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Espetáculos premiados em edital da Funarte serão gravados nas sedes da fundação em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília  EPITACIO PESSOA/AE

Funarte destinará R$ 870 mil para propostas de teatro virtual

Edital foi publicado no Diário Oficial e pretende financiar 25 iniciativas; saiba como funciona

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 09h06

A Fundação Nacional de Artes vai destinar R$ 870 mil para projetos de teatro virtual em todo o Brasil. Serão 25 iniciativas voltadas para peças infantis, jovens e adultos. Os espetáculos poderão ser gravados nos espaços da Funarte localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília e serão incorporados ao acervo da instituição e exibidos por meio de plataforma digital, compondo a programação do Festival Funarte de Teatro Virtual 2020.

De acordo com edital publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 12, o objetivo é “valorizar e fortalecer a expressão teatral brasileira, assim como possibilitar sua democratização e acessibilidade”. A publicação também garante que fomenta “o desenvolvimento de atividades teatrais de temática livre e nos mais diversos formatos, incentivando a montagem de espetáculos que serão registrados em vídeo para apresentação virtual, além de contribuir para a manutenção de coletivos, grupos e companhias”.

Do aporte financeiro de R$ 870 mil, serão destinados R$ 840 mil para a premiação dos projetos selecionados, que serão distribuídos igualmente para todas as regiões do Brasil, com cinco propostas para cada uma delas, e R$ 30 mil serão utilizados para custos administrativos.

Como participar do prêmio para teatro virtual

O selecionado deverá entregar o espetáculo gravado e editado, em conformidade com os padrões estabelecidos no edital. Para participar do Prêmio Funarte Festival de Teatro Virtual 2020, são permitidas pessoas jurídicas, de direito privado, com ou sem fins lucrativos, de natureza cultural, tais como: cooperativas, produtoras, companhias ou grupos de todo Brasil, identificados como "proponentes", ou seja, alguém que assume a responsabilidade legal do projeto junto à Funarte, por sua inscrição, execução, conclusão e comprovação das atividades realizadas. 

Também é possível participar como concorrente: artista, grupo ou produtor que inscreveu seu projeto através de uma associação ou cooperativa. No caso de Pessoa Jurídica de natureza cultural, trata-se de entidade, com ou sem fins lucrativos, cuja atividade seja dirigida à cultura. O Microempreendedor Individual (MEI), por exemplo, não pode representar grupos de artistas que atuam juntos de forma continuada.

Não poderão se inscrever no edital proponentes que possuam vínculo com os poderes executivo, legislativo ou judiciário, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas da União ou respectivo cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade até terceiro grau. Também estão proibidos de participar os servidores, terceirizados ou quaisquer outros profissionais que tenham vínculo de trabalho com a Funarte, com o Ministério do Turismo ou suas vinculadas.

Cada proponente poderá concorrer somente com um projeto. As inscrições serão gratuitas e estarão abertas pelo prazo de 45 dias, contados a partir do primeiro dia útil após a data de publicação do edital no Diário Oficial da União.

As inscrições deverão ser feitas exclusivamente pela internet mediante o preenchimento e envio do formulário de inscrição por meio de link disponível no site da Funarte.

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Orquestras e teatros voltam a se apresentar em transmissões pela internet

Ainda sem a presença do público, lives são única forma de contato com espectadores e ouvintes; Osesp, Sala Cecília Meireles e Instituto Baccarelli buscam opções em meio ao isolamento

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2020 | 20h06

A Osesp volta a partir deste sábado, 1.º, a fazer apresentações na Sala São Paulo. Não haverá a presença do público: os concertos serão transmitidos ao vivo pela internet. A Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, também inaugura neste sábado, 1.º, sua série digital; e, no domingo, o Instituto Baccarelli transmite recital direto de sua sede em Heliópolis.

O primeiro concerto da Osesp vai reunir músicos do Grupos de Metais da orquestra, regidos por Wagner Polistchuk. Serão 29 artistas no palco. Nos dias 7 e 8, o número sobe: cinquenta instrumentistas, para apresentar obras de Beethoven.

“É o número máximo com o qual estamos trabalhando”, diz o diretor executivo da Fundação Osesp, Marcelo Lopes. “Os artistas foram testados para a covid-19 antes dos ensaios e vão seguir regras de distanciamento social sobre o palco.”

A Osesp trabalhava até a semana passada com a possibilidade de voltar a receber o público ainda em agosto, mas a decisão da Prefeitura de só reabrir espaços culturais na Fase Verde do Plano São Paulo levou a grupo a refazer os projetos.

“Estes primeiros concertos estão servindo como uma experiência. São duas semanas cruciais, até para que os músicos voltem a se sentir seguros ao tocar e ao sair de suas casas. Estamos atentos às determinações das autoridades para ver quais os próximos passos. O maestro titular Thierry Fischer (que mora na Suíça) está pronto para vir a São Paulo e reassumir o grupo, e nossa ideia é que ele possa embarcar já no próximo dia 10.”

A volta aos palcos segue um protocolo específico de segurança sanitária, criado com ajuda de cientistas e autoridades. O documento preparado pela Osesp tem mais de setenta páginas, e oferece orientações sobre o modo como os músicos deverão estar posicionados no palco assim como estipula regras para a eventual presença do público.

A Sala Cecília Meireles também criou seu protocolo. Diretor do teatro, João Guilherme Ripper trabalhou pessoalmente na criação de um documento para a Fundação de Artes do Rio de Janeiro (Funarj), da qual a sala faz parte. “Também usamos o Protocolo para Práticas Musicais, preparado pelo recém-criado Fórum Brasileiro de Ópera, Balé e Música de Concerto”, ele explica.

