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Festival reúne peças que misturam teatro, dança, música e circo

A abertura é nesta quinta, 24, com o espetáculo 'Bounce!' que traz músicos que dançam e dançarinos que tocam instrumentos

Roberta Pennafort / RIO , O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 05h00

Teatro, música, marionete, animação, performance, circo. No Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), que será aberto nesta quinta, 24, no Rio, não há fronteiras para a criação, seja artística, seja geográfica. São 20 espetáculos do Brasil, mas também trazidos da França, Dinamarca, Holanda, Austrália e Canadá.

Quem faz o garimpo é a criadora do FIL, a premiada dramaturga, diretora e atriz Karen Acioly, que assiste a festivais multidisciplinares mundo afora à procura de atrações – um dos preferidos é o Momix, há 25 edições na pequena Kingersheim, na França.

Há 13 anos, ela teve a ideia de trazer à cena carioca o melhor dessa produção internacional, sem distinção de gêneros. O público preferencial é o infantil – desde os bebês –, mas o festival abarca toda as idades. A intenção é permitir que os pequenos exercitem a criatividade e descubram por eles mesmos o que está por trás das performances. “As crianças em geral olham para onde a gente não olha”, disse Karen, que consegue manter o FIL vivo graças aos patrocínios, como os da Oi e da Petrobrás, e o apoio dos governos estrangeiros. “Alguns espetáculos eram meus objetos de desejo, por terem linguagem altamente sofisticada. O Brasil ainda está descobrindo esse hibridismo, mas em países como a França, a Dinamarca e o Canadá isso é novidade. O FIL aponta para o que ainda não foi nomeado.”

As atrações estarão em nove palcos da cidade. O cardápio tem encenações mais tradicionais, como a Sinfonieta Braguinha, dirigida por Karen, uma releitura de clássicos de Braguinha, como A História da Baratinha e Festa no Céu. Tem também espetáculos de difícil classificação, pela imprevisibilidade. Como a Ópera para Secador de Cabelos, da companhia francesa Blizzard Concept: um homem tem sete secadores presos ao corpo, na cabeça, braços, pernas e pés, e, com o vento que sai dos aparelhos, equilibra bolinhas. É teatro? É circo? “É uma  obra  leve  e  límpida,  apesar  de  perturbadora, intelectualizada e, às vezes, primitiva. É  sinceramente desonesta, relaxante e explosiva,  sublime  e  boba”, diz a sinopse desse espetáculo de “teatro hormonal”. Em Os Bosques Que Dormem, da canadense Julie Desrosiers, um bebê alce nasce sem os chifres, o que se tenta corrigir a todo custo. 

A abertura, no Teatro Tom Jobim, é com os franceses da companhia Arcosm, que trouxeram Bounce!, espetáculo de quatro pessoas, músicos que dançam e dançarinos que tocam instrumentos. Eles tentam transpor um enorme cubo de madeira. O que ele faz ali, no centro do palco, ninguém sabe. 

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