Leekyung Kim
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Festival de Curitiba volta enxuto e realista

Evento teve última edição em 2019, depois parou por causa da pandemia; será retomado entre 29 de março e 10 de abril

Dirceu Alves Jr., Especial para o Estadão

16 de fevereiro de 2022 | 05h00

O Festival de Curitiba encerrou a edição de 2019 com números superlativos e aplausos incansáveis. Foram 400 atrações em 80 espaços da capital paranaense e a expectativa de superação no ano seguinte. Jamais se imaginaria que as cortinas demorariam três anos para serem reabertas por causa de uma pandemia que tornaria proibitivo encontros presenciais e aglomerações.

Entre 29 de março e 10 de abril, o maior evento de artes cênicas do País volta em formato enxuto e realista. O Festival de Curitiba celebra três décadas com 25 espetáculos na mostra oficial, duas vitrines paralelas e 120 apresentações de rua. Os ingressos para as atrações fechadas, ao preço máximo de R$ 80, começam a ser vendidos amanhã, dia 17.

O orçamento de R$ 5,5 milhões, com patrocínio das leis de incentivo estadual e federal, captado em empresas de diferentes setores, como o agrícola e o de tecnologia, não é muito diferente do consumido para colocar de pé a grandiosa edição anterior. “Precisamos nos adaptar para realizar o que era possível, porque tudo subiu muito, desde os custos de produção até as passagens aéreas para trazer os artistas”, explica Leandro Knopfholz, um dos criadores do evento, em 1992. 

Knopfholz responde pela direção-geral ao lado de Fabíula Passini, que assumiu em conjunto a curadoria. A programação olha para o passado com a intenção de projetar o presente dos artistas que consolidaram o prestígio da mostra. O diretor Gabriel Villela (Cordel do Amor Sem Fim ou Flor do Chico), a coreógrafa Deborah Colker (Cura) e os grupos Armazém (Angels in América), Cia. dos Atores (Conselho de Classe), Galpão (Till, A Saga de um Herói Torto), Magiluth (Estudo nº 1 – Morte e Vida), Satyros (Aurora e Pessoas Brutas) e Parlapatões (Prego na Testa e Parlapatões Revistam Angeli) figuram na grade. “Focamos mais em nomes que construíram essa história do que em obras específicas”, justifica Knopfholz. “Preparamos um feijão com arroz bem temperado para nos mostrarmos presentes e relevantes”, disse. 

Entre os espetáculos programados para 2020 que ganham espaço estão a comédia O Mistério de Irma Vap, com Mateus Solano e Luís Miranda, o musical A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa, protagonizado por Laila Garin, e o show  AmarElo, de Emicida. Denise Fraga traz o solo Eu de Você nos dias 5 e 6 de abril. “Derramamos litros de lágrimas com aquele cancelamento, mas agora estaremos lá e vai ser mais lindo ainda”, avisa a atriz.

Presente, entre outras, na primeira edição com The Flash and The Crash Days, o encenador Gerald Thomas promove a estreia presencial do monólogo G.A.L.A., protagonizado por Fabiana Gugli, em 29 e 30. “Depois de dois anos isolado, eventos presenciais me dão medo, mas o que mais me assusta é colocar no palco algo que concebi pelo computador, vamos começar tudo de novo, do zero em vários sentidos”, diz Thomas. Quem também volta a Curitiba é a atriz Denise Stoklos com o solo Abjeto – Sujeito, adaptação de textos de Clarice Lispector dirigida por Elias Andreato, que será visto em 8 e 9 de abril. “Eu me lembro do Leandro, um menino, me procurando para participar de uma das primeiras edições, em 1994”, recorda a artista. “Vibro com a retomada dessa efervescência do festival, de restabelecer esse contato com o público.”

O diretor Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro, que apresenta Sem Palavras, em 3 e 4 de abril, evoca o valor político da retomada. “Marcar um espaço presencial é importante para estabelecer um novo ponto de vista humano, de troca, de como a gente se organiza para uma convivência segura nos espaços públicos”, declara ele, que cuidou da curadoria das cinco edições anteriores ao lado do ator Guilherme Weber. Uma das raras estreias, aliás, é Tudo, comédia dramática dirigida por Weber e protagonizada por Julia Lemmertz e Vladimir Brichta, que ganha a cena em 1 e 2 de abril. 

Entre as atrações paralelas destacam-se uma exposição da fotógrafa Lenise Pinheiro, formada por quatrocentas imagens registradas desde a primeira edição, e uma série de debates sob a curadoria do jornalista Celso Curi e da atriz Giovana Soar. Será montado ainda um ponto de encontro no Alfaiataria Espaço de Artes para promover o contato entre artistas e público. 

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