NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Felipe Hirsch abre criação de peças

Artistas vão acompanhar as montagens de ‘A Tragédia Latino Americana’ e ‘A Comédia Latino Americana’

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 05h00

Após a estreia das três primeiras partes de Puzzle (denominadas A, B e C) durante a Feira do Livro em Frankfurt, em fevereiro deste ano, o diretor Felipe Hirsch surgiu com a última parte Puzzle (D). Na montagem, ele trazia retratos de manifestos paulistanos, não os de agora, mas a Semana Moderna de 22, falava da ação de pichadores na cidade e também da solidão da nossa língua na América Latina.

O processo criativo inteiro mirou um olhar crítico sobre a atual situação do País e que agora recebe provocações de artistas na nova empreitada do diretor.

Chamados de A Tragédia Latino Americana e A Comédia Latino Americana, são duas partes de um projeto criado especialmente para o Sesc São Paulo. A primeira tem estreia marcada para a Mostra Internacional de Teatro (MIT) e a segunda para o Festival Ibero Americano, o Mirada, em Santos.

A exemplo de Puzzle, Hirsch e a companhia Ultralíricos partirão de obras de autores latino-americanos contemporâneos. No projeto anterior, o grupo mergulhou nos escritos de Roberto Bolaño em Entre Paréntesis e La Poesía Latinoamericana, Paulo Leminski com Distraídos Venceremos e Estando el Dionísio en lo Exilio, de André Sant’Anna.

A novidade é que toda esta caminhada ganhará um olhar, ou muitos olhares, com a proposta de abrir um processo criativo pedagógico para a participação de artistas interessados.

A partir desta segunda, 7, os participantes poderão acompanhar o processo de criação das montagens durante duas semanas consecutivas.

A equipe, que tem direção artística de Daniela Thomas, segue o mesmo recorte geográfico, integrando atores brasileiros, entre eles Caco Ciocler, Guilherme Weber, Georgette Fadel, Julia Lemmertz e Isabel Teixeira, além de argentinos, mexicanos e chilenos.

Ao final da imersão, os artistas participantes terão a oportunidade de escolher áreas específicas como direção, cenografia, figurinos ou iluminação. Tal vivência vai até a data da estreia da primeira montagem.

Logo após, serão realizadas leituras dramáticas dos textos, previamente escolhidos. Partindo de trechos, fragmentos ou parte das obras, o material selecionado construirá a dramaturgia. As leituras terminam no fim de fevereiro.

Para os ensaios abertos, o diretor anunciou que as inscrições estão abertas até a próxima quinta, 10. Dessa vez, o público poderá participar dos encontros.

A estreia de A Tragédia Latino Americana está prevista para março. O segundo espetáculo ganha os palcos no Mirada, em meados de setembro.

Elenco latino-americano integra par de espetáculos com estreia prevista para 2016

O argentino Javier Drolas, de Medianeras, já trabalhou com Felipe Hirsch em A Menina Sem Qualidades (2013), série de ficção da MTV. Ele vive um professor de literatura e espanhol que foi preso político em seu país. Na escola ele é seduzido pela aluna (Bianca Comparato).

Na linha de frente brasileira está Camila Márdila. Nascida em Brasília, a atriz acabou de receber o prêmio especial no Festival de Sundance ao lado de Regina Casé por interpretar Jéssica no filme Que Horas Ela Volta?. Ela também se prepara para viver a poetisa Cora Coralina no cinema.

O mexicano Fernando Álvares Rebeil está no recente curta El Sonámbulo (O Sonâmbulo) escolhido na categoria melhor ficção pelo festival Ícaro, na Guatemala. Em 2016, ele também estreia Oso Polar (Urso Polar). Com direção de Marcelo Tobar, o longa será gravado com iphones.


Tudo o que sabemos sobre:
TeatroCulturaFelipe Hirsch

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.