com um “ressuscita-me” por mais uma chance ao poeta da revolução, que cometeu suicídio aos 36 anos. 

Nos 100 anos da Revolução Russa, a diretora Marcia Abujamra estreia no Centro Cultural Banco do Brasil o espetáculo-poesia A Plenos Pulmões, com Georgette Fadel e Luciano Chirolli.

Com textos de prosa e poesia, a montagem percorre o grande coração do russo que tinha tanto espaço para seu país quanto para seus amores.

Mesmo assim, a diretora afirma que não se trata de um espetáculo biográfico. “Há uma clareza nos textos que revelam o sonho e os ideais de Maiakovski. A paixão dele pelo país e também por Lilya Brik. Procuramos trazer alguns acontecimentos, mas o foco é rememorar a força de seus versos”, lembra. 

Outra característica presente nos escritos do russo é que seus textos se mantêm intimamente ligados à palavra falada. “Ele declamava versos enquanto caminhava pelas ruas”, conta Marcia. O que faz do poeta um artista que atravessava a cidade e se deixava tocar por ela. “Ele conseguiu equilibrar a atuação política nos partidos com uma grande criatividade. Seus sonhos e desejos ficaram registrados de modo inventivo”, acrescenta sobre o autor de O Percevejo, peça que revisou o socialismo na Rússia e que fez sucesso no Rio de Janeiro em 1981, quando foi montada por Luís Antonio Martinez Corrêa, irmão de Zé Celso, com roteiro de Guel e Maurício Arraes e música de Caetano Veloso.

Nesse trânsito cultural, não era só o futuro da Rússia que permeava os versos de Maiakovski, mas o triste destino do poeta. “O suicídio era algo a ser perseguido”, diz a diretora. “Mesmo falando de amor, fé, esperança e repensando a função do poeta e do artista na sociedade, ele já trazia consigo o desejo de terminar com a própria vida.”

Na organização dos textos, Marcia utiliza trechos e alguns poemas na íntegra. “Alguns deles são longos, como era o estilo de Maiakovski.” Como parte da obra não foi traduzida para o português, a diretora traz alguns inéditos na interpretação de Chirolli. Se no início do projeto a peça era um solo, aos poucos surgiu a necessidade de que o ator tivesse companhia no palco. “Percebemos que seria interessante criar esse jogo com as memórias do poeta”, explica ainda Marcia. “Então a Georgette surge ora como uma leitora contemporânea ora como personagem”, acrescenta.

A PLENOS PULMÕES

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Alvares Penteado, 112. Tel.: 3113-3651. 6ª, sáb., 2ª, 20h, dom., 19h. R$ 20. Estreia hoje, 28/7. Até 18/9. 

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