“O protocolo estipula, por exemplo, que cada músico deve ficar dois metros distante dos colegas, além de tratar de casos específicos. Os instrumentistas de cordas devem tocar de máscaras. No caso dos metais, como teremos em um dos nossos programas já previstos, há outros cuidados. Os instrumentos pingam por conta da condensação e cada artista terá que colocar uma toalha no chão e depois jogá-la fora pessoalmente. Além, claro, da separação feita por placas de acrílico.”

A programação da Sala inclui 29 concertos semanais até dezembro. Ripper conta que tentou manter as séries temáticas anunciadas no começo do ano. “Em setembro, vamos fazer as sonatas para violino e piano de Beethoven; em outubro, um festival Bach; em novembro, as sonatas para piano de Beethoven; e em dezembro, seus últimos quartetos, além da Canção da Terra, de Mahler”, conta.

No Instituto Baccarelli, músicos da Orquestra Sinfônica Heliópolis apresentam a cada quinze dias um recital de câmara, ou seja, com poucos artistas, direto da grande sala da entidade, na comunidade de Heliópolis; neste domingo, a atração é o Quarteto de Violoncelos. Não há público, e os concertos são transmitidos pelos canais do instituto em redes sociais.

“Nossa primeira preocupação, no início da pandemia, foi canalizar nossas forças para ajudar a comunidade, coletando e distribuindo alimentos que pudessem ajudá-los neste momento”, explica Edilson Ventureli, diretor executivo do instituto, que também tem oferecido master classes virtuais diariamente. “O cuidado com o social continua, mas agora também começamos a pensar na retomada do trabalho, de maneira segura, atenta à saúde de todos os envolvidos. Isso é bom para os nossos alunos, uma motivação nesta hora complicada, permite um contato renovado com nosso público e ajuda a mostrar todo o trabalho que estamos realizando neste momento. Também já estamos conversando com o Masp, onde realizamos uma de nossas séries, sobre um possível retorno, em respeito, claro, às questões sanitárias.”

Para Ripper, a retomada é fundamental. “Precisamos fazer girar novamente toda uma cadeia de profissionais da música que ficou parada”, ele explica. Por conta disso, os concertos servirão para arrecadação de verbas para o Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos do Estado de Rio de Janeiro. 

Veja vídeos das orquestras produzidos durante a quarentena:

 

 

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Montevidéu é primeira capital da região a reabrir grandes teatros

O público esgotou os ingressos disponíveis gratuitamente para a ocasião especial

Gabriela Vaz, Reuters

07 de agosto de 2020 | 07h36

 

Montevidéu se tornou nesta quinta-feira, 6, a primeira capital latina a reabrir suas grandes salas de teatro, com uma apresentação do coral nacional que atraiu mais de 400 espectadores.

"Estou muito feliz que tenham reaberto, já era hora", comemorou, entusiasmada, a bióloga Helena Winterhalter, uma das primeiras pessoas a chegar ao auditório Adela Reta em sua noite de reabertura.  

Com máscara, distanciamento físico, controle de temperatura e álcool em gel, dezenas de pessoas compareceram ao principal auditório do país, localizado no centro de Montevidéu, para assistir à apresentação do coral. A noite de gala marcou o retorno dos espetáculos com plateia em uma das salas mais importantes do país, que, devido aos protocolos de segurança pro causa da covid-19, viu seu público habitual cair de 1,8 mil para 411 espectadores.

Todas as pessoas, inclusive os casais, tiveram que manter duas cadeiras vazias entre si. Também só foram liberadas as fileiras pares, com uma distância de cinco metros entre o palco e a primeira fila ocupada.

O protocolo reduziu o coro de 75 cantores para 20 vozes, que se revezaram nas diferentes funções, com uma lâmina de acrílico na frente de cada um e mantendo uma distância de dois metros dos demais companheiros.

Mas nada apagou a alegria do retorno. "O Uruguai é pioneiro em toda a América na volta aos palcos", assinalou o diretor do coral, Esteban Louise, ao apresentar o programa da noite, que incluiu desde hits dos Beatles até Johan Sebastian Bach e tangos de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera.

Sede de espectador

O público esgotou os ingressos disponíveis gratuitamente para a ocasião especial. "Há um grande interesse em voltar, as pessoas estão ansiosas para sair e passar do contato digital para o presencial", comentou José Miguel Onaindia, diretor artístico do auditório.

Para muitos, desta vez pouco importava quem iria se apresentar. "Teria vindo da mesma forma", afirmou Helena Winterhalter. O aposentado Juan Carlos Ado, que compareceu com a mulher, concordou: "Praticamente viria assistir ao que fosse. Como estava tão feliz com a reabertura, isso não importava."

Os teatros, museus, galerias de arte e salas de cinema do Uruguai foram autorizados a reabrir na última segunda-feira, depois que o governo aprovou um protocolo sanitário rigoroso. Mas seja pela dimensão de alguns centros, ou pelas características de alguns espetáculos, a reabertura, em alguns casos, é difícil ou, praticamente, inviável. Apenas as salas mais espaçosas podem atender aos requisitos de distanciamento.

O Uruguai, elogiado por seu sucesso no controle da pandemia sem impor uma quarentena obrigatória, retomou a maioria de suas atividades, incluindo as aulas presenciais em todos os níveis. O país, de 3,4 milhões de habitantes, registra 1.318 casos e 37 mortos pela covid-19.

 

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