JAYANA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
JAYANA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO

Festival Pé Dentro, Pé Fora quer abreviar as distâncias entre a formação e a cena profissional

Em sua terceira edição, mostra reúne cinco jovens grupos e um ciclo de debates sobre os desafios dos novos artistas

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 04h00

O enredo de Eram Palhaços e Homens de Carne e Sangue pode resumir umas das frentes que o teatro paulista precisa enfrentar. Inspirado em Esperando Godot, a peça da Cia Metáfora coloca dois palhaços em uma eterna espera pelo seu público.

 

O jovem grupo criado no contexto da Universidade Estadual Paulista (Unesp) está na programação do Festival Pé Dentro, Pé Fora, com abertura nessa sexta, 3, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Ao lado da companhia, outros quatro grupos participam da programação, selecionados entre outros dois celeiros de artistas do palco: a Escola Livre de Teatro, de Santo André, e a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

 

Como regra geral, ao fim da formação, cabe aos egressos se lançarem na cena. A atriz, professora da Unesp e uma das curadoras Lúcia Romano - ao lado de Edgar Castro e Cibele Forjaz - ressalta que a condição do mercado já é de uma eterna crise. “Isso parece distanciar ainda mais a entrada dos jovens na vida profissional, o que passa pela urgência de compreender essa realidade pautada pela instabilidade de política públicas ou do congelamento de recursos para a cultura.”

Ela explica que além do aspecto econômico, a relação do artista com o público também está em evidência como demonstrado no trabalho da Cia Metáfora. “É preciso repensar a ideia de bilheteria e fortalecer esse diálogo com a plateia.”

Entre os trabalhos escolhidos por Cibele, a cena política atual guiou a criação de A Iminência da Morte das Plantas pelos Canhões de Guerra, do Coletivo Seiva Bruta, que retoma o filme Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci e conecta a greve geral francesa realizada em maio de 1968 com o regime militar brasileiro. 

Já a peça (.dentro) aposta na fábula de uma família em que apenas o pai pode sair de casa e que a segurança está no isolamento. “O ato de refletir sobre a nossa cena política nos ajuda a agir, criando novos caminhos”, diz Cibele. “Nesse sentido criar e produzir são uma coisa só, o que demanda capacidade de reinvenção desses jovens.” 

Além dos espetáculos, o festival terá debates sobre formação profissional, ação política, e novos modelos de produção. “Se considerarmos os avanços conquistados, a luta dessa nova geração está em dar prosseguimento ao fazer teatral. Isso quer dizer que precisarão criar suas próprias utopias, na medida em que são desejadas.” 

FESTIVAL PÉ DENTRO PÉ FORA

Oficina Cultural Oswald de Andrade. Rua Três Rios, 363. Tel.: 3222-2662. 6ª, 20h, sáb., 18h. Grátis. Estreia hoje, 3. Até 8/4

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